Mãe até introdução

A melhor e pior época da minha vida

2020.10.21 08:23 SKruizer A melhor e pior época da minha vida

Boa parte do motivo de eu tar escrevendo isso agora é porque eu comprei um teclado novo e quero testar, outra parte é porque eu não acho que alguém que me conheça saiba meu user do Reddit e o resto é porque eu sei que ninguém se importa comigo o suficiente pra saber. Anyway, eu muito provavelmente vou remover esse post depois. Desculpa pela introdução enorme, vamos começar.
Depois de muito tempo (uns 4 anos) de terminar o médio, que eu terminei atrasado mesmo sendo consideravelmente mais inteligente do que a média, eu finalmente consegui um emprego estável. Entrei por agência como temporário, mas fui efetivado recentemente, e com grandes chances de ser promovido logo. Apesar da situação na minha casa não ser das melhores, não é nada que me preocupe muito, apenas o tempo cobrando seu valor. Essa pode ser literalmente a melhor época da minha vida: eu tenho amigos, um emprego estável e bom apesar de eu viver reclamando (quem não?), e finalmente eu saí de um limbo que eu tava preso faz bastante tempo.
Agora, eu tinha uma namorada até o fim do ano passado. Uma que mora relativamente longe de mim, mas a gente se via e se amava muito, ou pelo menos eu quero acreditar. A gente se conheceu pela internet, e deu muito certo junto. No começo eu era meio babaca, mas cresci bastante com ela, e graças a ela também, e eu gosto de acreditar que o mesmo aconteceu com ela. Eu amava ela completamente, e acredito que ela também me amava bastante, mas nós dois sabíamos que era um relacionamento tóxico. A gente não se via com a frequência que a gente queria se ver, e isso causava desejos que pessoas que se amam não deveriam sentir. Acima de tudo, eu tenho depressão, tinha desde aquela época, e isso só piorava tudo. Chegou uma hora que ela não se sentia mais confortável comigo, eu acho.
Ela fez mais amigos, conheceu uns caras legais e que, diferente de mim, tinham vida. Queriam viver. Eu nunca deixei de amar ela, mas senti nosso relacionamento se esvaindo cada vez que uma burrada acontecia, minha ou dela. Até que uma hora, ela se cansou. Tinha conhecido um outro cara, um que ela podia ver com frequência, e daí desandou tudo.
Eu fiquei acabado. Eu nunca tinha tentado cometer suicídio até isso acontecer. Mas eu não queria que ela se sentisse culpada, nem queria desapontar minha mãe, minha irmã e minha avó nesse nível, então no fim das contas, eu não tive bolas pra me matar de verdade, mas Deus sabe o quanto eu queria morrer. Não sei nem como eu to aqui escrevendo isso agora.
Fiquei mal por um tempo, quis continuar sendo amigo dela achando que ia conseguir ela de volta, mas cada dia que passava eu só fodia tudo mais e mais. Me afastei por um tempo, achando que eu tava sufocando ela, só pra ter uma recaída e fazer tudo muito pior. Decidi me afastar de novo, não aguentei de novo, e aí ela percebeu que tava fazendo mal pra mim e pra ela, e aí ela decidiu se afastar. E eu prometi pra mim mesmo que não vou atrás dela dessa vez. Vamos ver quanto isso dura.
Acho que parte de mim ainda ama ela. Eu sei que eu não superei, mas que também eu não preciso mais de nada disso. Pouco tempo depois disso foi quando eu consegui meu emprego, que me fez mais amigos e deu um motivo pra sair de casa, coisa que eu não fazia nem antes da pandemia. Se tá me fazendo bem? Não muito. Pelo menos tá me dando alguma coisa pra me distrair, eu acho.
Ao mesmo tempo que essa pode ser a melhor época da minha vida por conta de ter um emprego, uma estabilidade financeira que eu venho querendo faz um tempo, é a época que eu também to mais fodido na depressão. Eu não tenho problema em admitir que eu tenho depressão e preciso de ajuda, mas eu mesmo não vou atrás de ajuda porque eu não sou importante o suficiente. Quando eu conto pra alguém que eu tenho depressão, minha máscara de pessoa normal já tá tão bem desenvolvida que ninguém nem dá bola, e sinceramente eu acho que prefiro assim. Vai ver ninguém liga mesmo. Eu não ligo.
Se alguém achar isso é insta delete, apesar de que ninguém vai querer ler uma parede de texto desse tamanho de qualquer jeito. Se você leu, toda gratidão aí cara, e me dá um feedback se você achar que eu escrevo bem. Sempre quis ser escritor.
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2020.10.02 20:07 CasaGolden A escolha do favor de Sansa: o caso de Sor Byron, o Bonito ( Parte 1)

“Quem pediria o favor de uma bastarda?
Harry, se ele tiver a sabedoria que os deuses deram para um ganso... mas não dê para ele. Escolha algum outro galante. Você não quer parecer muito ansiosa.” (TWOW, Alayne I)
Tal é o conselho que Mindinho da para Sansa Stark, agindo como sua filha bastarda Alayne Stone, quando ela se encontra com ele nos Portões da Lua depois da chegada do seu prometido Harry, o Herdeiro. Não é a orientação habitual que alguém pensaria que um pai daria para sua filha, mas este não é um relacionamento tradicional de pai/filha e Petyr não é um mentor ordinário. Enquanto ele não especifica o “galante” que Sansa deveria entregar seu favor, o raciocínio dele é claro: ele quer que ela encante e provoque Harry, mas ainda mantendo alguma aparência de preferência absoluta, para assim manter o Jovem Falcão encantado e interessado. Quando mais tarde ela dança com Harry no banquete pré-torneio, nós vemos que Alayne aceitou as palavras do pai no coração; ela está decididamente mais ousada e brincalhona com Harry, questionando ele sobre suas crianças bastardas, suas mães, e fazendo comentários bem sugestivos sobre ela ser toda a “pimenta” que ele vai querer. O infeliz Harry, previsivelmente em transe, pede pelo favor de Alayne, mas ela nega pra ele dizendo “Você não. Está prometido... para outro”.
Quem será esse “outro” tem intrigado o fandom desde o lançamento da amostra do capítulo há cinco anos. O capítulo não contem maiores revelações ou cenas dramáticas, mas este final age como certo cliffhanger, criando expectativas nos leitores de que o favor de Alayne terá um considerável significado narrativo. Ao escolher seu cavaleiro, nós sabemos que Alayne tem muitas opções, como Martin nos dá a litania de potenciais escolhas da lista de parceiros de dança no banquete, e, não esqueçamos, a conversa com dois personagens imprevisíveis que ela teve mais cedo naquele dia: Sor Shadrich de Vale Sombrio e Sor Lyn Corbray de Lar do Coração. Enquanto Sor Lyn continua sendo um candidato viável, por mais volátil e arriscado que ele seja, podemos excluir Sor Shadrich por enquanto, pois ele diz a Alayne e Myranda que não pretende competir no torneio.
É claro, os leitores sabem que o Rato Louco tem procurado pela Sansa Stark por um bom tempo, finalmente integrado nos serviços de Mindinho como cavaleiro andante ao lado de outros dois, e conhecendo Sansa depois que ela partiu do Ninho da Águia em seu capítulo final de AFFC. Como as conversas no pátio de treino revelam, Sor Shadrich agora sabe que a filha bastarda do Lorde Protetor é realmente a garota Stark desaparecida, e enquanto seu propósito anunciado fosse ganhar a recompensa pelo retorno dela para Porto Real, os leitores ainda estão incertos sobre suas verdadeiras motivações e o que ele irá decidir com essa descoberta. O favor de Sansa, operando neste viveiro fervente de tensões crescentes e subterfúgios, não é mais relevante como um mero gesto de cortesia, mas agora é uma potencial mudança de estratégia nos jogos por um jogador emergente.
Assim, qual cavaleiro seria a melhor decisão estratégica, tanto da perspectiva de Sansa (estando atenta ao crescimento de seu personagem) e de uma consideração mais ampla dos desenvolvimentos da trama envolvendo outros personagens e eventos? Essas questão nos leva seriamente a considerar Sor Byron o Bonito, o cavaleiro andante que nós vemos primeiramente como um do trio de homens que Mindinho contrata para seus serviços no fim de AFFC.
Para começar, uma pequena confissão é necessária: Esta teoria deve seu desenvolvimento à minha frustração em tentar descobrir a verdadeira identidade de Sor Byron, já que estou trabalhando a partir do pressuposto de que Sor Morgarth e Sor Shadrich estão operando sob falsos pretextos no que se refere às suas verdadeiras identidades / propósitos em vir para o Vale de Arryn. Já sabemos que Sor Shadrich está escondendo o fato de que estava procurando por Sansa, mas será que ele também poderia ser outra pessoa, ainda uma figura desconhecida que tem seus próprios motivos nessa busca? Uma teoria popular no fandom sugere que ele é Howland Reed, mas isso está fora do escopo de nossa investigação por enquanto. Com relação a Sor Morgarth, uma de nossas teorias “malucas” aqui em Pawn to Player alega que ele é realmente o Irmão Mais Velho da Ilha Quieta. Faz sentido narrativo, portanto, que Byron também não seja quem aparenta ser, e certamente não está lá para prestar serviço leal ao Senhor Protetor.
Um aspecto importante dessa teoria é que esses cavaleiros andantes parecem estar trabalhando juntos. Com a exceção do momento em que Sansa encontra Shadrich sozinho no pátio no capítulo liberado de TWOW, Martin reforça a imagem de três homens como uma unidade desde a primeira aparição deles no solar de Mindinho até a última aparição deles dançando com Alayne no banquete:
Exatamente como Petyr prometera, os jovens cavaleiros se amontoavam ao redor dela, disputando seu favor . Depois de Ben veio Andrew Tollett, o belo Sor Byron, Sor Morgarth do nariz vermelho, e Sor Shadrich, o Rato Louco. (TWOW, Alayne I)
Em particular, Martin parece querer que nos concentremos em suas aparências, quase como se houvesse pistas a serem discernidas dessas descrições. Isso ecoa nossa primeira introdução a eles em AFFC, quando os leitores deveriam reconhecer imediatamente o astuto Sor Shadrich:
Alayne o abraçou obedientemente e lhe deu um beijo na face.
– Lamento incomodar, pai. Ninguém me disse que tinha companhia.
– Você nunca incomoda, querida. Estava agora mesmo contando a esses bons cavaleiros como minha filha é atenciosa.
– Atenciosa e bela – disse um jovem e elegante cavaleiro, cuja espessa cabeleira loira caía em cascata até bem depois dos ombros.
– Sim – disse o segundo cavaleiro, um indivíduo entroncado com uma espessa barba salpicada de branco, nariz vermelho, proeminente e com veias rebentadas, e mãos nodosas, grandes como presuntos. – Não mencionou essa parte, senhor.
– Eu faria o mesmo se ela fosse minha filha – disse o último cavaleiro, um homem baixo e seco, com um sorriso sardônico, nariz pontiagudo e hirsutos cabelos cor de laranja. – Especialmente perto de homens grosseiros como nós.
Alayne riu.
– São grosseiros? – disse, brincando. – Ora, e eu que os tomei por galantes cavaleiros. (AFFC, Alayne II)
Deixando de lado seus atributos físicos por enquanto, devemos também prestar atenção em como suas respostas "coordenadas" e preparadas para a chegada de Alayne parecem ser. Não há hesitação ou demora. Um após o outro, cada um constrói a afirmação do outro, terminando com o comentário sugestivo de Shadrich sobre "grosseiros como nós". O que temos é uma impressão singular dos três cavaleiros, apesar de suas descrições variadas, levando a uma conclusão razoável de que eles decidiram combinar seus esforços e recursos para um objetivo comum. Se o objetivo é simplesmente sequestrar Sansa e devolvê-la ao cativeiro em KL como Shadrich fez Brienne acreditar, então a presença do Irmão Mais Velho como Morgarth certamente prejudicaria esse empreendimento. Além disso, embora Shadrich tenha se oferecido para dividir sua recompensa com Brienne, a exigência de dividi-la em três partes pareceria menos do que ideal, para não falar do risco de envolver tipos mercenários não confiáveis ​​que poderiam tentar roubar Sansa e ganhar o resgate total por si mesmos. Não somos informados dos detalhes de como exatamente eles foram contratados por LF em Vila Gaivota, mas que todos os três parecem confortáveis ​​na companhia um do outro é notável e sugere algum tipo de familiaridade ou conexão anterior.
Sor Byron, pela própria natureza de como Martin o descreve, é o mais fácil de ignorar, especialmente à luz das experiências de Sansa, que a ensinaram que exteriores dourados e belos muitas vezes podem ser enganosos, e que é muito melhor julgar alguém em seu caráter e ações. O fato da aparência de Byron lembrar um típico Lannister é provavelmente uma escolha autoral deliberada, destacando como Sansa não está mais cega ou mesmo atraída por esse ideal de beleza - que lhe causou considerável sofrimento e dor. Mas o que fazemos com Byron e por que ele está incluído neste grupo de potenciais ajudantes de Sansa se neste estágio de desenvolvimento dela ele parece ser evidentemente o cara errado? Ao tentar descobrir sua identidade, eu rapidamente percebi que poderia ser mais benéfico se concentrar no papel específico que ele poderia desempenhar na trama e é aí que a ideia de ele ser aquele a receber o favor de Alayne tomou forma.
A partir do momento em que conhece Alayne, Byron desempenha o papel do cavaleiro arrojado, elogiando sua aparência e beijando sua mão ao sair da sala. Ela o descreve como "elegante" e "jovem" e, mais tarde, no banquete, como "bonito". Não há sentido, no entanto, que o interesse de Alayne em Sor Byron vá além de sua apreciação do fato de que ele foi contratado para reforçar a guarda de LF nos Portões. Então, por que ela o escolheria para usar seu favor de todas as outras opções disponíveis? A razão mais óbvia é que ele é a escolha perfeita para atingir seu objetivo aparente de deixar Harry, o Herdeiro, com ciúmes, como LF a aconselha a fazer durante a conversa nas caves. Por conta própria, Sansa poderia dar seu favor a alguém como Sor Wallace, filho de Anya Waynwood, por quem ela claramente tem empatia e procura salvar do constrangimento quando ele dança com ela no banquete. Ou outra escolha poderia ter sido Sor Lyn Corbray, a quem ela aprecia como um lutador cruel e certamente deixará sua marca no torneio. Que Sor Lyn Corbray pode não ser mais leal a seu pai é algo que desperta a curiosidade de Alayne, um conhecimento potencial que ela poderia explorar no futuro. No entanto, Sor Wallace e Sor Lyn provavelmente não deixarão Harry com ciúmes, já que o primeiro é alguém com quem ele cresceu durante toda a vida, que é estranho e tímido, enquanto o último é conhecido por não se interessar pelos encantos das mulheres , e cuja seleção só pode servir para disparar os alarmes de LF. Byron, com sua notável boa aparência, porte elegante e modos corteses é o cavaleiro ideal para fazer Harry se sentir irritantemente inseguro. Depois de sua rápida conversa com Harry no banquete, Sansa soube ainda melhor do que antes que ele é um tipo superficial, que valoriza a aparência acima de tudo pela maneira como fala sobre seus amantes e, ao mesmo tempo, alguém que é bastante fácil de manipular. Sua primeira impressão de Harry é reveladora:
Sor Harrold Hardyng era um futuro senhor em cada centímetro; proporcional e bonito, aprumado como uma lança, duro de músculo. Homens com idade suficiente para terem conhecido Jon Arryn em sua juventude diziam que Sor Harrold tinha sua aparência, ela sabia. Ele tinha um tufo de cabelo loiro-areia, olhos azuis pálidos, nariz aquilino. Joffrey também era gracioso , ela lembrou a si mesma . Um monstro gracioso, é isso o que ele era. O pequeno Lorde Tyrion era mais gentil, mesmo retorcido. (TWOW, Alayne I)
Ainda não vimos nenhuma evidência de que Harry é um "monstro atraente"da mesma forma que Joffrey, mas a comparação é significativa. Isso ressalta o tema de aparência versus realidade que percorre o arco de Sansa e enfatiza a ironia de Byron ser o único a receber seu favor neste momento. Ao contrário da Sansa de antigamente, que se derreteu pelo Cavaleiro das Flores durante o Torneio da Mão, esta Sansa poderia escolher um cavaleiro valente para um propósito totalmente diferente, usando seu favor não como uma declaração decorativa de afeto, mas como uma isca deliberada. Isso se alinha perfeitamente com o papel secreto em que Sor Byron já poderia estar envolvido, e torna não apenas Harry, mas também Petyr Baelish, como as figuras enganadas. A escolha de Sor Byron uniria a relevância desses misteriosos cavaleiros errantes e apresentaria uma oportunidade para Sansa descobrir seu verdadeiro propósito. Até agora, os três parecem estar se mantendo discretos, mas os comentários de Sor Shadrich a Sansa no pátio sugerem que ele está planejando agir em breve. A escolha de Sor Byron, apesar de Sansa não ter conhecimento do que eles planejam ainda, pode ser vista como uma bênção simbólica de sua missão clandestina. Também expande o espectro da influência que ela tem exercido desde o planejamento até a execução do torneio dos cavaleiros alados.
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2020.09.14 02:44 Hands_of_Axe Primogênito do Sol

Capítulo 1 ( Introdução )
“Honra a teu pai e a tua mãe, para que se prolonguem os teus dias na terra que o Senhor teu Deus te dá.” - Êxodo 20:12
Com o adoçado cantarolar das aves ao amanhecer, o dia ganhava vigor. O despertar daquele que se esvai, como um garoto medroso, na calada da noite, o Sol, marca o início do novo dia.
Um menino acorda com a claridade forte do Sol esquentando o seu rosto. Seu nome é Lisso, um jovem comum de cabelo negro e liso o qual chegava a tocar os ombros. Tem uma estatura na média, é magro e fraco, nunca se destacou em nenhum esporte em particular, mas sempre quis participar de todos, mesmo não tendo qualidade nenhuma. Está no primeiro ano do ensino médio, com 15 anos.
O jovem levanta ansioso, amarra seus longos fios de cabelo com um elástico negro. Veste seu uniforme escolar e desce as escadas correndo, quase tropeçando e caindo com o rosto no chão. Ao chegar no primeiro andar, uma jovem de cabelos negros olha para o garoto com um sorriso no rosto. Ela era bonita e tinha um semblante calmo e suave. A cor de seus cabelos, que chegavam até suas coxas, era negra e brilhante, como uma pedra preciosa de uma princesa. A mulher aparentava ter vinte anos, ela era a mãe do jovem Lisso. O garoto corria até a mesa esperando um prato delicioso feito por sua mãe. O cheiro de pão quente deixava o garoto cada vez mais ansioso para comer, até começou a babar de tanta fome.
Sua mãe fala em uma voz doce e gentil, que faria aflorar em no garoto um sentimento de segurança e afeto, como se aquela voz fosse a de um anjo.
- Terminei, está pronto para comer meu filho? - Ela fala de costa para o garoto, pega o prato e caminha até ele, um som de gota tocando o chão é ouvido.
- Claro, mãe! Estou morrendo de fome... - a barriga do menino ronca
Em passos lentos, a mãe chega até a mesa e o cheiro do pão enlouquece o menino. Porém, ao colocar o prato na frente do garoto, o mesmo arregala os olhos. Apavoro e desespero ficam visíveis em seu rosto, o garoto fica paralisado por alguns segundos olhando para aquilo que deveria ser sua refeição matinal.
- Ma...mamãe? - Lisso fala gemendo em um tom baixo, e um som de gota tocando no chão é ouvido novamente - O que é isso....?
- Seu lanche meu amor – a voz doce de sua mãe responde ao apavoro do garoto com tranquilidade.
- Mas... - ele engole em seco – isso é uma mão humana? E está sangrando? Mãe... - Os olhos arregalados e brilhantes, os quais refletiam aquela mão humana, se viravam juntamente com a cabeça do garoto, em busca de olhar para sua mãe. Então, paralisa de vez. Não consegue mexer sequer um músculo, seu cérebro para de pensar, seu corpo fica mole e pálido, o que o garoto estava vendo amedrontava-o no fundo de sua alma. Uma gota cai no chão, outra em seguida, depois outra. Uma poça escarlate se forma no chão, perto da mãe de Lisso. A origem das gotas era do próprio braço da mulher, a qual sorria com um liquido vermelho escorrendo de sua boca que logo começará a pingar no chão em sintonia com as gotas de seu braço.
- O que foi filho? Pode comer, a mamãe fez com muito amor. - ela começa a se aproximar e toca no rosto de Lisso – Afinal você quem fez isso com a mamãe, neh? - Lagrimas começam a escorrer do rosto da mulher, enquanto o garoto ainda está inerte com a situação, ele tremia e seus olhos ainda estavam arregalados, quase pulando para fora do seu rosto, porém o brilho deles havia sumido por completo – Por que você me matou, Lisso? Eu não fui boa o suficiente?
O cérebro do menino começa a funcionar de novo, porém ele só tem uma reação, gritar. Lisso grita muito, sem parar, até que ele acorda dentro de uma pequena tenda branca e apertada. De seus olhos lagrimas surgem sem parar, ele fica imóvel olhando para frente enquanto coça a sua própria mão, e fala baixo:
- Não.... eu não o fiz .... mamãe...
Uma jovem loira com voz aguda coloca o rosto dentro da tenda pela entrada. Ela vê a situação e fala.
- Ei ei ei, bebe chorão. Estamos quase chegando, não vai desistir agora. - Ela fala em um tom provocativo – Tomei um susto com essa gritaria, não faz mais isso, tá bom?
- Desculpe – Lisso fala em tom baixo – Foi só um pesadelo.
- Que bom, estamos chegando no lugar da prova, fique pronto. Logo o sol irá despertar e continuaremos.
O garoto respira fundo e dá alguns tapinhas no seu rosto para retomar a coincidência. Ele empurra a cabeça da menina para fora da tenda e sai junto a ela. Se levantando olhando para os raios do sol que começam a surgir no horizonte.
- Você está certa, o despertar do sol está próximo.
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2020.08.18 20:40 whoareyougirl Auxílio emergencial: eu estava na pindaíba, solicitei, fui aprovado, recebi algumas parcelas, minhas condições melhoraram um pouco, não quero mais receber. O que faço?

Oi, pessoal. Sei que o auxílio emergencial é um assunto meio tenebroso, ninguém está sabendo direito como funciona. Vou tentar dar o máximo possível de detalhes aqui sem me expor, porque acho muito provável que alguém esteja passando pela mesma situação do que eu.
Vamos lá. Eu curso uma graduação numa Universidade Federal. Moro meio que "de favor" (pago um aluguel bem abaixo do mercado), num apartamento que divido com uma parente, e basicamente me sustento com uma bolsa de R$:400,00, mais alguma ajuda (mínima) do meu pai, para ônibus, R.U., etc. Meus pais se divorciaram quando eu era mais jovem, e minha mãe já é falecida. Por causa desses dois fatos, eu tenho uma previdência modesta num banco privado (o Seguro de vida da minha mãe, que reservo para aluguel e contas fixas), e tinha parte de um imóvel em meu nome. Já estou acostumado, por causa disso, a não contar com nenhum benefício estudantil para o qual eu tenha que enviar extratos bancários ou certidões negativas de posse de imóveis.
Quando saiu o auxílio emergencial, eu estava com algumas dívidas, e, além disso, tive que voltar para o interior de meu estado (já que, com a universidade parada, eu não tinha motivos para ficar lá). Estou morando temporariamente com a minha companheira, cujo salário também acabou diminuindo na medida em que as contas aumentaram (já que a quantidade de comida, o número de banhos, etc, aumentou comigo aqui, além de que agora estamos os dois trabalhando em casa - o que gasta mais energia também). Tinhamos também o risco de minha bolsa ser cortada (não sabíamos o que aconteceria).
Bem, eu fui me informar sobre e solicitei o auxílio emergencial, justamente porque ele não leva patrimônio em consideração. Nesse meio tempo, apertando um pouco o cinto e com a ajuda do meu pai, consegui quitar minhas dívidas, e estou numa situação financeira um pouco melhor agora. Ou, pelo menos, boa o suficiente para conseguir passar o mês com o que recebo. Portanto, não preciso mais do Auxílio Emergencial. E é aqui (depois dessa longuíssima introdução) que a coisa começa a complicar.
Eu não entendi qual é o procedimento a seguir. Não tenho como devolver as parcelas que recebi (até porque o dinheiro já foi gasto), só quero parar de receber. Achei apenas um site que fala sobre o assunto do cancelamento, e que diz que o governo recolhe todo o dinheiro que não é utilizado depois de 90 dias. Isso procede? E depois desse prazo, aquela conta que eu tive que criar para sacar o dinheiro vai ser cancelada automaticamente? Seu deixar o dinheiro "expirar" na conta, meu nome continua aparecendo na lista de beneficiários do governo, mesmo que eu não esteja mais usando o dinheiro?
Eu acho que não tenho ninguém que me odeie o suficiente a ponto de procurar meu nome lá e usar isso contra mim. Nem sei como algo nesse sentido poderia ser feito, mas depois de ver a apontação de dedos que aconteceu no início dessa história toda na cidade onde minha família mora, fiquei com medo que algo repercuta neles. Ou posso estar exagerando, não sei. Como se a vergonha de ter precisado do benefício já não fosse suficiente. Mas já estou divagando.
Alguém pode me dar uma luz?
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2020.08.15 19:01 HoBaLoy Descendo para a Toca do Coelho: Um Guia Refinado para as Teorias, Análises, etc de ASOIAF para se Perder Durante a Quarentena

Traduzido diretamente do Guia elaborado por u/BryndenBFish
Aviso: contém trocadilhos e piadas que são mais engraçadas para americanos.
Aviso 2: Contém pequenas modificações para a tradução ficar condizente.
Aviso 3: Contém MASSIVA quantidade de SPOILERS. E, sendo uma tradução, a imensa maioria está em inglês com poucas exceções que já tivemos aqui no Valiria
Descendo para a Toca do Coelho: Um Guia Refinado para as Teorias, Análises, etc de ASOIAF para se Perder Durante a Quarentena
Introdução
Então, você está sentado em casa assistindo novamente The Office pela nona vez na Netflix, tentando se convencer de que foi a maior comédia de todos os tempos (não era). Entre mordidas em Cheetos rançosos de duas semanas, você abre seu celular flip da Motorola, toca no botão do navegador, aguarda 3 minutos para que o aplicativo seja iniciado, digita "Teorias das Crônicas de Gelo e Fogo" no buscador e espera outros 6 minutos para a página carregar e violá, você está dentro.
Mas espere! Há muitas para escolher? Quais são boas?
E é aí que eu entro. Estou aqui para ajudá-lo a se perder.
Embora eu seja um co-apresentador de um podcast e tenha participado de vídeos do YouTube de vez em quando, estou fazendo deste um post somente escrito. (Sinta-se à vontade para postar no youtube ou podcast ou sei lá o quê!) Portanto, nesta lista cultivada de teorias de análises ESCRITAS, APENAS PARA LIVROS, etc, listarei textos que me deliciei ao longo dos anos e espero mantê-los entretidos durante nossos problemas atuais.
ANÁLISE
Meta: Como GRRM escreve ASOIAF
Uma Crônica de Fatos e Números: análise detalhada de / u / werthead de como cada livro no ASOIAF foi escrito com informações básicas do processo de escrita, contagem de palavras, etc:
AGOT a-song-of-facts-and-figures-game-of.html
ACOK a-song-of-facts-and-figures-clash-of.html
ASOS a-song-of-facts-and-figures-storm-of.html
AFFC a-song-of-facts-and-figures-feast-for.html
ADWD a-song-of-facts-and-figures-dance-with.html
Não quero promover meu próprio trabalho, mas escrevi bastante sobre metatópicos que podem ser do interesse de alguns de vocês. Vou criar um link para alguns deles abaixo:
Como o sucesso de GAME OF THRONES provavelmente contribuiu para a espera de OS VENTOS DE INVERNO spoilers_extended_meta_how_the_success_of_game_of/
Como uma virada sombria no POV favorito de GRRM contribuiu para a longa espera por ADWDspoilers_extended_meta_how_a_dark_turn_in_grrms/
A história que GRRM originalmente queria contar: examinando os presságios do GRRM no contexto da lacuna de cinco anosspoilers_extended_the_story_grrm_originally/
Uma teoria sobre por que GRRM pensou que poderia terminar TWOW em 2015spoilers_extended_meta_a_theory_on_why_grrm/
Uma análise e exploração do nó meereenêsspoilers_all_an_analysis_exploration_of_grrms/
Como uma profecia em ADWD foi alterada por GRRM antes do lançamento, e o que isso poderia significar para a análise de TWOW: / u / indianthane95 de como uma leitura GRRM de ADWD, Daenerys III em 2005 foi editada antes do livro ser publicado e por quê.spoilers_all_how_a_prophecy_in_adwd_was_changed/
A carta de 1993 nos mostra GRRM foreshadowing que ele mais tarde abandonou: / u / feldman10 a análise da carta de apresentação de 1993 e como GRRM mudou seus principais foreshadowings quando publicou AGOT três anos depoisspoilers_all_the_1993_letter_shows_us_some_grrm/
Na luz do sol, sem culpagrrms-thinly-veiled-gone-with-the-wind-obsession
A linha descartável em AGOT que sugere o ultimato: / u / zionius_ teoria que Daniel Abraham foi instruído por GRRM a manter nos quadrinhos, pois tem ramificações do "final”.spoilers_extended_the_throwaway_line_in_agot_that/
The ASOIAF Archives Series: / u / jen_snow análises magistrais de todas as maneiras como os capítulos base foram alterados antes de sua publicação.spoilers_extended_asoiaf_archives_september_2000/
Como GRRM reescreve ASOIAF: visão detalhada de / u / zionius_ sobre as reescritas de ASOIAF por GRRM com foco especial em AFFC / ADWD.how_grrm_rewrites_comparing_affc_draft_chapters/
Análises Narrativas
Um guia completo para a sucessão Westerosi por / u / galanix: um dos recursos mais úteis para tentar determinar quem é o próximo a realeza / senhorio / o que quer que seja.spoilers_all_complete_guide_to_westerosi/
O Meereenese Blot forneceu as melhores defesas da escrita de GRRM dos arcos de personagens de Dany, Jon, Tyrion e enredos Dorneses em AFFC / ADWD. Escrito entre 2013 e 2014 por / u / feldman 10, estou incluindo-os nesta seção como o foco no valor narrativo desses personagens POV
Desembaraçando o nó meereenês: Dany
Parte 1: Quem envenenou os gafanhotos?untangling-the-meereenese-knot-part-i-who-poisoned-the-locusts/
Parte 2: A paz era realuntangling-the-meereenese-knot-part-ii-the-peace-was-real/
Parte 3: A luta de Dany consigo mesmauntangling-the-meereenese-knot-part-iii-danys-struggle-with-herself/
Parte 4: Uma Daenerys Sombriauntangling-the-meereenese-knot-part-iv-a-darker-daenerys/
Parte 5: Hizdahr e Paz ou Daario e Guerrauntangling-the-meereenese-knot-part-v-hizdahr-and-peace-or-daario-and-wa
Outras Guerras: Jon
Parte 1: O Coração Nobre e o Maior Dever de Jonother-wars-part-i-jons-noble-heart-and-greater-duty/
Parte 2: Apoio de Jon a Stannisother-wars-part-ii-jons-support-for-stannis/
Parte 3: A Missão de Manceother-wars-part-iii-the-mance-mission/
Parte 4: Pessoas Querendo Ajuda: Alys Karstark e a Missão Hardhomeothers-wars-part-iv-people-wanting-help/
Parte 5: A Paz, a Carta Rosa e o Discurso do Salão dos Escudosother-wars-part-v-the-peace-the-pink-letter-and-the-shieldhall-speech/
Parte 6: Três perguntas sobre o futuro de Jonother-wars-part-vi-three-questions-about-jons-future/
Pagando Suas Dívidas: Tyrion
Parte 1: Tyrion em Porto Realpaying-his-debts-part-i-tyrion-in-kings-landing/
Parte 2: Sofrimentos, Prostitutas e um Jogo de Cyvassepaying-his-debts-part-ii-sorrows-whores-and-a-game-of-cyvasse/
Parte 3: Tyrion e Pennypaying-his-debts-part-iii-tyrion-and-penny/
Jardins de Água e laranjas sanguíneas: Dorne
Parte 1: A Víbora e a Gramawater-gardens-and-blood-oranges-part-i-the-viper-and-the-grass/
Parte 2: Ambições de Ariannewater-gardens-and-blood-oranges-part-ii-ariannes-ambitions/
Parte 3: Dever e Destino de Quentynwater-gardens-and-blood-oranges-part-iii-quentyns-duty-and-destiny/
Parte 4: Termina em Sanguewater-gardens-and-blood-oranges-part-iv-it-ends-in-blood/
A última tentação de Jon Snow: nesta série de duas partes, / u / MaesterMerry analisa o mandato de Jon Snow como Senhor Comandante da Patrulha da Noite, prestando atenção especial à narrativa e às lutas filosóficas do mundo real que GRRM escreve na história de Jon em ADWD
Parte 1: Matando o Meninohttps://upfromunderwinterfell.wordpress.com/2019/06/15/the-last-temptation-of-lord-commander-snow-part-1-killing-the-boy/
Parte 2: A escolhahttps://upfromunderwinterfell.wordpress.com/2020/02/05/the-last-temptation-of-lord-commander-snow-part-2-the-choosing/
Sansa, Jeyne, Theon: Saber seu nome: A especulação de/ u / Zombie-Bait sobre a repetição de temáticas em TWOW e como Sansa irá emular Cat em TWOW para os Senhores do Vale.https://liesandarbor.wordpress.com/2018/12/04/sansa-jeyne-and-theon-you-have-to-know-your-name/
Momentos de Arranhão de Disco: GRRM e Misdirection: Como GRRM confunde seus leitores com misdirection com uma súbita sacudida na narrativaspoilers_extended_record_scratch_moments_grrm_and/
Clube das Donzelas Mortas: Uma análise crítica de como GRRM usa as mortes de mulheres e mães, em particular na ASOIAFhttps://joannalannister.tumblr.com/post/162408885186/the-dead-ladies-club
Milhões de pêssegos, pêssegos para mim: análise de / u / fat_walda de como os alimentos são usados ​​na ASOIAF para iluminar temas e a divisão socialspoilers_all_millions_of_peaches_peaches_for_me/
Memórias de Limão, ou Lemories, ou Como eu Aprendi a parar de ingerir papel laminado e compreender ASOIAF: reflexão de / u / jonestony710 sobre como ele começou a pensar “através do papel alumínio” no que se refere à Casa com a Porta Vermelhaspoilers_extended_lemon_memories_or_lemories_o
São lobos que pretendo caçar: Matt do podcast Davos Fingers rastreia todas as conspirações Frey / Bolton / Lannister para chegar ao Casamento Vermelhohttps://davosfingers.tumblr.com/post/146273054899/it-is-wolves-i-mean-to-hunt-the-motivations-of
Análises Políticas / Legais
Coroas ocas e espinhos mortais - Parte IV: Renly e Stannis: Esta série inteira de Steven Attewell foi excelente, mas este ensaio é o “crème de la crème”. Nele, Attewell analisa as concepções e visões de Renly & Stannis sobre a realeza.https://towerofthehand.com/blog/2013/06/17-hollow-crowns-deadly-thrones/index.html
Mãos do Rei: / u / vikingkingq dá uma olhada nas mãos de várias Mãos do Rei na ASOIAF:
Os primeiros Mãoshttps://towerofthehand.com/blog/2012/04/17-hand-of-king-early-hands/index.html
Mãos em crise (Bloodraven e Baelor Quebra-Lanças)https://towerofthehand.com/blog/2012/04/24-hands-of-king-hand-in-crisis/index.html
Tywin, o Grande?https://towerofthehand.com/blog/2012/05/22-hands-of-king-tywin-great/index.html
Os homens honestos (Jon Arryn e Ned Stark)https://towerofthehand.com/blog/2012/10/23-hands-of-king-two-honest-men/index.html
Tyrion Lannisterhttps://towerofthehand.com/blog/2012/12/12-hands-of-king-tyrion/index.html
Em uma série de ensaios que examinam as leis e costumes de Westeros, / u / LawsOfIceAndFire desconstrói a estrutura legal do reino
Governe o reino (meninas): Uma Análise do Grande Conselho de 101https://lawsoficeandfire.wordpress.com/2019/04/10/rule-the-realm-girls/
O fim de Game of Thrones e o enigma da sombra de Varys: O enigma de Varys no contexto da série e dos livroshttps://lawsoficeandfire.wordpress.com/2019/05/09/power-resides-where-men-believe-it-resides-but-which-men/
O grande não varrida de Tyrion Lannister com a Justiça Criminal de Westerosihttps://lawsoficeandfire.wordpress.com/2019/07/12/tyrion-lannisters-not-great-interactions-with-westerosi-criminal-justice/
Oferta, aceitação, pão e sal: uma análise jurídica do contrato de direito de hóspede: Direito de Hóspede, como funciona, costumes, o que acontece quando foi violadohttps://lawsoficeandfire.wordpress.com/2019/09/16/bread-and-salt-offer-and-acceptance-a-legal-analysis-of-the-guest-right-contract/
Por que não deveríamos nos governar novamente? - Westeros e o contrato socialhttps://lawsoficeandfire.wordpress.com/2020/01/29/why-shouldnt-we-rule-ourselves-again-westeros-and-the-social-contract/
O gênio financeiro de Mindinho, de / u / Militant_Penguin, sobre como Mindinho está negando suas perdas financeiras no Vale em AFFC.spoilers_affc_the_financial_genius_of_littlefinge
Análise Geográfica / Regional / Casas / Diversos
Uma ordem dos sussurros, uma cidade dos segredos: Uma Análise de Braavos, o Banco de Ferro e os Homens Sem Rostohttps://upfromunderwinterfell.wordpress.com/2018/03/16/an-order-of-whispers-a-city-of-secrets/
O lado escuro dos Portões da Lua: / u / Zombie-Bait examina o Vale na História e em TWOWhttps://liesandarbor.wordpress.com/2018/12/04/the-dark-side-of-the-moon-doo
Fosso Cailin, Fosso de Problemas: análise de / u / bookshelfstud de Fosso Cailin como um cenário em ASOIAF e o que está reservado para TWOWspoilers_extended_moat_cailin_moat_problems_a/
A ascensão e queda da casa Velaryon: / u / bookshelfstud's análise de como uma das casas históricas mais poderosas de Westeros perdeu seu poder na época do AGOThttps://offmichaelsbookshelf.wordpress.com/2015/06/23/high-tide-the-rise-and-fall-of-house-velaryon/
Como o Cão foi armado: uma reflexão sobre a arte e a armadura da Idade Média: análise de / u / fat_walda sobre a armadura de Sandor Clegane e como ela se compara à armadura medieval realspoilers_main_how_the_hound_was_helmed_an/
Escamagris em ASOIAFhttps://justadram.tumblr.com/post/57454498995/meta-monday-greyscale
Água, água, em todos os lugares: análise de / u / mightyisobel da água e como GRRM escreve belas cenas de água em toda ASOIAF (mas especialmente em AFFC) e o que isso significaspoilers_affc_water_water_everywhere/
Os mapas de ASOIAF: / u / werthead's um olhar para a geografia de Planetos com extensa análise de como a geografia do mundo foi criadahttps://atlasoficeandfireblog.wordpress.com/page/16/
Filhos Targaryen + não Targaryen sempre favorecem o pai não Targ: Uma teoria que pode ter influenciado GRRM a mudar a cor do cabelo da Princesa Rhaenys.targaryen-non-targaryen-children-always-favor-the-non-targ-parent/
Análise de Personagem
Meu co-apresentador de podcast e amigo / u / poorquentyn fez algumas das melhores análises de personagens POV em ADWD. Vou criar um link para todos eles aqui:
Tyrion em ADWDhttps://poorquentyn.tumblr.com/tagged/tyrion-in-adwd/chrono
Davos em ADWDhttps://poorquentyn.tumblr.com/tagged/davos-in-adwd/chrono
Quentyn em ADWDquentyn-in-adwd/chrono
De Peão a Jogador: Repensando Sansa: Leitura incrivelmente detalhada do enredo de Sansa com toneladas e toneladas de análises - tanto literárias quanto in-story.from-pawn-to-player-rethinking-sansa-xxi/
Tantos votos: juramentos em conflito: / u / somethinglikealawyer excelente análise e ensaio sobre a Torre da Mão e sobre como GRRM usa juramentos como um veículo para conflito pessoal e nacional em ASOIAFso-many-vows-oaths-in-conflict/index.html
Filha da Morte: As Crônicas de Gelo e Fogo, o Herói Trágico Shakespeariano Análise de / u / glass_table_girl sobre os temas de Shakespeare da história de Daenerys Targaryen e por que isso significará sua morte nos livrosdaughter-of-death-a-song-of-ice-and-fires-shakespearean-tragic-hero/
Vocês não são as pedras, mas os homens: Ned Stark e Brutus: O olhar de ShakesOfThrones sobre as comparações entre Gaius Brutus e Ned Starkyou-are-not-stones-but-men-ned-and-brutus/
Stannis Baratheon: MacBeth Revisited: Análise de ShakesOfThrones de Stannis Baratheon, comparando-o à figura shakespeariana de MacBethstannis-baratheon-macbeth-revisited/
Herói com Mil Faces: Os Mentores de Jon Snow, Parte 1: O Lobo Quieto: / u / housemollohan dá início a uma série sobre os mentores de Jon com uma análise do relacionamento de Jon com seu pai Ned Stark.spoilers_extended_the_hero_with_a_thousand/?utm_source=share&utm_medium=ios_app&utm_name=iossmf
Ben Mulato Plumm: mau jogador de Cyvasse, pior poker face: / u / SerDonalPeaseburyspoilers_extended_brown_ben_plumm_bad_cyvasse/
Uma estrela cadente em Westeros por / u / Zombie-Bait: Analisa Ashara na história: quem era ela, o que ela queria, ela está viva?a-falling-star-in-westeros-pti-analyzing-ashara-dayne/
Sansa e a boa rainha Alysanne: / u / Zombie-Bait compara a Eleanor de Aquitânia "Histórica" ​​e "Moderna" em ASOIAF.sansa-and-good-queen-alysanne/
Misericórdia, misericórdia, misericórdia: explorando os enredos de Arya, Sansa e Sandor: / u / Zombie-Bait explora os temas de personagens paralelos e dispositivos de narração de histórias que GRRM usa para Arya, Sansa e Sandor.mercy-mercy-mercy-sansa-sandor-and-arya/
Senhora Catelyn: o vazio da Coração de Pedra: / u / Zombie-Bait dá uma olhada detalhada em quem Catelyn Stark é antes e depois de se tornar Senhora Coração de Pedralady-catelyn-the-stone-hearted-emptiness/
O valor da prata: rainhas e moedas - ou "Como a história de Daenerys se parece com a origem de seu nome": análise de / u / glass_table_girl do nome de Dany e uma moeda romana para a qual GRRM pode ter chamado a atençãospoilers_all_the_value_of_silver_queens_and_coins/
A conexão de Papel Alumínio: Por que não devemos confiar em Marwyn: análise crítica de / u / bookshelfstud sobre Marwyn, o Mago, e como ele pode ser um loucothe-tinfoil-link-dont-trust-marwyn/
Perseguindo o Dragão, Parte 1: Analisando um Alquimista: / u / 4187021 a análise abrangente do que o alquimista está fazendo em Vilavelha.chasing-the-dragon-part-1-analyzing-an-alchemist/
Análise Militar
Estratégias de guerra em Westeros por Ken Mondschein: Uma análise aprofundada das Táticas de Guerra Westerosi e como ela se compara à história militar medieval na Europa Ocidental.strategies-of-war-in-westeros/
Muitos anos atrás, escrevi vários ensaios sobre os vários comandantes da ASOIAF. Você pode encontrá-los abaixo:
Robb Starka-complete-analysis-of-robb-stark-as-a-military-commande
Stannis Baratheona-complete-analysis-of-stannis-baratheon-as-a-military-commande
Jaime Lannisterthe-evolution-of-jaime-lannister-as-a-military-commande
Daenerys Targaryena-complete-analysis-of-the-slavers-bay-campaign/
Tywin Lannister:
Parte 1: a lealdade não é opcional até que sejawins-and-losses-a-command-analysis-of-tywin-lannister-part-1-loyalty-isnt-optional-until-it-is/
Parte 2: O Senhor Orgulhosowins-and-losses-a-command-analysis-of-tywin-lannister-part-2-the-proud-lord/
Parte 3: Os frutos da derrotawins-and-losses-a-command-analysis-of-tywin-lannister-part-3-the-fruits-of-defeat/
Parte 4: Penas e Corvoswins-and-losses-a-command-analysis-of-tywin-lannister-part-4-quills-and-ravens/
Parte 5: Alimentando Corvoswins-and-losses-a-command-analysis-of-tywin-lannister-conclusion-feeding-crows/
A Guerra dos Cinco Reis: Análise militar de Stefan Sasse da Guerra dos Cinco Reisfivekings/index.html
TEORIAS
Teorias Gerais
Teoria Blackfyre - Teoria que Aegon VI Targaryen não é filho de Rhaegar Targaryen, mas é na verdade um pretendente Blackfyre.teoria_blackfyre/
O Rei Afogado e o Corvo Sem Rosto: Uma análise bastante convincente sobre a culpabilidade de Euron Greyjoy na morte de Balon Greyjoy.the-drowned-king-and-the-faceless-crow-complete-analysis/
A Grande Conspiração Nortenha - Teoria de que os nortenhos estão jogando Roose e Stannis um contra o outro para colocar Rickon Stark ou Jon Snow como o novo Rei do Norte.a_grande_conspira%C3%A7%C3%A3o_nortenha_parte_7/
Sandor Clegane é o Coveiro - Teoria de que Sandor Clegane não morreu e é o coveiro que Brienne encontrou na Ilha Quieta em AFFC.GravediggeTheories
Lyanna Stark é o Cavaleiro da Árvore que Ri - Teoria de que o CDAQR é Lyanna Stark que defendeu a honra de Howland Reed contra os Freys e combateu no torneiro contra os Freys.Knight_of_the_Laughing_Tree/Theories
R + L = J - O melhor artigo sobre a teoria de que Rhaegar Targaryen foi para a cama com Lyanna Stark e o fruto de sua união foi Jon Snow.https://www.reddit.com/Valiria/comments/ea8tcv/rlj/
Uma morte fria na neve: a teoria de / u / JoeMagician de que Waymar Royce foi identificado como um Stark por Craster. Os Outros aceitaram essa informação e colocaram Waymar em algum tipo de teste ritualizado de suas habilidades de esgrima e que tipo de espada ele possuía.spoilers_extended_the_killing_of_a_range
O Apocalipse Eldritch: / u / poorquentyneldritch-apocalypse/
Mil olhos e uma névoa cinzenta: teoria de que sempre que uma névoa cinza aparece nos livros, isso significa que Bloodraven e/ou Bran estão observandoa-thousand-eyes-and-one-grey-mist/
Irmã Sombria: A conexão de Meera e Arya está por vir, e como ambas irão empunhar a Irmã Sombria.https://liesandarbor.wordpress.com/2018/12/04/the-dark-sister-on-meera-and-arya/
A Pedra de Georgetta: Decifrando uma Mensagem Final A teoria do almirantekird sobre como as últimas palavras de Robert para Ned podem ser comparadas às últimas palavras de Lyanna para Ned.spoilers_all_the_georgetta_stone_deciphering_a/?utm_source=share&utm_medium=ios_app&utm_name=iossmf
Quem era o patrono de Mandon Moore: uma análise de / u / galanix em que teoriza que Mandon Moore foi apoiado por Mindinho, que disse a ele para matar Tyrion na Água Negraquem_mandou_mandon_moore_matar_tyrion/
Stannis enviou uma carta: / u / a4187021 teoria de que Stannis usa o corvo do Meistre Tybald para enviar informações falsas a Winterfell, dizendo-lhes que ele está mortospoilers_all_stannis_sent_a_lette
Teorias históricas
Ambições Sulistas - Teoria de Stefan Sasse de que os Starks, Arryns e Tullys estavam se unindo através do casamento para se opor e possivelmente depor Aerys II Targaryen. (Esta é a minha teoria ASOIAF favorita de todos os tempos)ambi%C3%A7%C3%B5es_sulistas/
A Conspiração de Harrenhall / u / KingLittlefinger: A teoria de que Rhaegar estava planejando convocar um Grande Conselho contra seu pai Aerys II no Torneio de Harrenhall em 281 AC, mas tudo deu errado
Parte 1: As Três Facçõesspoilers_everything_the_harrenhal_conspiracy_part/
Parte 2: um banquete, uma justa e uma coroathe_harrenhal_conspiracy_part_ii_a_feast_a_joust/
Parte 3: Um Rato na Masmorraspoilers_everything_the_harrenhal_conspiracy_part/
Parte 4: O Dragão e a Bruxaspoilers_everything_the_harrenhal_conspiracy_part/
S + B = M: Mel – A Estrelha Vermelha Sangrando / Melony Seastar (revisado): teoria de que Melisandre é filha de Bloodraven e Shiera Seastarspoilers_all_sbm_mel_the_red_star_bleeding_melony/
Resgate na Encruzilhada: / u / lady_gwynhyvfar a teoria de que Rhaegar Targaryen resgatou Lyanna Stark na Estalagem da Encruzilhada para evitar sua captura e assassinato por Aerys II Targaryenrescue-at-the-crossroads/
Sexto Campeão de Rhaegar: / u / jen_snow especula sobre quem foi a sexta pessoa envolvida no "sequestro" de Lyanna Stark por Rhaegar Targaryenspoilers_everything_rhaegars_six_companions/
Teorias TWOW
A Lamparina da Noite: uma teoria alternativa sobre como Stannis vai destruir os Freys em TWOW - / u / cantuse postula que Stannis usará um farol falso para atrair os Frey para a morte na Vila dos Arrendatários.lamparina_da_noite/
A Tragédia dos Três Cavaleiros: a teoria de / u / M_J_Crakehall de que Jaime exigirá um julgamento por combate e, quando o fizer, Senhora Coração de Pedra nomeará Brienne de Tarth, mas Hyle Hunt assume seu lugar como campeã por despeito pelo relacionamento de Jaime e Brienne.spoilers_extended_a_tragedy_of_three_knights/
A Dragon Dawn: Em 2014, escrevi uma série de várias partes prevendo como a Batalha de Fogo seria em TWOW. Algumas das informações estão um pouco desatualizadas (Afinal, Euron não está seguindo Victarion para Meereen), mas vou criar um link para a série abaixo
Parte 1: A tempestade se aproximaa-dragon-dawn-a-complete-analysis-of-the-upcoming-battle-of-fire-part-1-the-gathering-storm/
Parte 2: Cidade na Bordaa-dragon-dawn-a-complete-analysis-of-the-upcoming-battle-of-fire-part-2-city-on-the-brink/
Parte 3: Os Portões do Destinoa-dragon-dawn-a-complete-analysis-of-the-upcoming-battle-of-fire-part-3-the-gates-of-fate/
Parte 4: A Canção do Doce Açoa-dragon-dawn-a-complete-analysis-of-the-upcoming-battle-of-fire-part-4-a-sweet-steel-song/
Parte 5: A Pirâmide Ardentea-dragon-dawn-a-complete-analysis-of-the-upcoming-battle-of-fire-part-5-the-burning-pyramid/
Parte 6: Fogo e Sanguea-dragon-dawn-a-complete-analysis-of-the-upcoming-battle-of-fire-conclusion-fire-and-blood/
O mercenário mais ousado de todos: / u / lady_gwynhyfvar a análise detalhada de Bem Mulato Plumm e a teoria de que Ben Mulato tentará roubar um dragão e se juntar ao Jovem Griffbrown-ben-plumm-the-boldest-sellsword-of-them-all/
Conectando os pontos na Senhora Dustin: teorias de / u / ser_dunk_the_lunk sobre o que a Senhora Dustin está tramando em Winterfell e como ela está trabalhando com Mance Rayderspoilers_all_connecting_the_dots_on_lady_dustin/
Ondulações na paisagem dos sonhos: GRRM mostra sua mão: teoria de / u / bookshelfstud de que Euron está planejando cometer um sacrifício de sangue na batalha contra a Frota Redwyne para levantar krakens spoilers_twow_ripples_in_the_dreamscape_grrm/
O Rei Ferido em Winterfell: / u / Teoria de Bookshelfstud de que Stannis Baratheon será ferido em uma de suas próximas batalhas e se tornará o rei pescador em Winterfellspoilers_extended_the_wounded_king_of_winterfell/
O Retorno do Lobo Branco: A análise intensiva de / u / bookshelfstud de como o personagem de Jon Snow retornará como em TWOW pós-morte.return-of-the-white-wolf-jon-is-coming-back/
Vou Encontrar Outro e o Casamento Vermelho 2.0: / u / indianthane95 nos mostra como Coração de Pedra está planejando um segundo Casamento Vermelho contra os Freys e Lannistersspoilers_all_ill_find_another_and_the_rw_20/
Teoria do Prólogo de TWOW: O Homem Silencioso: teoria de / u / feldman10 de que Ser Ilyn Payne será o ponto de vista do Prólogo para TWOWspoilers_extended_twow_prologue_theory_the_silent/
Teorias mágicas
Sob a estrela sangrenta: A fantástica análise de Stefan Sasse sobre o papel da profecia e da magia na ASOIAF.20-under-bleeding-sta
O inferno é real: / u / JoeMagician's teoria de que os valirianos usam a magia do fogo para criar criaturas do fogo como escravos eternos sem memória, o que fez com que os homens sem rosto se levantassem para acabar com elesspoilers_extended_hell_is_for_real_the_fourteen/
Origens do dragão: / u / CrowfoodsDaughter, a teoria de que os dragões se originaram no Grande Império do Amanhecer.153592-dragon-origins-part-i/&tab=comments#comment-8323214
No lado mais leve
Como seria se todas as teorias da ASOIAF se tornassem verdadeiras?spoilers_published_what_would_asoiaf_be_like_if/cjd15oh/
Desenhe sua cena favorita no ASOIAF com o MS Paintspoilers_main_draw_your_favorite_scene_in_ms_paint/
O membro de Tormund e a questão da percepção de escala em Westeros .: / u / fat_walda avaliação de quão grande o pau de Tormund Giantsbane realmente éspoilers_all_tormunds_member_and_the_issue_of/
Conclusão
Espero que vocês considerem tal tópico útil.
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2020.07.24 06:09 Cellbitoves Briga familiar ( não sei o que fazer)

Mais uma madrugada declarando um pouco do que passa por aqui. Bem eu sinceramente não sei o que fazer, vou tentar resumir ao máximo, apesar de meus posts serem muito longos hahaha.
Start- Bem aqui em casa somos 4, e classifico que somos de classe média do tipo que nunca tira férias sm família para viajar, mas também sempre tivemos a oportunidade de estudar nas melhores escolas e faculdades ( aqui essas coisas são muito mais baratas que ai para baixo do país).
Desenvolvimento- Dada essa introdução, vou explicar a razão desse post, bem meu pai é da área de tecnologia e sempre trabalhou nas melhores empresas possíveis da época, até que ele veio para cá com minha mãe e ai começou a ficar complicado, porque aqui como sempre digo, tem poucas empresas e muita coisa é estatizada. Daí ele teve que ir para o serviço público e teve bons empregos também, so que de uns anos para cá ele enjoo de trabalhar no ramo público e começou a querer empreender, até ai beleza, so que ele sempre abandonava os empregos para isso e TODOS os negócios que ele montava faliram, e tivemos que vender apartamento, carros, pegar empréstimos para pagar as contas, e esse ciclo se repete desde que eu tinha uns 7 anos.
A minha indignação é que ele abandona os empregos e joga as contas nas costas da minha mãe, e eu fico puto com isso, fora que além dele ficar relaxado pq sabe que tem alguém para banca-lo, ele nunca se preocupou muito com a nossa criação, não sei andar de bike sozinho, ele não me levava para empinar pipa ou sei lá essas coisas de pai e filho, tive que fazer isso sozinho ou com meu tio, achei que por ele ter vindo de uma família militar ele pensaria mais na família sei lá.
The end- Bem acontece que ele ta desemprego desde setembro de 2019, PQ ELE QUER, ( JA É A 5 OU 6 VEZ QUE ELE FAZ ISSO DESDE QUE EU NASCI), ja vi oferecerem diversas propostas para ele no início do ano antes da pandemia, so que ele rejeitava pq não queria mais ser funcionário público, e pq ele iria ganhar mais como empresário, resultado veio o vírus e ele ficou sem negócios e sem colocação alguma e minha mãe que mais sofre, trabalhando, pagando as contas e fazendo comida,( eu ajudo também).
Resultado ele disse agora que vai embora pro EUA pq aqui ninguém valoriza o trabalho dele e que ele vai enviar dinheiro de lá, bem 200 dólares da mais de 800 reais então até que compensa, mas a FRONTEIRA ESTÁ FECHADA, e é sério que ele quer larga a gente aqui? Tipo ele podia ter uma vida normal se ele quisesse, eu fico com raiva dessa rebeldia dia dele ficar pedindo demissão todo ano, mas ao mesmo tempo tenho pena de que ele está quase com 60 anos e não vai nem conseguir se aposentar pq não contribuiu o suficiente para previdência.
É triste vê uma pessoa que tinha um futuro brilhante agora viver as custas da esposa, e nem ter possiblidade de emprego.
O QUE EU FALO PRA ELE? EU SOU O HOMEM DA CASA TAMBÉM, JA SOU MAIOR DE IDADE E ME VEJO NA OBRIGAÇÃO DE DIZER ALGO
Desculpa tentei ao máximo não deixar o texto muito grande, mas precisava desabafar isso com alguém, me ajudem por favor
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2020.07.07 04:57 altovaliriano Stannis Baratheon (Parte 2)

No prólogo de A Fúria dos Reis vemos Stannis pela primeira vez. Sua austeridade e dureza são representados por suas roupas e palavras. Mas pouco se vê de seu senso de justiça e dever. Sua rispidez é a tônica geral da introdução do personagem.
A arrogância de Baratheon é contrastada pelo modo carinhoso como Cressen pensa no rei. A disparidade se acentua conforme o meistre oferece conselhos ponderados e, por lealdade, decide arriscar a própria vida para evitar a corrupção de Stannis.
Durante o capítulo, vemos Cressen perdendo lugar ao lado do rei, enquanto Melisandre ascende rapidamente. Fala-se abertamente em um projeto de poder que envolve magia e fratricídio. Por fim, Cressen sofre humilhações em público com a conivência do próprio homem que está tentando salvar.
Sendo o rei um homem vaidoso, ambicioso e suscetível, não é difícil detestar Stannis.
Porém, George está nos enganando.
Na cena em que o conhecemos, Stannis acaba de passar uma péssima madrugada com Davos. Nela, ele recebe um desastroso relato de que os senhores das Terras da Tempestade não apoiarão sua pretensão ao Trono de Ferro contra os Lannisters.
É como o preveni. Não se levantarão, Meistre. Por ele, não. Não gostam dele.
[…]
Não poderia lhe trazer alguma esperança?
Só do tipo falso, e eu não faria isso – Davos respondeu. – De mim, ouviu a verdade.
Portanto, se o leitor conhecesse minimamente o rei quando Cressen entra no Tambor de Pedra e o encontra sentado atrás da Mesa Pintada, saberia que suas palavras são decorrente de um orgulho ferido. A visão de Cressen entrando pela porta irrita Stannis não porque Baratheon o detesta, mas porque é um sinal de que a notícia de sua “humilhação” estava se espalhando:
– Eu sabia que você viria, velho, fosse convocado ou não […]. – Eu sabia que você descobriria em breve o que Davos tinha a dizer. É sempre assim, não é?
– Eu não lhe teria nenhuma utilidade se assim não fosse – Cressen respondeu. – Encontrei Davos na escada.
– E ele contou tudo, suponho. Devia ter encurtado a língua do homem junto com os dedos.
É uma péssima primeira impressão para o leitor. Além da linguagem corporal, a composição da cena passa a sensação de antagonismo. Depois de termos visto o renascimento dos dragões, de termos vislumbrado o nascimento da chance de Daenerys poder reclamar o Trono de Ferro, ver Stannis sentado na cadeira de Aegon planejando uma invasão a Westeros é a quintessência do usurpação. Os Baratheons não apenas tiraram de Daenerys o trono como o futuro enredo.
A situação de Stannis se emparelha com a de Daeneyrs por ambos perdido o trono e não terem forças suficientes para retomá-lo. Porém, uma avaliação mais profunda revela que, em contraste com Daenerys, Stannis está apenas reclamando de barriga cheia.
O novo rei tem milhares de homens de armas, dezenas de navios, algum dinheiro à disposição e diversos aliados nobres que reconhecem sua pretensão. Daenerys está sendo aconselhada por um espião e várias aliados incertos, enquanto Stannis está cercado de conselheiros em sua maioria extremamente leais. Além disso, Porto Real está a poucos dias de distância de Pedra do Dragão, ao passo que Daenerys está do outro lado do mundo.
Mesmo diante destas facilidades, Stannis se comporta como uma pessoa acuada, que desesperadamente dá ouvidos a planos de assassinato. De alguma forma, o novo rei lembra seu antecessor na mesa do pequeno conselho que, diante da notícia da gravidez de Daenerys, acatou as mais desonrosas sugestões para garantir o trono.
Entretanto, bastava olhar para Stannis para saber que ele não era igual ao irmão. A própria descrição física já deveria sinalizar que ele é a antítese de Robert. Enquanto a barba de Robert era uma “coisa emaranha, espessa e feroz”, Stannis “como que em resposta Stannis mantinha suas suíças bem aparadas”. Doze anos em Porto Real tornaram Robert cinquenta quilos mais gordo (AGOT, Eddard I), mas Stannis permanecera largo e forte com “bochechas secas e ossudas”. Portanto, enquanto para Robert o cargo era sinônimo de permissividade, para Stannis era sinônimo de responsabilidade.
De fato, em A Guerra dos Tronos, vimos em primeira mão como Robert delega todas as suas atribuições, enquanto Stannis, desde a primeira impressão, parece lidar pessoalmente com tudo. Curiosamente, essa impressão não vem apenas das palavras de Stannis (“Fiz parte de seu conselho durante quinze anos, ajudando Jon Arryn a governar o reino, enquanto Robert bebia e visitava prostitutas”), mas da menção ao briquismo do rei.
O ranger de dentes de Stannis pode parecer um detalhe aleatório. Contudo, o fato de que este hábito não é totalmente voluntário acaba por nos dar um insight sobre a mente de um personagem não-POV. Em outras palavras, o briquismo indica de que Stannis não é leviano em suas reclamações. As frustrações o afetam a nível subconsciente. Seu stress é constante.
As palavras de Cressen podem levar o leitor a pensar que o rei é apenas carrancudo. Afinal é dito que Stannis desde pequeno. Por exemplo, Lorde Steffon falava de trazer um bobo para ensinar Stannis a rir quando o garoto já tinha 14 anos. Mas somente no primeiro capítulo de Davos ficamos sabendo o quanto o novo rei é passional e permeável à dor.
Stannis fala que a experiência de ver o navio dos pais afundar o transformou. Cressen fala disso passageiramente no Prólogo, mas a profundidade do sentimento somente vem a tona depois:
Deixei de acreditar em deuses no dia em que vi o Orgulho do Vento quebrar-se do outro lado da baía. Jurei que quaisquer deuses que fossem monstruosos a ponto de afogar minha mãe e meu pai nunca teriam a minha adoração.
Robert estava ao lado de Stannis e não parece ter sido afetado pela experiência na mesma medida que Stannis. O fato de Stannis ainda guardar rancor do acontecido, aos quase 35 anos de idade, é revelador.
A evidência mais forte que Stannis não estava em seu estado normal durante a conversa no Tambor de Pedra pode ser vista em dois trechos. O primeiro acontece quando Cressen chama Stannis pelo pronome de tratamento correto e o rei encara como provocação:
Vossa Graça – Stannis rebateu amargamente. – Zomba de mim com o tratamento devido a um rei, mas sou rei de quê? Pedra do Dragão e um punhado de rochedos no mar estreito, eis o meu reino.
O segundo trecho que indica que há algo errado ocorre quando Cressen sugere prometer a Robb vingar a morte de Ned Stark, para que eles possam assim formar uma aliança:
Por que eu deveria vingar Eddard Stark? O homem não era nada para mim.
Não há nenhuma mentira nas palavras de Stannis, mas elas foram ditas em um arroubo de raiva. Com efeito, mais tarde, quando está mais calmo, Stannis diz justamente o contrário:
Não tenho qualquer dúvida de que Cersei teve um dedo na morte de Robert. Obterei justiça por ele. Sim, e por Ned Stark e Jon Arryn também.
(ACOK, Davos II)
Quando Cressen deixa a presença do rei, Stannis estava dando ouvidos ao papo de Selyse sobre Melisandre ter visto Renly morto nas chamas. No caminho de volta a seus aposentos, Cressen está alarmardo pelo que ouviu de Stannis e pela forma como está sendo afastado dos eventos. Isso dá ao leitor a falsa sensação de que algo está fora do prumo.
Entretanto, essa sensação é incorreta. Como bem descreve u/arthurmaia em um excelente texto para o portal Gelo & Fogo, Cressen não estava sendo excluído, nem Stannis estava sendo especialmente desagradável com ele. Nenhum dos outros conselheiros do rei havia sido convocado e Stannis é igualmente desagradável com Selyse quando ela aparece.
Eu ainda acrescentaria que o próprio Cressen comentou que Pylos estava ali para substituí-lo quando morresse. Portanto, a substituição de um pelo outro no banquete noturno não era nenhuma grande conspiração contra o velho meistre. Talvez uma desfeita bem leve por parte de Stannis, já que a substituição não ocorreria antes da morte de Cressen, mas ainda assim feita com boas intenções:
É culpa dele que o velho tenha morrido? – Stannis deu uma olhada para o fogo. – Nunca quis Cressen naquele banquete. Sim, ele tinha me irritado, tinha me dado maus conselhos, mas não o queria morto. Tive esperança de que lhe pudessem ser concedidos alguns anos de tranquilidade e conforto. Merecia pelo menos isso, mas… – rangeu os dentes – morreu. E Pylos serve-me com competência.
(ACOK, Davos I)
A urgência de Cressen parece ter sido despertada pela convergência dos fatos. A eclosão da guerra, morte de Robert, Stannis e Renly prestes a se enfrentarem, acúmulo de eventos naturais augorentos e Melisandre conqustando mentes e corações em Pedra do Dragão. Como homem responsável pela criação dos Baratheon e por ser um meistre da Cidadela, é natural que Cressen sinta-se aflito e no dever de se envolver em todas estas questões.
Todavia, a forma como o velho meistre joga toda a culpa da questão em Melisandre é muito precipitada. É claro que não sabemos a quanto tempo ele deve estar testemunhando Melisandre enchendo a cabeça dos ilhéus de Pedra do Dragão e da Senhora Selyse. Ainda, Martin escolhe justamente o momento da conversão de Stannis para nos apresentar à situação, o que agrava a sensação de “causa perdida”.
Stannis, contudo, também está mostrando sinais de desespero com a falta de apoio para sua pretensão. A mulher vermelha não havia conseguido chegar até Stannis (e ficamos sabendo em seu POV em Dança dos Dragões o quanto ela trabalhou para conseguir se aproximar dele).
Assim, enquanto Cressen corria de um lado para evitar que Melisandre tonificasse as ambições de Stannis e levasse irmão a matar irmão, Stannis estendia a mão à mulher de Asshai como quem tinha pouco a perder. O banquete da noite seria aos vassalos e a Melisandre, portanto aquele era o momento tão esperado para a sacerdotiza “vender o seu pão”. Stannis deveria estar bem ciente disto.
Por esta razão que a entrada de Cressen no recinto veio como uma visita inesperada e incômoda. Tudo piora quando o meistre passa a antagonizar com Melisandre quando a feiticeira o estava ajudando a se levantar. Fica ainda pior quando Cressen, em público, o chama de Lorde ao invés de Rei. Aconselhar o rei em público sobre fazer comum com Starks e Arryns é ainda mais constrangedor. Negar o poder do Deus ao qual o rei está querendo se converter também não ajuda a imagem de Stannis.
Quando Cressen está claramente fazendo papel de tolo, Selyse ordena que Cressen volte a utilizar o elmo do bobo. Somente quando Cara-Malhada não entregue o balde é que Stannis interveem:
Sim – concordou a Senhora Selyse. – O elmo do Malhada. Cai bem em você, velho. Volte a colocá-lo, eu ordeno. [...]
Os olhos de Lorde Stannis estavam na sombra das suas pesadas sobrancelhas, sua boca, apertada, enquanto o maxilar trabalhava em silêncio. Rangia os dentes sempre que se zangava.
Bobo – ele rosnou por fim –, a senhora minha esposa ordena. Dê o elmo a Cressen.
Como era de se esperar, o velho meistre ficou horrorizado com Stannis ter feito parte da gozação para com ele. Stannis não deu a mesma ordem que Selyse, é verdade. A julgar por suas palavras, o rei estava mais incomodado de ver a rainha desobedecida do que participando da brincadeira. Mas com esta atitude ambígua por parte de Stannis, GRRM testa os limites da farsa que está montando. Talvez por isso que Martin fez com que Baratheon se redimisse logo a seguir:
Talvez ele deva, daqui para a frente, cantar os seus conselhos – disse a Senhora Selyse.
Foi longe demais, mulher – repreendeu-a Lorde Stannis. – É um velho, e serviu-me bem.
Com a morte de Cressen, o plano de evitar a conversão do rei ao R’hllorismo falha absolutamente. Na verdade, Cressen acaba dando palco para que Davos ficasse ciente dos poderes da mulher de Asshai e passasse a temê-la também. Da parte de Stannis, a morte de Cressen, de tão inexplicável, pareceu decorrer de sua idade.
Não é afirmado qual foi o veredito de Pylos sobre a morte do velho. Mas uma vez que era o novo meistre era bem jovem, possivelmente não deve ter detectado um veneno tão específico como o estrangulador (no caso de Joffrey, a idade e o conhecimento de Pycelle devem ter ajudado o diagnóstico).
Por outro lado, Stannis já estava substituindo Cressen por Pylos. É possível até que goste mais do rapaz “solene” e “sempre correto” do que do velho meistre. Cressen pensava em formas de tornar Pedra do Dragão um lugar mais leve, mas Stannis provavelmente pensava o contrário. “Pylos serve-me com competência”, disse o rei. E para Stannis, competência era metade do caminho andado.
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2020.06.23 03:01 drek92 (FEIO) Me preocupo com os outros

Bom, não sei por onde exatamente começar. Quinta-feira, da semana passada, apaguei o meu facebook e o Instagram, estava fazendo mal pra minha saúde mental, tinha mania de ficar fazendo comparações tanto esteticamente quando financeiramente, bom, imagino que todos passam por isso. Toda vez que eu postava uma foto, ficava preocupado com quantas curtidas eu tinha, e no final quando eu via quantas eu recebia, ficava um pouco pra baixo. Eu me acho feio, mas em contrapartida, outras pessoas me acham bonito, falam que sou parecido de fisionomia com o Henry Cavill, principalmente com Adam Lavine ou ator da série YOU, da netflix. No tempo de faculdade, eu tinha saído de um relacionamento e uma amiga veio me consolar, me ajudando a superar e etc, e como todos sabem, final de relacionamento a gente sempre pensa: "Ninguém vai me querer, nunca vou encontrar alguém como a fulana, o sexo era muito bom, vou sentir saudade e blá blá blá..." Bom, eu falava pra ela que me acho feio, e ela dava risada, diz que eu deveria começar a olhar pros lados, pq o que eu digo não é verdade e que apenas estou com a autoestima baixa.
Depois dessa introdução, desde que entramos em quarentena, eu refleti várias coisas sobre a minha vida, e até sobre a vida dos outros, enquanto escrevo esse texto, imagino que milhões ou até bilhões de pessoas estão sofrendo por ai, sofrendo por amor, sofrendo por uma morte de um ente querido por causa do Covid-19, sofrendo por discussões com familiares, sofrendo por estar em depressão ou na solidão, sofrendo por não ter amigos ou uma namorada ou alguém pra compartilhar momentos, enfim, diversos sofrimentos que são inúmeras.
O ponto que eu quero chegar é sobre a beleza, sim a beleza física, estética, a beleza exterior. Ultimamente vejo vídeos de psicologos e psiquiatras, nessa quarentena fiz uma maratona de videos do canal Neurovox, do psiquiatra Pedro Calabrez (não sei se vocês conhecem), ele se baseia em tudo que é cientifico, como por exemplo: Como superar uma relação, (nome do vídeo é "a dor do coração partido") E ETC... enfim, esse post não é sobre relacionamento mas sobre as dores das pessoas sobre a estética.
Em algum vídeo dele vejo pessoas totalmente desanimadas com a própria aparência, provavelmente é em algum vídeo sobre se afastar das redes sociais e comparações com outras pessoas nas redes sociais, e isso me levou a pesquisar afundo em blogs, videos no youtube e etc.
Teve um camarada, daqui do Reddit, que escreveu um post dizendo que odeia pessoas bonitas, e etc, cara, aquilo mexeu comigo por dentro. Sou uma pessoa muito empático, e me imaginei na pele dele, e me imaginei na pele de outras pessoas, pessoas que comentam e que eu consigo sentir, através das letras, o sofrimento da pessoa em saber que é feia, que não têm os atributos que a sociedade procura e que nunca irão se relacionar com as pessoas. Hoje foi o estopim pra eu desabafar sobre isso pq estava assistindo um video de um canal Alphalife e o nome do titulo é: " Se Você É Feio, Pobre e Tímido, Faça Isso..." vi os comentários das pessoas e aquilo me deixo tão, mas tão mal que não sei descrever pra vocês. Um dos comentários que me marcou foi de um camarada que dizia assim: "Eu sou muito feio, e sinto raiva de mim, tenho 1,65, tenho uma cabeça pequena, corpo pequeno "meio" que esguio, entrei pra academia pra ver se melhorava mas ficava totalmente desproporcional, parecia que meu corpo crescia mas minha cabeça ficava muito pequena..." e bom ele disse outras coisas que me fez colocar no lugar dele, pelo comentário dava pra ver o sofrimento desse rapaz. Se tiverem sorte procurem lá o comentário....
Tenho amigos e amigas de outros estados, sou de Porto Alegre, e quando comento com eles, quando digo que sou feio, eles tiram sarro de mim, o que mais falam é: "Fulano, tu é o cara mais sortudo desse país, tu mora no paraíso, aliás, se tu morasse aqui, tu farias sucesso com as mulheres", bom, quando dizem que moro no paraíso, vocês imaginam que Rio Grande do Sul só têm pessoas bonitas (bom realmente têm, mas as mulheres se acham e são estupidas só pq são bonitas, têm grana e etc, e isso vale para os homens também).
Como eu falei anteriormente, eu me acho feio, mas outras pessoas me acham bonito, até lindo me chamam. Daí vocês devem tá se perguntando, mas se as pessoas te acham bonito, pq não aceita? a reposta é, não sei, me acho normal, tenho 1,76, sou formado (enfermeiro), tenho 28 anos, faço academia pra manter o corpo em forma e manter minha saúde mental saudável - meus pais tiveram AVC (AVE cientifico); meu pai teve o hemorrágico ficou com sequela, minha mãe o isquêmico, não ficou com sequela - então, tenho a pretensão de ter AVC, e por isso, faço academia, mas não fico tirando foto do espelho pra postar nas redes (não tenho mais). Pela genética, meu cabelo é ralinho (mas tenho cabelo), tenho as "entradas", quase que iguais do ator Henry Cavill ou do ator que faz a série YOU da netflix, (pra terem uma ideia) elas não são tão acentuadas, e nunca me incomodaram, até pq tive 4 namoradas, isso nunca foi um empecilho. Meu pai é feio (sim ele é, até quando jovem, vi por fotos), em contrapartida, minha mãe era linda, ela têm fotos guardadas até hoje, vocês não têm noção de quão linda ela era, ela mesmo dizia que, poderia ter tido qualquer homem aos pés dela, e de fato, as amigas e irmãs dela me falam isso direto. Pode ser que essa "beleza" herdei dela, minha irmã é linda, principalmente quando era adolescente e mais jovem, os caras babavam por ela.
Dito tudo isso, mesmo me achando feio, tenho sorte de ter herdado essa "beleza" da minha mãe, mesmo meu pai sendo feio. Mas o desabafo é, eu sinto pena das pessoa que realmente não conseguem se relacionar, não conseguem uma namorada ou até mesmo sexo pq a outra pessoa se importa muito com a aparência. Bom, a verdade seja dita, sim, principalmente nos dias atuais as pessoas se importam com aparência, ninguém namoraria com alguém feio, alias eu já namorei, sempre caguei pra opinião alheia, e essa questão de que BELEZA É RELATIVO, DESCULPA, MAS NÃO É RELATIVO NADA.
Além de ser um desabafo, gostaria de saber da opinião de vocês? Vocês têm amigos ou amigas que são feios e que, sofrem por isso? Eu sinceramente não consigo me expressar muito bem, mas, o que posso resumir de tudo que falei é, eu fico com muita pena das pessoas que não conseguem se relacionar amorosamente pq a beleza física impede que isso aconteça. Vejo comentários tanto aqui no Reddit, quanto nos videos do Youtube pessoas infelizes com suas aparências. Quando ando pela rua com alguma amiga ou amigo, sempre tem um que fala: "Olha ali, o fulano é feio, não ficaria ou me relacionaria com ele/ela" Daí de imediato eu me coloco na pele da outra pessoa e tento imaginar o quão dolorido isso deve ser, as pessoas falarem isso.
Por mais que eu seja jovem, "bonito" para outras pessoas, formado, tive 4 relacionamentos, pra mim, as 4 ex namoradas eram bonitas, aproveitei o sexo, o sexo era maravilhoso, mas e as pessoas que são "feias", será que elas tiveram esse privilegio de amar e serem amados? Não sei como expressar, com o falei.
Eu tento ao máximo não me comparar fisicamente e financeiramente com outras pessoas, até pq, tem um vídeo desse psiquiatra que mencionei anteriormente que é "PARE DE SE COMPARAR COM OS OUTROS" e " PARE DE SE INTERESSAR PELA VIDA DE PESSOAS QUE NÃO FAZEM DIFERENÇA NA SUA", e esses videos me ajudaram muito, além de me dar forças pra excluir as redes sociais, me dá força de não me comparar com ninguém, mas eu sou tão empático que além de me colocar no lugar da pessoa eu não consigo em não me comparar com outra pessoa, gostaria profundamente que todos, TODOS, fossem bonitos e assim, ninguém sofreria, e teríamos TODOS uma vida feliz aqui na terra, lembrando que estamos apenas de passagem e que a vida está passando rápido demais, quase que em um piscar de olhos, e olha que tenho 28 anos, e to percebendo isso.
Forte abraço pra quem leu.
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2020.05.01 03:25 biasann O caminho difícil pra chegar nos meus sonhos

Oi, sou nova aqui.. Não sei bem como mexe nesse app, mas vi esse grupo e muita gente desabafa aqui, então resolvi compartilhar com vocês o que eu ando passando. Para alguns pode ser algo idiota, (até porque existem pessoas que lidam com problemas reais, depressão, pobreza, doenças, etc) mas para mim anda sendo o que me aflige todos os dias.
Eu desde nova sempre fui muito criativa, fazia desenhos incríveis, aprendia qualquer matéria com muita facilidade, tudo o que eu fazia era bem feito. Você já estudou com alguma uma menina no fundamental que tinha toda cor de caneta colorida? Então essa era eu. Caderno sempre impecável. Aos 8 anos meus pais se separaram. Eu fui morar com minha mãe, somente eu e ela, via meu pai a cada 2, ou 3 anos mais ou menos.. Morava em Uberlandia-MG, mas como minha mãe achava muito perigosa a cidade para criar uma filha sozinha nos mudamos para uma cidade pequena de Goiás.
Me mudei aos 11 anos, isso em 2010, e comecei uma vida nova. Estava no 7° ano (era adiantada, pq já morei fora do país). E aconteceu que acabei repetindo de série. -Já não era mais adiantada! ☹️- Quando consegui passar para o 8° .... Repito.. Outra vez. E a mesma coisa se passou no 9°. Resumindo: Eu bombava uma vez, passava, bombava, passava. Bombei 3x.
A partir do momento em cheguei nessa cidade, perdi o interesse em estudar.Juntamente com o desinteresse vinha a loucura da puberdade..Aos 14 aprontei mais do que uma adolescente poderia aprontar. (Aprontar no sentido de: beijar muito, pular muro, ir em muitas festas, dar Pt, ser falsa, xingar a mãe, voltar de madrugada, usar drogas)
No final dos meus 16 anos conheci um homem, 10 anos mais velho que eu (inclusive era meu Sensei (prof de karatê) rsrs) e namoro com ele até hoje. Ele me fez mudar, evoluir, amadurecer e me ajudar a tornar a pessoa que sou hoje. Teve um ano ou outro que eu estava super focada em estudar e era uma das melhores da classe. 2018 terminei o 3° ano. Nesse ano fiz prova do Encceja (pra terminar estudos), bombei na redação então tinha que ir na escola para fazer as matérias de linguagens. Foi o melhor ano! Aprontei o ano todo, ficava atoa na sala de aula. (Aprontei no sentido de fazer muita bagunça e beber dentro da sala, lembrando que eu estava namorando).
Mas aí veio 2019. MEU DEUS! O QUE EU FAÇO AGORA???
Passei no vestibular para Letras-Português e Espanhol. (Faculdade 100% online)
-Gosto muito de Espanhol, como morei na Espanha quando era pequena sou fluente, então gostaria muito de trabalhar com algo que fez parte da minha vida. Meu sonho também é aprender inglês, japonês e coreano. Também escolhi essa faculdade porque na minha cidade, como é pequena, não possui muitos professores de Espanhol, sempre está em falta. -
Você deve pensar: ah, perfeito então, só estudar e já era! ✨😍
Só que não. Quem disse que consigo estudar? Disse mais cedo que meu namorado mudou minha vida, me fez ser uma pessoa melhor. Mas mesmo com ele não consegui recuperar a vontade de ser alguém que eu tinha quando criança. 2019 foi um ano desperdiçado, eu comecei a primeira matéria (Educação Inclusiva) muito empolgada, estudei, fiz a prova, passei, tirei nota super alta. Mas no final do semestre eu tinha que fazer um trabalho (super simples, com introdução, des e conclusão) e por não fazer acabei bombando no semestre inteiro.
No segundo semestre eu entrei em um app que contrata profissionais para fazerem trabalhos e paguei um para fazer. Porém, eu não tinha realizado as atividades online do segundo semestre, então não adiantou passar no semestre, né?
2020 chegou e estou no terceiro semestre. Matérias acumuladas, eu pago 230 por mês nessa faculdade que eu consigo desperdiçar todos os dias 😔 As matérias acumularam e estou pagando mais R$ 100 todo mês para repor. + Dinheiro desperdiçado né??
Todo dia é uma luta EU vs EUZINHA para eu colocar na minha cabeça que tenho que estudar. Eu entro no ambiente Virtual, olho, mas não tenho a CORAGEM de tirar algumas horas para estudar. Lembrando que: MINHA FACULDADE É SUPER FÁCIL! apenas um trabalho por semestre, 1 prova por mês e algumas atividades e vídeo aulas pra ver e realizar.
Me pego pensando as vezes, porque é tão difícil pra mim, porque não consigo realizar meu sonho? Porque eu sou tão descrente? Porque sou tão inútil ao ponto de não conseguir fazer uma faculdade tão fácil?? Eu queria essa coragem que as pessoas tem para estudar o tempo todo. Eu tenho objetivos, planos, mas não consigo realizá-los. Queria voltar a ser aquela criança criativa. Não quero colocar a culpa em alguém, não é justo. Mas penso as vezes que nunca tive pessoas para me incentivar.
Você deve pensar: "Ah, mas vc viajou para fora do país, como ngm te incentivou? Viaja pra fora do país quem tem dinheiro, quem conquistou coisas" -é aií que se engana! Na verdade não sei de onde meu pai tirou dinheiro na época para viajar. Meu pai era apenas((não no sentido de menosprezar a profissão, ok?! No sentido de ganhar pouco!))um lanterneiro, foi comprando uns carros usados, reformando e juntando dinheiro. Com a ajuda da irmã dele fomos morar na Espanha durante 2 anos e meio.
Estou há meia hora escrevendo, não sei se alguém irá ler até aqui, mas enfim, agora mesmo preciso fazer o trabalho do 3° semestre, para o dia 16, mas quem disse que consigo? Compro cadernos, marca textos para me incentivar, porém não sai nada. Parece que meus sonhos estão cada dia mais longes, porque a pessoa aqui não consegue vencer um simples obstáculo.
Admiro você, que tem objetivos em mente e não desvia do caminho. Eu cada dia me sinto mais uma perdedora. Sem contar que minha memória é péssima, não sei se é por conta da maconha, das pingas ou de falta de treino de cérebro mesmo. Obrigada por ler até aqui, escrevi isso e desabafando me sinto melhor.
Irei tentar ser alguém melhor para mim. Aliás, "tentar" NÃO. Eu irei conseguir.
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2020.05.01 01:12 Nicks_MdS Problemas familiares

 Alguns dias atrás eu pensei em postar um desabafo aqui, já tinha até começado a escrever, mas no fim acabei desistindo porquê estava virando um texto enorme, e eu ainda nem tinha falado sobre a minha situação, só fiquei fazendo uma super introdução da minha família, (meus pais, minha irmã gêmea e meu irmão mais novo) mas dessa vez, chegar direto ao ponto, afinal eu sei que caso o contrário eu posso acabar desistindo de novo.... 
Enfim, eu tenho 14, (fazendo 15 esse ano) com uma irmã gêmea que sempre me dei muito bem e um irmão dois anos mais novo. Sempre fui quieta e meio anti social, por isso nunca tive um número muito grande amigos, e eu consegui perder contato com a maioria daqueles que eu convivia anteriormente, algo que me arrependo até hoje, por que alguns deles realmente me fazem falta.... Do quinto ano pra frente eu e minha irmã ficamos nas mesmas salas, e consequentemente, passamos a dividir os mesmos grupos de amigos. E como ela sempre foi mais social do que eu, ela acabava sendo a "estrelinha" do grupo, enquanto eu era a que sobrava. Porém eu não me importava muito com isso, pra mim já era ótimo fazer parte de um grupo, ser chamada pra sair (Mesmo sentindo que era por causa da minha irmã) entre outras coisas, diferente da dela, que odeia ser deixada de lado. Além de que eu ainda tinha os meus pais, eu era muito apegada a eles (Apesar de darem maior atenção pro meu irmão) e os admirava muito. As coisas continuaram assim, até que, a alguns anos atrás, ela admitiu que tinha depressão.... Meus pais ficaram arrasados e eu fiquei em choque, nunca pude imaginar a possibilidade da minha irmã, a garota divertida e engraçada que todo mundo adorava, sofrer de depressão... A primeira pessoa pra quem ela contou foi a minha mãe, por meio do whatsapp, com um texto enorme que ela mesma tinha passado a noite inteira escrevendo. Eu não cheguei a terminar o primeiro parágrafo e já estava em desespero, o jeito como ela escreveu aquilo era surreal, tanto que não tive coragem de terminar. Depois dessa descoberta meus pais passaram a dar mais atenção a ela, e até começaram a marcar consultas com uma psicóloga e uma psicoterapeuta (que tem o consultório em outra cidade). Não só eles, mas eu também passei a ficar atenta com o comportamento dela, e percebi que com o passar do tempo ela foi ficando menos sociável do que era, além de não falar tanto quanto antes, por causa disso ela acabou ficando mais afastada dos nossos e amigos e ficando mais próxima ainda de mim. Naquela época ela começou a desabafar mais comigo do que com os nossos pais, por isso até hoje a gente conversa sobre coisas que geralmente não conversamos com nossos pais. Com o passar do tempo ela foi melhorando e, graças a deus, hoje ela não tem mais depressão (Apesar de algumas poucas vezes ter umas recaídas) além de voltar a ser social. Por conta disso meu irmão voltou a ser o centro das atenções. Então eu pensei que tudo voltaria ao normal, mas não foi bem assim. Por algum motivo, eu comecei a piorar, não consigo comer tanto quanto eu comia antes, além de não conseguir dormir direito. Não tenho vontade de fazer nada, só dormir, além de raramente me sentir feliz. Eu não consigo evitar de me sentir deixada de lado pelos meus pais, não sei porquê eu me sinto assim, afinal não é culpa deles se eu não consigo me abrir e desabafar tão fácil, mas sei lá..... Nos últimos tempos eles andam cobrando cada vez mais de mim e da minha irmã, é sempre "faz isso, faz aquilo" mas eles nunca querem saber se eu tô bem (mesmo eu deixando claro que não), nunca perguntam se eu preciso de ajuda com algo, vivem me comparando com outras pessoas e tão sempre me criticando por qualquer motivo, não importa o quanto eu me esforço pra fazer algo, nunca é bom o suficiente, eu nunca sou boa o suficiente.... E fica cada vez mais difícil pra mim sequer conversar com eles. É muito fácil pra eles me deixarem mal, mas o pior é que eles não tão nem ai! Porque pra eles ou é "birra", ou é "frescura", ou é "mal humor", e simples assim.... Hoje eu tava afim de desabafar com a minha mãe sobre algo que aconteceu ontem que me deixou magoada, mas logo quando eu comecei a falar, ela me cortou e disse pra eu esperar por quê ela tava ocupada com alguma coisa, depois ela não tocou mais no assunto. Isso foi o que me incentivou a escrever aqui de novo, eu precisava desabafar com alguém sobre isso, e obviamente não conseguiria falar para os meus pais, além de que por algum motivo também é complicado de conversar sobre isso com a minha irmã, mas eu sei que ela deve tá sentindo o mesmo que eu. Me digam a verdade, vocês acham que eu estou exagerando ou algo do tipo? Porque estou começando a ter minhas dúvidas...
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2020.02.27 16:03 MayaraF09 Desmame: como fazer e quando é o melhor momento?

Desmame: como fazer e quando é o melhor momento?
Não há uma regra para definir quando a mãe deve iniciar o desmame. O Ministério da Saúde e a Sociedade Brasileira de Pediatria recomendam que o bebê seja amamentado exclusivamente até os 6 meses de vida. Ao completar os 6 meses, a criança pode começar a introdução alimentar e ter a amamentação como complemento da alimentação. Os órgãos de saúde recomendam que as crianças sejam amamentadas até os 2 anos ou mais. Então, qual é o momento certo de iniciar o desmame?
Isso vai depender da rotina da família, da saúde da mãe e do bebê, e de uma série de outros fatores. Em uma situação natural, a criança começa a demonstrar sinais de que é hora de desmamar. Isso ocorre por volta do primeiro ao segundo ano de vida.
No entanto, com a rotina agitada que as pessoas levam atualmente, isso ficou muito mais difícil. Por isso, é comum ver bebês que já não mamam aos 6 meses de vida, ou aqueles que pararam de mamar ao completar o primeiro ano. Ou seja, são muitos casos diferentes que nem mesmo atingem as recomendações dos órgãos de saúde.

https://preview.redd.it/yrcbxafgehj41.jpg?width=612&format=pjpg&auto=webp&s=4cc676f52c9f65e1a4b751f27f6184be4954a869
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2020.01.04 03:14 altovaliriano O Leão na teia da Aranha

Texto original: https://warsandpoliticsoficeandfire.wordpress.com/2016/02/05/heirs-in-the-shadows-the-young-lion/
Autores: GoodQueenAly; @BryndenBFish
Título original: Heirs in the Shadows - The Young Lion

Introdução

Tyrek Lannister pode ser considerado pelos leitores pouco mais que um personagem terciário em As Crônicas de Gelo e Fogo. A avaliação não é irracional: nem mesmo mencionado pelo nome no primeiro livro, aparecendo apenas duas vezes antes de seu misterioso desaparecimento na revolta violenta em Porto Real em A Fúria dos Reis , o jovem Tyrek merece pouco mais do que uma nota de rodapé entre seus parentes Lannister mais proeminentes, muito menos no grande elenco de personagens. Caso notado, ele pode ser lembrado apenas como uma vítima, no mesmo plano que seu primo Willem: um infeliz peão das ambições dinásticas de Lannister, um inocente assassinado pelo povo revoltado da capital.
No entanto, Tyrek desapareceu tão completamente - e tão misteriosamente - que, afinal, seu "simples" desaparecimento pode não ser tão simples. Em vez de ser um dos muitos corpos retirados das ruas nos dias e semanas após o tumulto, Tyrek pode estar vivo e bem (ou pelo menos relativamente bem). Ainda mais, Tyrek pode estar esperando para fazer um reaparecimento dramático em Westeros, enquanto é instruído e preparado por um improvável "aliado". Quem iria querer o jovem primo Lannister e o que poderia estar reservado para ele no futuro?
[...]

Apresentando o Peão

Tyrek Lannister nasceu por volta de 286 dC, o único filho de Sor Tygett Lannister e sua esposa Darlessa Marbrand. Sor Tygett era o terceiro filho de Lorde Tytos Lannister, um irmão mais novo do futuro Lorde Tywin e Sor Kevan. Como os dois irmãos mais velhos de Tygett se casaram e tiveram filhos antes do nascimento de Tyrek, não houve grande pressão sobre esse terceiro filho para se casar e procriar também (embora ainda não saibamos quando Tygett e Darlessa se casaram).
Em uma família mais pobre, Tygett poderia ter sido levado para a Muralha, a Fé ou a Cidadela para reduzir os estoques familiares, mas os Lannisters eram ricos o suficiente para sustentar as famílias dos filhos mais novos. Tygett também não teve que abaixar os olhos para encontrar sua noiva: Darlessa era uma Marbrand, uma casa vassala respeitável dos Lannisters (e parente da mãe de Tygett, Jeyne Marbrand).
Na época em que o bebê Tyrek nasceu, ele era possivelmente o nono na fila de Casterly Rock (dependendo se seus primos Martyn e Willem Lannister e Joffrey Baratheon já haviam nascido e se o pai de Tyrek já havia morrido). Ainda que outros pretendentes tenham enfrentado probabilidades menores (Aegon V pode ter sido o décimo primeiro na fila no momento de seu nascimento), a possibilidade de um recém nascido sentar-se no assento dos Reis do Rochedo parecia muito improvável.
Ainda assim, o jovem Tyrek não teve nenhuma sorte. Como Lannister (e especialmente Lannister do Rochedo), neto da linha masculina de Lorde Tytos, Tyrek nunca teria falta de dinheiro ou influência. De fato, sendo a rainha uma Lannister (e havendo um herdeiro “meio”-Lannister da idade de Tyrek), carregar o nome de "Lannister" faria com que até um membro da família de status relativamente baixo como Tyrek ganhasse importância.
Seu pai, Tygett, recebeu alguns elogios durante a Guerra dos Reis Ninepenny: embora muito jovem - possivelmente até mais jovem do que Tyrek quando desapareceu - Tygett matou um homem em sua primeira batalha e depois matou um cavaleiro da Companhia Dourada. Portanto, Tyrek descendia de uma safra de boa qualidade das Terras Ocidentais e, pelo menos, poderia ter esperado se casar com uma donzela nascida nas Terras Ocidentais quando tivesse mais idade.
A rainha Cersei, no entanto, tentaria elevar seu jovem primo Lannister ainda mais do que ele poderia ter imaginado:
Não conseguiu deixar de reparar nos dois escudeiros: rapazes bonitos, loiros e bem constituídos. Um tinha a idade de Sansa, com longos cachos dourados; o outro teria talvez uns quinze anos, cabelos cor de areia, um fio de bigode e os olhos verdeesmeralda da rainha.
– Aqueles rapazes – Ned lhe perguntou– são Lannister?
Robert assentiu, limpando as lágrimas dos olhos.
– Primos. Filhos do irmão de Lorde Tywin. Um dos mortos. Ou talvez o vivo, agora que penso nisso. Não me lembro. Minha esposa vem de uma família muito grande, Ned.
Uma família muito ambiciosa, Ned pensou. (AGOT, Eddard VII)
Ned foi perspicaz em sua conclusão: a rainha Lannister teve bastante iniciativa no aprofundamento das relações dos Lannister na corte (uma característica que mais tarde ela criticaria na noiva de seus filhos, Margaery Tyrell). Consequentemente, Cersei convenceu o rei Robert a nomear o jovem Tyrek seu escudeiro, junto com o primo de ambos, Lancel (o filho mais velho de Kevan Lannister).
Não se sabe quando Tyrek começou a servir o rei, embora provavelmente não tenha sido mais de alguns anos (se muito) antes do início de A Guerra dos Tronos. Para efeito de comparação, os dois Walders em Winterfell começaram a servir Ramsay Bolton por volta dos oito ou nove e Edric Dayne a Beric Dondarrion aos dez. Assim, Tyrek deveria estar com Robert há cerca de três anos antes da morte do rei, no máximo.
Quanto mais alto o cavaleiro ou senhor, maior seria a honra de ser escudeiro (a razão pela qual, entre outras concessões, Walder Frey exigiu que seu filho Olyvar se tornasse escudeiro do então Lorde Robb Stark), e nenhuma honra maior poderia ser concedida a um menino Westerosi que ser escudeiro do próprio rei.
A nomeação como escudeiro do rei poderia ser o começo de uma carreira na corte para Tyrek, semelhante ao começo cortês do tio Tywin como um pagem para Aegon V. O príncipe Rhaegar, afinal, transformou seus escudeiros, Myles Mooton e Richard Lonmouth, em firmes aliados e amigos. Se Tyrek provasse ser um espadachim tão talentoso quanto seu pai, poderia se tornar o mestre de armas da Fortaleza Vermelha (uma posição que Tywin realmente tentou, mas falhou, em garantir para Tygett). Com um primo na Guarda Real, uma capa branca poderia até estar no futuro de Tyrek (de fato, uma colocação na Guarda Real poderia ter servido para remover cuidadosamente um excesso de Lannisters do Rochedo). Dyanne Dayne pode ter assegurado um casamento real devido à sua nomeação para a corte da rainha Mariah Martell. Um noivado com a princesa Myrcella provavelmente era impossível para um mero primo Lannister, mas na corte Tyrek não careceria de conexões poderosas - enquanto os Lannister permanecerem no poder.
No entanto, também pode ter havido um lado mais sombrio em Tyrek ter se tornado escurdeiro - um não explorado nos livros, mas que, no entanto, é importante considerar à luz do possível papel de Tyrek no futuro. Espera-se que escudeiros sigam seus cavaleiros em todos os lugares, e o exemplo de Justin Massey demonstra que Robert poderia levar seus escudeiros a lugares estranhos:
Massey quer a princesa selvagem também. Ele certa vez serviu meu irmão Robert como escudeiro e adquiriu o seu apetite por carne feminina. (ADWD, Jon IV)
Esse "apetite por carne feminina" quase certamente incluía os bordéis de Porto Real que Robert visitava com alguma frequência. Tyrek era um pouco jovem demais para participar da maneira que Stannis disse que Justin Massey fazia (ou mesmo da maneira que Lancel poderia ter feito, se incentivado por Robert), mas ele não teria que passar tempo com nenhuma prostituta para observar algo muito mais perigoso que os adúlterios do rei.
Os leitores sabem que Robert tinha pelo menos um bastardo de uma prostituta de Porto Real: a bebê Barra, nascido de uma jovem prostituta de Chataya. A bebê, como todos os bastardos conhecidos de Robert, tinha o cabelo preto de seus antecedentes Baratheon - um fato que Mindinho não deixou de notar, o fez levar Eddard para ver a bebê e revelar a conspiração incestuosa dos Lannister.
Certamente, seria demais supor que Tyrek, um garoto de 12 anos, tivesse descoberto que os verdadeiros filhos bastardos de Robert tinham aparência de Baratheon, e que seus primos em primeiro grau eram, na verdade, bastardos nascidos do incesto de Lannisters. No entanto, Tyrek talvez tenha visto demais, mesmo que ele próprio não tivesse juntado as peças do quebra-cabeça. O escudeiro mais jovem do rei provavelmente viu em primeira mão os filhos bastardos de cabelos pretos do rei (com nove bastardos não registrados do rei, parece provável que pelo menos um outro além de Barra e Gendry tenha nascido onde o rei passava a maior parte do tempo: a capital) e, presumivelmente, era amigo de confiança e companheiro dos filhos de aparência Lannister da rainha. Se esse conhecimento fosse posto a disposição de um indivíduo mais ardiloso do que o inocente Tyrek, o garoto poderia se tornar uma testemunha útil na derrubada do regime de Baratheon-Lannister.
No entanto, Tyrek não precisaria servir Robert como escudeiro (ou segui-lo em suas aventuras lascivas) por muito tempo. Em 298 dC, Robert morreu – aparentemente de um acidente de caça, mas de fato por um meio-assassinato criado por Cersei para impedir a descoberta de seu incesto. O veículo que ela usou foi o primo de Tyrek e também escudeiro, Lancel Lannister.
Aparentemente, Tyrek não acompanhou o rei em sua última caçada, mas ele pode ter ouvido trechos da trama via Lancel. Seu status duplamente íntimo - como primo em primeiro grau e companheiro escudeiro (os dois parecem ter sido os únicos escudeiros de Robert no momento de sua morte) - dão a Tyrek maior potencial de conhecer os fatos por trás do assassinato de Robert - fatos que também serviriam para derrubar Linha real de Cersei.
Naquele momento, Tyrek era simplesmente um antigo escudeiro real, então alocado na corte de Joffrey sem qualquer objetivo maior. Os eventos, no entanto, logo perturbariam a existência relativamente pacífica de Tyrek e o empurrariam para uma tempestade de caos político - e ambição secreta.

Um Desaparecimento Estranho

Para acrescentar a todo o mistério que cerca seu desaparecimento, em A Fúria dos Reis, Tyrek é visto apenas uma vez:
Lorde Gyles tossia, enquanto o pobre primo Tyrek vestia sua capa de noivo de pele de esquilo e veludo. Desde seu casamento com a pequena Senhora Ermesande, três dias antes, os outros escudeiros tinham começado a chamá-lo de “Ama de Leite”, perguntando-lhe que tipo de cueiros sua noiva usara na noite de núpcias. (ACOK, Tyrion VI)
Longe de ser a noiva filha de um glamuroso cortesão que Tyrek esperava que sua posição de corte lhe desse - ou mesmo da donzela das Terras Ocidentais que ele poderia ter antecipado em circunstâncias normais - o "primo pobre" de Tyrion fora casado com Ermesande Hayford. Dinasticamente, a combinação foi agradável: a Casa Hayford era uma respeitável dinastia das Terras da Coroa, com pelo menos uma casa de cavaleiros juramentada. Sua atual dama, Ermesande, era a última de sua linhagem, o que significa que as terras e rendas de Hayford seriam graciosamente transferidas para os Lannisters.
Infelizmente para Tyrek, Ermesande também era um bebê. O novo lorde de Hayford teria que esperar até os vinte e poucos anos para contemplar a consumação de seu casamento. No entanto, se era pessoalmente humilhante ser casado com uma garota ainda não desmamada, Tyrek não tinha instância para reclamar. Ele, como todos os seus contatos Lannister, era um peão em um grande jogo de política dinástica e se casaria na forma que pudesse trazer maior vantagem à Casa Lannister.
Tyrek, no entanto, não viu sua noiva infantil amadurecer. Em 299 dC, Tyrion arranjou o casamento da prima de Tyrek, Myrcella, com o príncipe Trystane Martell, de Dorne. A corte fez um evento para acompanhar Myrcella até as docas para vê-la partir para Lançassolar, e Tyrek - como primo da princesa e também representante dos interesses de Lannister - juntou-se à família real, cortesãos, guardas reais e até o Alto Septão na procissão. Um homem na corte, no entanto, estava visivelmente ausente: o mestre dos sussurros, Varys.
A cidade estava em um clima nefasto. A Guerra dos Cinco Reis havia isolado a Capital dos tradicionais celeiros de Westeros. Com as Terras Fluviais em chamas e a Campinas firmemente apoiando de Renly Baratheon no ínico, Porto Real teve que confiar em Rosby e Stokeworth para trazer suprimentos, e as restrições resultaram em fome entre as classes mais pobres da cidade. O que o jovem rei Joffrey não possuía em charme e tato político, mais do que compensava em crueldade. Tyrion, sua Mão, foi responsabilizado pela má sorte após a morte de Robert, odiado por sua retaliação contra Janos Slynt e Pycelle e por seus seguidores mercenários e selvagens. Rumores sobre o incesto dos Lannister e a corrupção real em geral já haviam se espalhado pelas ruas; o ar saturado precisava apenas da faísca certa para explodir.
Quando explodiu, a fúria foi horrível de se ver. Sor Aron Santagar, o mestre de armas da Fortaleza Vermelha, foi espancado até a morte por quatro homens, enquanto Sor Preston Greenfield, da Guarda Real, foi retalhado e esfaqueado tão brutalmente que sua armadura branca ficou manchada de vermelho e marrom. O Alto Septão fora arrancado de sua liteira e despedaçado por membros da multidão, e a Senhora Lollys Stokeworth fora estuprada nas ruas por vários homens. Nove Mantos Dourado foram mortos pela multidão, enquanto mais 40 da Patrulha da Cidade foram feridos nos combates; o número de plebeus mortos não foi registrado, mas provavelmente foi muito maior.
Não foi registrado entre os mortos, porém, o jovem Tyrek Lannister. Presumivelmente, "Ama de Leite" estava na "longa comitiva de outros cortesãos" atrás da liteira do Alto Septão, formada no final da procissão real. Esse posicionamento explicaria por que foi Horas Redwyne, também naquele grupo, quem informou que Tyrek não havia retornado. Tyrion, assumindo o comando logo após o tumulto, ordenou a Jacelyn Bywater, seu novo Comandante da Patrulha da Cidade, que encontrasse seu primo desaparecido:
Tyrek continuava desaparecido, tal como a coroa de cristais do Alto Septão. Nove homens de manto dourado tinham sido mortos, e havia quarenta feridos. Ninguém se incomodara em contar quantos haviam morrido entre a multidão.
– Quero Tyrek, vivo ou morto – Tyrion disse secamente quando Bywater se calou. – Ele não passa de um garoto. Filho do meu falecido tio Tygett. O pai sempre foi bom para mim. (ACOK, Tyrion IX)
Com a confusão e o caos do tumulto, não surpreende que Tyrek Lannister tenha se perdido. Sua aparência óbvia de Lannister e sua associação com a família real pode ter tornado Tyrek um alvo fácil para os manifestantes. Se ele fosse tratado com tanta brutalidade quanto Sor Preston ou Sor Aron, seu corpo poderia nunca ter sido encontrado entre os muitos mortos.
No entanto, o que é insatisfatório nessa explicação simples é o foco que o desaparecimento de Tyrek é dado por vários livros, muito depois que os incêndios na Baixada das Pulgas foram extintos. Em três momentos distintos, Tyrek e o mistério de seu desaparecimento após o tumulto são expressamente mencionados, muito embora nenhum personagens presentes pareça ser capaz de determinar o destino do pobre escudeiro.
O primeiro momento ocorre durante A Tormenta de Espadas. Tyrion, tentando uma reunião com seu pai (a nova Mão), encontra Sor Addam Marbrand na escada. Um cavaleiro bastante talentoso e amigo de infância de Jaime Lannister, Addam havia sido nomeado o novo comandante da Patrulha da Cidade, mas sua primeira tarefa provou ser um fracasso:
– Você vem dos aposentos de meu pai? – perguntou.
– Venho. Temo não tê-lo deixado no melhor dos humores. Lorde Tywin acha que quatro mil e quatrocentos guardas são mais do que suficientes para encontrar um escudeiro perdido, mas seu primo Tyrek continua desaparecido.
Tyrek era filho do falecido tio Tygett, um rapaz de treze anos. Desaparecera no tumulto, não muito tempo depois de se casar com a Senhora Ermesande, um bebê de peito que calhava ser a última herdeira sobrevivente da Casa Hayford. E provavelmente a primeira noiva na história dos Sete Reinos a enviuvar antes de ser desmamada.
– Também não fui capaz de encontrá-lo – confessou Tyrion. (ASOS, Tyrion I)
Pode ou não ser verdade que Sor Addam enviou todos os quatro mil guardas da cidade à procura do jovem Tyrek, mas o tamanho de sua força-tarefa em potencial só fez com que o fracasso em encontrar essa relação Lannister fosse maior – e mais intrigante. Sor Addam é um comandante respeitado, mas ninguém na capital era capaz de revelar maiores informações sobre o paradeiro de Tyrek, ou mesmo mais detalhes sobre o que aconteceu com o escudeiro Lannister durante o tumulto - um fato tornado mais notável em face da autoridade emanada por Addam. Lorde Tywin Lannister manifestou sua intenção de encontrar seu sobrinho, porém nem mesmo a mágica de seu nome conseguiu extrair mais uma gota de informação daqueles que poderiam saber sobre Tyrek.
É verdade que, durante a rebelião de Robert, Jon Connington não conseguiu extrair informações do povo de Septo de Pedra: ele havia oferecido subornos e ameaçado com punições, mas as pessoas se recusavam a revelar onde Robert Baratheon estava escondido na cidade. No entanto, lorde Tywin tinha uma reputação muito mais pavorosa do que Lorde Jon.
]Tywin não tinha vergonha de anunciar sua brutal extinção dos Reynes e Tarbecks por seu desafio aos Lannisters; alguns dos portorrealenses podem até se lembrar do Saque no fim da rebelião de Robert, quando os homens de Tywin mataram crianças na rua e estupraram mulheres em suas casas. Se os portorrealenses mentissem agora e fossem flagrados na mentira mais tarde, a retribuição que Tywin traria sobre eles e seus vizinhos seria implacável.
Então, por que ninguém deu a menor dica sobre o que aconteceu com Tyrek? Não há rumor de que ele teria sido morto (embora Bronn considerasse essa como a opção mais provável); em vez disso, Tyrek parece ter simplesmente sumido.
Mais tarde, o próprio Tywin enfatizou seu desejo de encontrar o filho de seu irmão em uma reunião do pequeno conselho:
– Dragões e lulas-gigantes não me interessam, independentemente de quantas cabeças tenham – disse Lorde Tywin. – Seus informantes terão por acaso encontrado algum rastro do filho de meu irmão?
– Infelizmente, nosso bem-amado Tyrek desapareceu por completo, pobre e bravo rapaz. – Varys parecia perto de rebentar em lágrimas. (ASOS, Tyrion III)
Pode-se questionar por que Tywin procuraria informações de Varys. Se milhares de policiais não puderam extrair o paradeiro de Tyrek daqueles que testemunharam o caos do tumulto, a próxima fonte de informação era naturalmente Varys e sua extensa rede de espionagem. O mestre dos sussurros pode não ser tão onisciente quanto muitos acreditam que ele é, mas seu catálogo de informantes é vasto e suas habilidades na coleta de informações são bem afiadas e praticamente inigualáveis.
Os plebeus podem relutar em admitir a oficiais sob a autoridade de Lorde Tywin que viram Tyrek assassinado e seu corpo destruído ou despejado no Água Negra, mas declarações casuais feitas em ambientes mais informais podem ser facilmente captadas por um agente da Varys e entregues ao mestre de sussurros. Era assunto oficial da coroa desde imediatamente após o tumulto encontrar Tyrek Lannister; era, ostensivamente, a responsabilidade premente de Varys coletar qualquer informação sobre esse ponto.
No entanto, embora Varys ostensivamente não tenha recebido informações, sua conduta nessa cena deve ser analisada. Não foi a primeira vez que Varys exibiu teatralmente uma tristeza dramática diante de um Lannister. Em A Fúria dos Reis, Tyrion organizou a prisão de Janos Slynt e seu exílio na Muralha, muito embora Slynt tivesse se recusado a revelar quem o havia ordenado a perseguir os assassinatos do bebê Barra e sua mãe. Após a cena com Slynt, Tyrion teve a seguinte conversa com Varys:
– [...] Foi a minha irmã. Foi isso que o Ah... tão... leal Lorde Janos se recusou a dizer. Cersei enviou os homens de manto dourado àquele bordel.
Varys sufocou um riso nervoso. Então, ele sempre soubera.
– Não me havia contado essa parte – Tyrion disse, acusadoramente.
– A sua querida irmã – Varys respondeu, tão desgostoso que parecia perto das lágrimas. – É duro contar isso a um homem, senhor. Tive receio de como receberia a notícia. É capaz de me perdoar? (ACOK, Tyrion II)
Mais uma vez, Varys conhecia um segredo que a Mão Lannister não conhecia. Encurralado para revelar a verdade ou passar uma mentira plausível, Varys optou por lágrimas dramáticas para transmitir uma sensação de pesar real à situação em ambos os casos. Suas habilidades na pantomima não haviam desvanecido, apesar de seus anos fora da profissão: como um pantomimeiro perfeito, Varys estava utilizando uma distração em sua demonstração de tristeza para desviar as atenções do público das questões prementes reais apresentadas a ele.
O truque não funcionou em nenhum dos dois homens - Tyrion insistiu em maior transparência do mestre dos sussurros, e Tywin estava pronto para "expressar a sua óbvia insatisfação" antes de ser desviado por Kevan - mas o fato de Varys usar a mesma tática duas vezes, diante de público similar, pode sugerir que Varys está mais uma vez privando os Lannisters de um segredo e que ele sabe exatamente o que aconteceu com o jovem Tyrek.
A conversa de Marbrand com Tyrion, no entanto, não seria a última vez que o herdeiro de Cinzamarca comentaria o caso do desaparecimento de Tyrek. Ao partir da capital, Jaime Lannister levou seu amigo de infância consigo. Permanecendo como convidados em Hayford - o assento brevemente ocupado por Tyrek - Addam falou o seguinte sobre a situação:
– Eu mesmo liderei uma busca, por ordens de Lorde Tywin – interveio Addam Marbrand enquanto tirava as espinhas de seu peixe –, mas não descobri mais do que o Bywater antes de mim. O rapaz foi visto pela última vez a cavalo, quando a força da turba quebrou a formação de homens de manto dourado. Depois disso... Bem, sua montaria foi encontrada, mas o cavaleiro não. O mais provável é terem-no derrubado e matado. Mas, se foi assim, onde está o corpo? A multidão deixou os outros cadáveres no local, por que não o dele? (AFFC, Jaime III)
Addam Marbrand levanta um ponto importante. Os corpos de Santagar e Greenfield foram descobertos mais tarde - mutilados, quase a ponto de não serem reconhecidos, mas identificáveis ​​-, sendo que a multidão não faz nenhuma tentativa de descartar os dois, que eram obviamente funcionários da corte. Certamente, o castigo pelo assassinato de um Lannister, primo em primeiro grau do rei (assumindo que a multidão soubesse quem Tyrek era), seria terrível. No entanto, o assassinato alguém de nascimento nobre como Santagar, ou um cavaleiro da Guarda Real, provavelmente também levaria terríveis punições.
As multidões de tumultos estavam em um estado caótico, mais em busca de sangue do que em fazer cálculos frios sobre suas vítimas, e com Tyrek não teria sido diferente. Por que apenas o corpo de Tyrek seria descartado de maneira tão completa que não restava nenhum vestígio dele?
Lyle Crakehall, outro homem do oeste na companhia de Jaime, fez a seguinte observação:
– Ele teria sido mais valioso vivo – sugeriu Varrão Forte. – Qualquer Lannister traria um robusto resgate. (AFFC, Jaime III)
O pensamento, no entanto, foi rápida e efetivamente descartado por Marbrand:
– Sem dúvida – concordou Marbrand –, e no entanto nunca houve um pedido de resgate. O rapaz simplesmente desapareceu. (AFFC, Jaime III)
Mais uma vez, Marbrand foi direto ao cerne da questão. Bronn havia observado anteriormente a oferta de Varys de uma “bolsa gorda” pela devolução de Tyrek, e sem dúvida Marbrand também acreditava que o eunuco mestre de espionagem tornara pública a oferta. Havia muitas oportunidades para os portorrealenses ganharem dinheiro com o desaparecimento de Tyrek, mantendo-o como refém quando a revolta estourou ou, posteriormente, alegando conhecimento do destino de Tyrek (talvez colocando a culpa pelo assassinato em vizinhos detestados).
No entanto, não havia um pingo de informação que pudesse revelar o que aconteceu com o escudeiro Tyrek. Uma gorda bolsa Lannister raramente falhara em soltar línguas antes, mas mesmo assim os rumores do destino de Tyrek não puderam ser arrancados dos habitantes da Baixada das Pulgas.
No comentário de Marbrand, Jaime fez sua própria conclusão - que os portorrealenses, tendo matado Tyrek, jogaram seu corpo no rio por medo da ira de Tywin - mas isso é insatisfatório, mesmo para o próprio Jaime. Por um lado, Tywin não estava na capital na época do tumulto e não retornaria até a Batalha do Água Negra. Na verdade, os portorrealenses poderiam temer o retorno de Lorde Lannister, mas o corpo de Tyrek teria que ser destruído durante o tumulto (uma vez que Tyrion enviou uma equipe de busca para ele logo ao retornar à Fortaleza Vermelha), fazendo do medo de Tywin uma motivação improvável.
Aprofundando-se na questão, Jaime avaliou o que Tyrek poderia representar:
Mas, mais tarde, sozinho no quarto de torre que lhe fora oferecido para a noite, Jaime deu por si com dúvidas. Tyrek servira o Rei Robert como escudeiro, ao lado de Lancel. O conhecimento podia ser mais valioso do que o ouro, mais mortífero do que um punhal. Foi em Varys que pensou então, sorrindo e cheirando a lavanda. O eunuco tinha agentes e informantes por toda a cidade. Seria coisa simples arranjar as coisas de forma que Tyrek fosse capturado durante a confusão... desde que soubesse de antemão que era provável que a turba entrasse em tumulto. E Varys sabia de tudo, ou pelo menos era isso que gostava de nos fazer acreditar. Mas não deu nenhum aviso a Cersei sobre esse tumulto. Nem desceu aos navios para se despedir de Myrcella. (AFFC, Jaime III)
Pode parecer óbvio demais que o destino de Tyrek nos seja transmitido através dos pensamentos internos de Jaime. Jaime certamente tem todos os fatos sobre o Tyrek aqui, mas o importante a se notar é que Jaime falha em juntar as peças. Ele sabe que Tyrek era um escudeiro, sabe que Lancel também era escudeiro, sabe que Lancel efetuou o plano de assassinato de Cersei, sabe que Varys poderia ter arrebatado Tyrek - mas depois para de pensar no assunto.
O monólogo interno de Jaime pode ser comparado à chance de Arya ouvir a trama entre Varys e Illyrio nos porões da Fortaleza Vermelha em A Guerra dos Tronos. De certa forma, é muito coincidente e direto - os leitores conseguem obter um ponto de vista dos dois conspiradores astutos discutindo abertamente seus planos acerca dos Targaryens exilados - mas porque Arya é apenas uma criança, não uma ladina, seu relatório da conversa é confusa e gentilmente descartada por Eddard. Jaime pode adivinhar que Tyrek pode ser útil, mas o modo como Varys poderia usá-lo está além do desejo ou habilidade analíticos de Jaime.
A evidência não resulta em uma conclusão simples. Todos os membros desaparecidos da comitiva real haviam sido devolvidos à Fortaleza Vermelha ou tiveram seus corpos encontrados - exceto Tyrek. Uma busca realizada após o tumulto não conseguiu encontrar mais do que o palafrém de Tyrek. Uma enorme força-tarefa da Patrulha da Cidade não fez nada para dissipar o mistério em torno do desaparecimento do garoto. Varys, o especialista em espionagem, parece ter deliberadamente ocultado informações que recebeu sobre Tyrek. Para onde o garoto poderia ter ido?
Pode ser que Tyrek não tenha sido assassinado nas ruas da Baixada das Pulgas – mas que ele esteja, de fato, vivo e escondido, sob os cuidados de Varys.

O Leão na teia da Aranha

O fato de Varys ter usado o motim em Porto Real para seqüestrar o jovem Tyrek parece uma conclusão possível, até mesmo provável. É improvável que Varys tenha planejado todo o tumulto em Porto Real - as pessoas estavam com fome e raiva o suficiente para não necessitarem de preparação -, mas uma instigação sutil poderia levar os portorrealenses a se aglomerarem nos pontos desejados, dentro dos quais Varys ou seu agente na multidão poderiam arrebatar Tyrek e o colocar sob custódia da Aranha.
Se ele era de fato o mentor por trás do tumulto, Varys havia improvisado uma hábil pantomima. A mulher com a criança morta que interrompeu a procissão real fora colocada na curva de uma rua morro acima; a comitiva real não apenas se moveria devagar, mas o fim da comitiva ficaria fora de vista. É provável que a mulher e o homem que jogaram sujeira em Joffrey tenham sido plantados, colocada em posição de detonar o conhecido pavio curto de Joffrey.
A mulher que se encaixa no gosto de Varys pelo teatral; e o atirador de estrume também parece obra dele, uma vez que a sujeira foi jogada de cima de um telhado. Previsivelmente, Joffrey enviou seu "cão" para a multidão para mutilar as pessoas obedientemente e assim, como era de se eseperar, a multidão de pessoas famintas e espumando tomou a brutalidade de Sandor Clegane como incentivo para retaliar. Plantando cuidadosamente seus agentes, Varys poderia garantir que o tumulto começasse na frente do desfile real, permitindo que o rei de repente corresse perigo a fim de distrair o sequestro de Tyrek na parte de trás da procissão e antes da curva do Caminho Lamacento.
O que Varys iria querer com Tyrek? Primeiro, Tyrek tem uma forte direito de sangue a Rochedo Casterly. Embora esteja agora distante do lugar em que nasceu, Tyrek saltou algumas posições desde então. Lorde Tywin está morto, Jaime inelegível por conta de seu manto branco e Tyrion, um regicida condenado e um traidor, está há dois continentes de distância de seu assento ancestral. Cersei, a Dama de Casterly Rock, está esperando para ser julgada por incesto, adultério e regicídio; ela provavelmente terá sucesso no julgamento, mas seu domínio sobre a coroa permanece tênue. Depois de Cersei e seus filhos viria Kevan Lannister, mas Sor Kevan foi recentemente assassinado - por ninguém menos que o próprio Varys. O filho de Kevan, Lancel, se tornou religioso após a Batalha do Água Negra, renunciou ao assento em Darry para se juntar aos Filhos do Guerreiro, ao passo que Willem foi assassinado por Rickard Karstark; seu irmão gêmeo Martyn e o pequeno Janei permanecem vivos, embora o paradeiro deles seja desconhecido. O próximo reclamante seria o próprio Tyrek.
Varys precisa de um herdeiro Lannister, para estabelecer uma nova ordem política em Westeros. Por quase duas décadas, Varys e Illyrio criaram o jovem Aegon como o príncipe ideal, futuro Senhor dos Sete Reinos, um salvador glorioso para resgatar o reino do caos. A invasão estrangeira, no entanto, pode ser apenas uma parte dessa nova conquista de Aegon: qualquer conquistador bem-sucedido (especialmente um sem dragões) exige o apoio da nobreza local para não apenas derrotar seus inimigos, mas estabelecer um regime viável para o futuro.
Dorne parece preparado para apoiar o principezinho “Targaryen”: posando como filho de Elia Martell, Aegon parece pronto para incitar muitos dorneses, já inquietos, a agir contra a odiada dinastia Lannister. O próximo e ousado investimento de Aegon em Porto Real garantirá sua posição como conquistador das Terras da Tempestade, e pelo menos dois poderosos senhores da Cmapina - e um número incerto de "amigos" - parecem prontos para se juntar à sua causa.
Para o resto dos Sete Reinos, no entanto, Varys precisará formular um plano de ataque diplomático. Tyrek, um Lannister do Rochedo, um legítimo Lorde leão (assim que algumas peças forem arrancadas do tabuleiro), pode servir como um fantoche útil para ganhar as Terras Ocidentais para o futuro Aegon VI.
É claro que, para sentar o jovem Aegon no Trono dos Reis Dragão, Varys precisa derrubar o rei-criança Tommen (e se desfazer da princesa Myrcella). A hoste que o príncipe de Varys estava liderando nas Terras da Tempestade será um forte punho de aço para defender seu ponto de vista, mas Varys também precisa da luva de seda de embasamento legal para arrancar a coroa de Tommen de seus cachos dourados.
A tática mais óbvia (e verdadeira) seria provar que Tommen e Myrcella eram bastardos nascidos do incesto, sem qualquer pretensão ao Trono de Ferro, assim como qualquer outro westerosi. Sua bastardia já era um boato comum em todo o reino, graças a Stannis, mas para encerrar a discussão, Varys precisava de alguém que pudesse oferecer provas.
Tyrek esteve com o rei, possivelmente o acompanhou a bordéis e viu seus bastardos de cabelos pretos como Barra. Além disso, Tyrek poderia testemunhar o papel que Lancel desempenhou ao provocar a morte de Robert, minando ainda mais a posição de Cersei. Cuidadosamente treinado por Varys, Tyrek poderia prestar testemunho que arrebataria a herança de seus primos, abrindo caminho para Aegon restabelecer a dinastia Targaryen.
Então, uma vez que Tommen e Myrcella fossem denunciados como bastardos, Tyrek permanece como a escolha ideal para ser nomeado Senhor de Casterly Rock por seu agradecido novo rei Aegon VI (Martyn e Janei apresentariam um desafio dinástico, mas considerando que Varys não tinha escrúpulos em assassinar o pai deles [Kevan], parece improvável que ele permita que esses pretendentes rivais também vivam). Desconectado dos escândalos dos Lannister em Porto Real, Tyrek é um candidato atraente para governar o oeste e se tornar parte da nova ordem westerosi de Aegon.

Conclusão

Em 1999, George RR Martin ofereceu esta breve e tentadora opinião sobre Tyrek Lannister:
RMBoye: Pergunta simples, de verdade - será que vamos descobrir o que aconteceu com o "Ama de Leite", Tyrek?
George_RR_Martin: Sim, você vai. Tento não deixar muitas pontas soltas. Mas às vezes é preciso aguardar.
Talvez os comentários dele devam ser feitos com mais do que um grão de sal; afinal, na mesma entrevista, ele insistiu que o crescimento dos livros pararia no sexto. Talvez já tenhamos visto Tyrek, no jovem bonito, com a bolsa de dragões de ouro, que Arya nota ter morrido na Casa de Preto e Branco. Talvez a Navalha de Occam esteja correta aqui: que Tyrek foi morto no tumulto sangrento e que os manifestantes jogaram seu corpo no rio para evitar o castigo severo que os Lannisters e a coroa provavelmente lhes causariam.
No entanto, o assassinato por um plebeu desconhecido, ou uma morte inexplicável na catedral de um culto de assassinos, parece uma revelação ruim para a qual o autor precisaria aconselhar termos paciência. De fato, parece mais provável que Tyrek esteja de fato vivo e que Varys tenha os meios, motivos e oportunidades para arrancá-lo da capital e segurá-lo para seus próprios usos.
Somente Os Ventos do Inverno servirá para mostrar se Tyrek retornará com o suposto Aegon VI e ocupará seu lugar em Rochedo Casterly. No entanto, o mistério absoluto em torno do desaparecimento de Tyrek continua alimentando especulações, e os leitores podem tentar prever como é que esse escudeiro de menor importância dos Lannister retornará à narrativa de modo grandioso.
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2019.11.01 19:34 altovaliriano Lemongate e além

Esta teoria famosa afirma que a Casa da Porta Vermelha, onde Daenerys viveu até os 6 anos com Viserys e Willem Darry não ficava em Braavos porque o clima da cidade não é proprício para o cultivo do limoeiro que Daenerys via da janela de seu quarto.
Como o caso Watergate foi um marco jornalístico na cobertura de conspirações políticas dos EUA e o termo "gate" é usado como sufixo para cobertura de escândalos políticos posteriores, a teoria foi sarcasticamente batizada de lemongate.
GRRM havia publicado os capítulos de Daenerys em A Guerra dos Tronos na edição de Julho/1996 da famosa revista Asimov’s Science Fiction (um mês antes do próprio livro ser lançado) sob o nome de "Blood of The Dragon". Alguns leitores foram atrás da revista e descobriram que a Casa da Porta Vermelha originalmente ficava em Tyrosh, e não em Braavos. Aí a coisa se intesificou. Houve até pessoas que entraram em contato com GRRM e ele até respondeu.
Há um texto bem completo no site Gelo & Fogo, cuja leitura sugiro a todos.
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Porém, não termina aí.
Recentemente eu descobri que usuários do subreddit asoiaf elaboraram um comparativo entre "Blood of The Dragon" e os capítulos de A Guerra dos Tronos e acharam distinções bem curiosas.
Primeiro, vejamos quais capítulos não foram incluídos pela revista:
Por fim, há uma tabela comparativa sobre o que quais foram as mudanças mais relevantes sofridas no texto:

BLOOD OF THE DRAGON A GUERRA DOS TRONOS
A casa com a porta vermelha fica em Tyrosh A casa fica em Braavos
Aegon casou com sua irmã Rhaenys Aegon casou com suas irmãs Rhaenys e Visenya
Daenerys tem 12 anos Daenerys tem 13 anos
Estão na casa de Illyrio há 1 mês Estão há 6 meses
Viserys tem 20 anos [não menciona-se sua idade]
As jóais que Daenerys usa quando é apresentada a Khal Drogo são “pulseira cravejadas de rubis em cada pulso” e "um pesado cordão de ouro torcido ornado com glifos dothraki” "pulseiras douradas incrustadas de ametistas em seus pulsos"; "um pesado cordão de ouro torcido ornado com antigos glifos valirianos"
Daenerys sonha com Drogon (antes dele nascer), mas seus olhos são como “lagoas de ouro derretido” "lagoas de magma derretido"
Doreah conta história de dragões saindo da segunda lua
Quando Daenerys põe os ovos no braseiro, são Irri e Jiqui quem ajeitam tudo. A tentativa de envenenamento não existiu. Daenerys põe os ovos no braseiro depois da tentativa de envenenamento, mas é Jorah quem acende o braseiro.
Jorah conta a Dany sobre os Dothraki e como eles podem se sair invadindo Westeros.
Dany está grávida de 8 meses quando o khalasar deixa Vaes Dothrak. Nenhuma menção de quanto tempo está grávida.
Quando Mirri Maz Duur está montando o ritual para curar Drogo, ela diz explicitamente que precisa do sangue do cavalo de Drogo – Precisamos do sangue – respondeu Mirri. – É este o caminho.
Quando Dany tenta despertar Drogo de seu coma fazendo sexo com ele, o cometa vermelho já está no céu O comenta não apareceu ainda
O cometa vermelho aparece pela primeira vez na noite em que Dany queima Drogo e os dragões nascem
Dany vê vários animais nas chamas da pira de Drogo Ela vê peixes, raposas, monstros, lobos, pássaros brilhantes, árvores floridas na versão publicada que ela não vê na novela. Mais debates aqui
“Agora, ela pensou, agora, e por um instante, apenas um instante, ela vislumbrou Khal Drogo diante dela, montado em seu garanhão de fumaça, um chicote flamejante na mão. Ele sorriu para ela, e o grande chicote serpenteou na pira, assobiando. "garanhão cinzento"

Algumas notas também foram adicionadas fora da tabela:
Drogo havia jurado a ela quando estavam ao lado do Ventre do Mundo, em Vaes Dothrak.
- Darei a meu filho a cadeira de ferro na qual o pai de sua mãe se sentou. Darei a ele Sete Reinos. Eu, Drogo, khal, farei isso - prometeu ele. - Vou levar meu khalasar para o oeste, onde o mundo termina e cavalgarei com os cavalos de madeira pela água negra salgada, como nenhum khal fez antes. Matarei os homens que vestem roupas de ferro, derrubarei suas casas de pedra e trarei seus deuses quebrados de volta a Vaes Dothrak. Assim jura Drogo, filho de Bharbo, diante da Mãe das Montanhas, enquanto as estrelas olham para baixo como testemunha.
Eles haviam deixado Vaes Dothrak dois dias depois, marchando para o sudoeste pelas planícies, Khal Drogo liderou o khalasar em seu grande garanhão vermelho, com Daenerys ao lado dele, em sua Prata. Ela estava grávida fazia oito luas agora, mas as mulheres dothraki cavalgavam quase até o dia em que davam à luz.
(Blood of the Dragon, tradução minha)

Preston Jacobs (!) fez uma interessante anotação sobre o caso neste mesmo tópico:
Eu esqueceria o limoeiro e o consideraria um remanescente de [originalmente ter sido em] Tyrosh caso o GRRM não tivesse voltado a isso em ASOS e colocasse tantos personagens comentando o clima de limões. Independentemente de ele estar nos sacaneando ou não, as coisas já são muito mais deliberadas agora.
O que é interessante é que o sotaque Tyrosh de Daenerys é mencionando na cena no mercado, que não está presente em Blood of the Dragon. (Apesar de que talvez GRRM a tenha escrito e apenas a omitiu).

Humildemente, eu ainda adiciono duas notas minhas (muito embora eu não tenha lido Blood of the Dragon):
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2019.10.26 04:02 altovaliriano O Protegido de Rosby

Link: https://warsandpoliticsoficeandfire.wordpress.com/2016/02/19/heirs-in-the-shadows-the-ward-at-rosby/
Autores: GoodQueenAly; @BryndenBFish

Introdução
A Casa de Rosby nas Terras da Coroa pode não parecer, à primeira vista, dinasticamente importante entre os domínios senhoriais de Westeros. Chamada por Brienne de "pouco mais que um lugarejo à beira da estrada", Rosby é juramentada diretamente ao rei no Trono de Ferro, mas seus recursos e influência são, na melhor das hipóteses, regionais. Seu último senhor, Gyles, era notável apenas por seu perene mal-estar, e sua morte não gerou mais do que um aceno desdenhoso de mão feito pela Rainha Regente.
Não obstante, o Grande Meistre Pycelle duas vezes manifestou preocupação em relação ao protegido do falecido Lorde Gyles, e seus comentários devem ser lembrados. Embora Cersei possa ter desconsiderado displicentemente o protegido de Gyles Rosby como não sendo um problema sério na sucessão de um núcleo relativamente insignificante nas Terras da Coroa, ela poderá ter motivos para arrepender-se de tais sentimentos no futuro. De fato, Cersei pode descobrir que o protegido de Rosby é um inimigo mais firme do que ela jamais poderia imaginar - alguém cuja lealdade política contrasta fortemente com a dela.
[...]
Casa Rosby de Rosby
Um pouco de história sobre a própria Casa Rosby pode servir para contextualizar - e potencialmente prenunciar (foreshadow)- o problema da sucessão de Rosby enfrentado em O Festim dos Corvos. Rosby é uma Casa antiga, datando, no mínimo, da invasão dos Ândalos, sendo provavelmente mais antiga do que isso: o segundo rei Justman a governar as Terras do Rio incorporou Valdocaso, Rosby e o local onde futuramente seria Porto Real a seu Reino dos Rios e Colinas, enquanto o segundo rei Hoare fez os Rosbys vassalos dos homens de ferro. Talvez previsivelmente, dada a crueldade do rei Harren Hoare, os Rosbys estavam ansiosos para se livrar de seus senhores nascidos do ferro; Rosby foi uma das primeiras casas de Westeros a dobrar os joelhos para os Targaryen, rendendo-se a Rhaenys sem luta.
Os Rosbys permaneceram fiéis ao regime Targaryen, mas também não se intimidaram em demonstrar opiniões políticas independentes. Durante a Dança dos Dragões, por exemplo, Lorde Rosby, juntamente com Lorde Stokeworth, eram inicialmente apoiadores de Rhaenyra, mas ambos passaram a apoiar Aegon II (presumivelmente após Criston Cole atacar as casas que faziam parte dos "pretos" nas Terras da Coroa); Rhaenyra executou posteriormente os dois. Sua decisão, no entanto, não viria sem custo para ela mesma. Ao final da guerra, quando Rhaenyra fugiu de Porto Real sob o manto da escuridão, ela esperava encontrar abrigo e apoio entre seus senhores das Terras da Coroa. Em vez disso, encontrou os portões de Rosby firmemente fechados para ela, e o castelão de Stokeworth permitiu-lhe apenas uma noite de estadia.
A riqueza de Rosby não é grande, mas o que faz de Rosby um lugar com potencial importância estratégica é seu uso durante a guerra. Porto Real depende de importações para sobreviver. Durante o tempo de paz, a Campina e as Terras Fluviais servem como celeiros férteis para o bem-estar da capital. Entretanto, se uma delas – ou (que os Sete não permitam!) ambas - forem isoladas da cidade, Porto Real deve recorrer a Rosby e Stokeworth para se abastecer. Esses suprimentos limitados podem levar à escassez aguda de alimentos na capital, mas os alimentos fornecidos por Rosbys e Stokeworths seriam a única alternativa da capital contra a fome total.
O último homem a dominar essa casa menor-mas-notável foi Gyles Rosby. Durante a maior parte da Guerra dos Cinco Reis, Gyles serviu em grande parte como um observador quase invisível dos eventos na corte de Porto Real. Embora o príncipe Tommen tenha passado a Batalha da Água Negra abrigado com segurança atrás dos muros de Rosby, Lorde Gyles passou a batalha na Fortaleza Vermelha com Cersei, Sansa e as mulheres. Inesperadamente, no entanto (sem dúvida para ele, acima de tudo), Gyles chegou ao poder em O Festim dos Corvos: a Rainha Regente Cersei, profundamente desconfiada do potencial candidato dos Tyrell para o cargo de Mestre da moeda, preferiu nomear Lorde Gyles.
O cargo não era fácil, pior ainda com a tosse debilitante do senhor de Rosby. Assediado por um enviado do Banco de Ferro (a quem a coroa devia, e ainda deve, débitos enormes, os quais a coroa não pagará até que a Guerra dos Cinco Reis estiver definitivamente acabada), Lorde Gyles por fim viu a pressão do compromisso cobrar taxas elevadas de seu frágil sistema. Derrotado, Gyles acabou morrendo da tosse.
Gyles Rosby aparentemente nunca se casara e certamente nunca teve filhos legítimos. Então, quando o Lorde Tesoureiro morreu, a sucessão às terras de Rosby seria motivo de preocupação para seu suserano - a rainha regente, Cersei Lannister. Para surpresa do Grande Meistre Pycelle, no entanto, a rainha não parecia preocupada com a situação:
– E quanto a Lorde Gyles, não há dúvida de que o Pai no Céu o julgará com justiça. Não deixou filhos?
– Não há filhos de sua semente, mas há um protegido...
– ... que não é do seu sangue – Cersei ignorou aquele aborrecimento com um golpe de mão. (AFFC, Cersei IX)
Cersei ofereceu sua própria solução drástica: alegar que Lorde Gyles desejava deixar suas terras e propriedades para a Coroa, encher os cofres reais com a riqueza de Rosby e conceder ao castelo algum detentor leal (como seu amado almirante, Aurane Waters). O Grande Meistre Pycelle, no entanto, tinha reservas significativas à sugestão de que a coroa simplesmente deveria apropriar-se de Rosby e apresentou um potencial problema no estratagema de Cersei:
– Lorde Gyles adorava Vossa Graça de todo o coração – Pycelle disse –, mas... seu protegido...
No entanto, Cersei parecia despreocupada que o protegido representasse alguma dificuldade:
– ... sem dúvida irá compreender, depois de ouvir você falar do desejo expresso por Lorde Gyles ao morrer. Vá, e cuide do assunto. (AFFC, Cersei IX)
As míopes maquinações políticas de Cersei enquanto regente não são o assunto deste ensaio, mas sua rápida negação do problema de Rosby (combinada com sua solução pró-coroa) pode nos induzir a erro sobre quão perigoso o protegido de Gyles poderia ser. As palavras de Pycelle parecem sugerir que a ala de Rosby não era apenas um adulto (e, portanto, poderia oferecer resistência à trama da coroa), mas alguém que estaria interessado na herança de Rosby como um herdeiro em potencial – e que veria como inimizade o controle do regime Lannister sobre o assunto. Naturalmente, para permanecer como herdeiro de Lorde Gyles, o protegido teria que ser um parente - alguém que pudesse ter laços de sangue com o pobre e tossegoso tesoureiro e herdar o castelo e as terras.
Digite Olyvar Frey.
O Frey com manto de arminho
Um Frey interessado na herança de Rosby pode parecer estranho à primeira vista. As Gêmeas certamente não são vizinhos próximos das terras de Rosby, nem Walder Frey é um herdeiro óbvio do legado de Rosby. Embora o atrasado Lorde Frey possa não estar na linha de sucessão de uma Casa nas Terras da Coroa, um de seus filhos pode muito bem estar: Olyvar Frey.
Olyvar Frey é o décimo oitavo filho de Walder Frey e o quarto filho de seu casamento com Bethany Rosby. Não está clara qual é a relação de Lady Bethany com Gyles, mas, seja irmã, sobrinha ou prima, Bethany era parente do Tesoureiro nomeado por Cersei. A casa Rosby pode não ser notada pela robustez, mas Bethany conseguiu dar a Walder quatro filhos e uma filha. Os dois mais velhos, Perwn e Benfrey, eram cavaleiros no início de A Guerra dos Tronos; o terceiro filho Willamen foi enviado para a Cidadela, enquanto a única filha Roslin se casaria mais tarde com Edmure Tully.
E o próprio Olyvar? Parece muito provável que, quando menino, Olyvar foi criado com seu parente, Gyles, em Rosby. Os filhos e descendentes do Senhor da Travessia já haviam morado com as casas de parentes maternos antes: Merrett Frey serviu como pajem e escudeiro para Sumner Crakehall, parente de sua mãe Amarei; Geremy Frey, casado com Carolei Waynwood, enviou seu filho e filha para Ferrobles como escudeiro e protegida. Aparentemente inexistindo outro membro da família em Rosby, Lorde Gyles seria a única opção para olhar por esse Frey meio Rosby; como Gyles não tinha filhos, talvez Gyles (ou Walder) estivesse considerando nomear um dos Freys-Rosby como seu herdeiro (da mesma forma que Leobald Tallhart desejava que Lady Hornwood nomeasse o sobrinho de seu marido, Beren Tallhart, herdeiro de Hornwood).
Olyvar, no entanto, é apresentado pela primeira vez nas Gêmeas, após a negociação de Catelyn com Lorde Walder:
– O filho de Lorde Frey, Olyvar, virá conosco – ela prosseguiu. – Deverá servir como seu escudeiro pessoal. O pai quer vê-lo feito cavaleiro a seu tempo. (AGOT, Catelyn IX)
Essa afirmação, contudo, não deveria ser tomada como evidência de que Olyvar não teria sido protegido de Rosby. Mesmo quando Robert Baratheon e Eddard Stark foram protegidos no Ninho da Águia, eles faziam visitas ocasionais a seus respectivos lares (viagens tão longas, se não mais, do que a estrada entre As Gêmeas e Rosby); além disso, quando Ned e Robert completaram 16 anos, os dois garotos ficaram livres para ir e vir do Ninho da Águia à vontade. Olyvar tinha 17 ou 18 anos durante A Guerra dos Tronos, um homem adulto, e uma visita às Gêmeas não seria algo impossível (ou sequer improvável).
Além disso, não surpreende que Walder aproveitasse essa oportunidade caso seu filho estivesse em casa em uma visita, vindo de onde era protegido. Embora Olyvar possa parecer velho demais para um escudeiro nobre - dois anos mais velho que Robb, quando a maioria dos meninos de nascimento nobre começa o serviço entre nove e 12 anos – uma criação em Rosby explicaria claramente essa situação. Gyles, sempre considerado um homem fraco e doentio, dificilmente poderia ter treinado Olyvar nos aspectos marciais da cavalaria, e quando a reputação do cavaleiro tem um impacto tão profundo sobre o de seu escudeiro, ser armado cavaleiro por qualquer outra pessoa em Rosby simplesmente não transmitiria a importância necessária da graduação de Olyvar na cavalaria. Robb Stark, por outro lado, era jovem e marcial: como o novo Lorde de Winterfell, Robb poderia instruir um cavaleiro assim como trazer honra a qualquer garoto ou homem que se tornasse seu escudeiro. Assim, Olyvar poderia se tornar cavaleiro com a cerimônia e a grandeza adequadas ao seu sangue nobre.
De sua parte, Olyvar nunca reclamou de servir a um senhor (e subsequentemente rei) dois anos mais novo que ele: em vez disso, Olyvar completou seus deveres de escudeiro com muita dedicação. Sabe-se que Olyvar lutou como membro da guarda pessoal de Robb durante a Batalha do Bosque dos Sussurros, desempenhou funções cerimoniais enquanto o rei Robb fazia audiências em sua corte e acompanhou o rei em sua campanha pelas Terras Ocidentais. De fato, sua dedicação ao Jovem Lobo era tal que Olyvar estava disposto a ignorar o grande insulto à Casa Frey que foi o casamento de Robb com os Westerling - uma indulgência não compartilhada por seus parentes Frey:
– Não era essa a minha intenção. Sor Stevron morreu por mim, e Olyvar foi um escudeiro tão leal como qualquer rei pode desejar. Pediu para ficar comigo, mas Sor Ryman levou-o com os outros. (ASOS, Catelyn II)
Enquanto Walder Frey e Roose Bolton conspiravam para assassinar Robb Stark, os Frey tiveram o cuidado de apartar aqueles membros da família que eles suspeitassem permanecerem leais ao rei que eles antes aclamavam. Olyvar e seu irmão mais velho, Perwyn, ocuparam o topo da lista:
– Tinha a esperança de pedir a Olyvar para me servir como escudeiro quando marchássemos para o norte – disse Robb –, mas não o vejo aqui. Estará no outro banquete?
– Olyvar? – Sor Ryman balançou a cabeça. – Não. Olyvar não. Partiu... partiu dos castelos. Dever.
– Compreendo. – O tom de Robb sugeria o contrário. (ASOS, Catelyn VII)
Catelyn esbofeteou-o com tanta força que lhe abriu o lábio. Olyvar, pensou, e Perwyn, Alesander, todos ausentes. E Roslin chorou... (ASOS, Catelyn VII)
“Deveres” afastaram esses leais Freys das Gêmeas na época do casamento vermelho, e “deveres” aparentemente ainda mantêm Olyvar longe de casa: nenhuma menção a ele é feita após o massacre. Se Olyvar já servira com protegido em Rosby antes, Rosby poderia parecer o local natural para onde Olyvar iria durante o Casamento Vermelho. Longe das Gêmeas e, principalmente, sem importância política, Rosby serviria como um exílio interno temporário, no qual Olyvar estaria impedido de tentar qualquer movimento tolo para restabelecer a monarquia Stark.
Olyvar, no entanto, sempre foi lembrado por sua forte lealdade pessoal a Robb Stark. Essa lealdade desapareceria com um mero encarceramento clandestino em Rosby? Ou, ao contrário, Olyvar buscaria vingança contra os responsáveis ​​pelo assassinato grosseiramente traiçoeiro do rei a quem ele havia servido tão fielmente?
O Jovem Protegido
A oportunidade de Olyvar se reafirmar começou no final de O Festim dos Corvos. Cersei anunciara seu plano de engolir Rosby com pouca consideração sobre o que o protegido de Rosby diria sobre o assunto. A rainha comentou que o protegido não era do sangue de Gyles, como se quisesse enfatizar a tênue conexão que ele tinha com a herança de Rosby. A casa paterna de Olyvar é Frey, e então Cersei - nunca muito meticulosa com assuntos que não concerniam a ela - pode nunca ter se dado ao trabalho de descobrir que Olyvar tinha descendência direta de Rosby e, portanto, simplesmente concluiu "não é do seu sangue". No entanto, mesmo sem ter o sobrenome “Rosby” ou ser descendente do próprio Gyles, Olyvar poderia representar uma verdadeira ameaça para a questão da sucessão em Rosby. Seu sangue de Rosby provavelmente seria pelo menos tão próximo da linhagem de Gyles quanto o de Falyse, ou até mais (esta última era apenas a prima em terceiro grau do falecido Lorde Rosby); além disso, o jovem Olyvar teria cerca de dezoito ou dezenove anos, suficientemente velho para causar problemas se decidisse reivindicar seus direitos a Rosby.
De fato, o protegido agiu com forte convicção durante O Festim dos Corvos (mesmo antes da morte de seu pai de criação, Gyles). Falyse, herdeira de Stokeworth, vizinho de Rosby, havia voltado para casa brevemente no início de O Festim dos Corvos, mas logo depois voltou para a capital. Sua curta jornada, no entanto, teve consequências:
– Desconfortável – lamentou-se Falyse. – Choveu quase o dia todo. Pensávamos em passar a noite em Rosby, mas aquele jovem protegido de Lorde Gyles nos recusou hospitalidade – fungou. – Guarde minhas palavras. Quando Gyles morrer, aquele desgraçado malnascido há de fugir com o seu ouro. Até pode tentar exigir as terras e a senhoria, embora legitimamente Rosby deva passar para as nossas mãos quando Gyles falecer. (AFFC, Cersei V)
A descrição desdenhosa de Falyse do protegido como um "desgraçado malnascido" não deve sugerir que o protegido não possa ser Olyvar Frey, só porque Olyvar é de nascimento nobre. Suas palavras afiadas podem simplesmente ter motivação pessoal - aborrecimento por um vizinho recusar o que deveria ser dado a uma herdeira e cortesã das Terras da Coroa, uma violação das boas maneiras entre vizinhos. Por outro lado, Falyse poderia estar se referindo à vil reputação que Casa Frey ganhou desde o Casamento Vermelho. Embora nominalmente aliados do Trono de Ferro, com Emmon Frey sendo o novo Lorde de Correrio, a traição explícita do Casamento Vermelho minou a reputação dos Frey em Westeros:
– As Gêmeas também apoiaram a causa do Jovem Lobo – lembrou aos Frey. – Depois o traíram. Isso faz que sejam duas vezes mais traiçoeiros do que Piper” (AFFC, Jaime VI)
– Guarde seu aço, sor! É um Corbray ou um Frey? Aqui somos hóspedes. (AFFC, Alayne I)
Simplesmente levar o nome de "Frey" marcaria Olyvar como parente de assassinos de reis e violadores do antigo e sagrado direito de hóspede. Falyse também reconheceu a possibilidade de que o protegido tentasse reivindicar o senhorio quando da morte de Gyles - uma sugestão, talvez, de que Falyse sabia que o protegido teria algum direito a Rosby por sangue (embora ela tenha sublinhado rapidamente que ela tinha uma pretensão mais forte - um ponto que não pode ser discutido enquanto a conexão de Bethany Rosby com a linha de Gyles permanecer desconhecida). A declaração de Falyse de que o protegido era jovem também não deveria excluir a possibilidade de ser Olyvar; presumivelmente, se o protegido fosse jovem como uma criança, o castelão de Rosby teria tomado a decisão sobre quem poderia permanecer como convidado (como fez o castelão de Rosby durante a Dança).
De certa forma, então, haveria uma ironia divertida na ação do protegido de Rosby, se o jovem fosse de fato Olyvar Frey. Embora nascido nos costumes sulistas das Terras Fluviais, Olyvar estaria ciente da importância do direito do hóspede:
Um costume notável que é mais caro para os nortenhos do que qualquer outro é o direito de hóspede, a tradição de hospitalidade pela qual um homem não pode causar dano a um hóspede sob seu teto, nem um convidado ao seu anfitrião. Os ândalos tinham algo parecido com isso também, mas é algo muito menos presente nas mentes sulistas. [...] Só o assassinato de parentes é considerado tão pecaminoso quanto as violações das leis da hospitalidade. (TWOIAF, O Norte)
Saber que seus parentes nas Gêmeas haviam oferecido falsamente ao rei Robb e à mãe a proteção do direito de hóspede e depois assassinado os convidados leais no casamento teria sido, portanto, profundamente chocante e espantoso para o jovem Olyvar. Quando Falyse Stokeworth chegou à sua porta, então - uma notória simpatizante e aliada dos Lannister - Olyvar aproveitou a oportunidade para demonstrar o quão fortemente ele ainda acreditava no direito dos hóspedes. Embora os Lannisters e seus parentes traiçoeiros não acreditassem nas obrigações de um anfitrião para com um hóspede, Olyvar mostraria que sabia o que significava direito de hóspede. Ele não se comprometeria com gente próxima dos violadores do direito dos hóspedes, recusando-se fornecer salvo conduto aos aliados daqueles que desafiavam abertamente uma das tradições mais antigas e sagradas de Westeros.
A herança de Rosby
No epílogo de A Dança dos Dragões, o problema de Rosby permanece sem resolução:
Há mais alguma coisa?
O Grande Meistre consultou seus papéis.
– Devíamos endereçar a herança de Rosby . Seis petições foram colocadas...
– Podemos tratar de Rosby em alguma data futura. O que mais?
Não está claro quem faz parte da lista de Pycelle; presumivelmente, uma boa quantidade de famílias nas Terras da Coroa tem laços por casamento com a Casa Rosby. Também não está claro se o protegido de Rosby está nessa lista, apesar de que, como os únicos membros conhecidos da Casa Rosby na narrativa moderna sejam Lorde Gyles e Bethany, os filhos Frey desta última parecem altamente propensos a ser pelo menos um ponto de discussão na sucessão da Casa.
O próprio Olyvar provavelmente não seria o primeiro na fila para herdar Rosby; seu irmão mais velho, Perwyn, deveria legalmente vir antes dele em qualquer questão sucessória. É verdade que Gyles poderia ter nomeado Olyvar seu herdeiro a fim de manter Perwyn na linha das Gêmeas (da mesma forma que Leobald Tallhart ofereceu o próprio filho mais novo para manter seu mais velho, Benfred, com herdeiro de Praça de Torrhen), embora isso pareça uma pouco provável: Perwyn pode estar à frente de seus irmãos mais novos, mas ele e Olyvar são legalmente o septuagésimo terceiro e o septuagésimo sexto na linha das Gêmeas, respectivamente. Dificilmente próximos do Senhorio da Travessia.
Se Olyvar se considera o legítimo Lorde de Rosby, ou apenas o está segurando para seu igualmente honrado irmão Perwyn (Daven Lannister considera Perwyn um "tipo decente", especialmente quando comparado ao perigoso Walder Rivers), Olyvar como protegido de Rosby teria controle exclusivo sobre a sede nas Terras da Coroa em um futuro próximo. Esse controle pode representar um forte problema para Cersei, já que seu regime fragmentado enfrenta crescentes pressões externas. Com o Jovem Aegon marchando das Terras da Tempestade, certos senhores da Campina abandonando o leão pelo dragão, e as Terras Fluviais potencialmente experimentando ainda mais agitação no futuro, a capital provavelmente experimentará um novo cerco. Rosby seria a tradicional salvação alimentar de Porto Real - mas não sob Olyvar Frey.
Em vez disso, Rosby e Stokeworth podem simplesmente assistir Cersei desmoronar com a chegada do pretendente Targaryen, alterando suas lealdades e recusando qualquer ajuda à rainha, como aquelas sedes fizeram com Rhaenyra no passado. Stokeworth é governado agora por "Lorde" Bronn, um perfeito oportunista que sem dúvida veria mais prosperidade com o Jovem Dragon do que com Cersei e seu número decrescente de aliados. Olyvar, naturalmente, não deseja ver no poder a irmã do homem a quem Roose Bolton nomeou quando esfaqueou Robb. É verdade que Aegon não é o rei Stark que Olyvar serviu tão fielmente, mas a ajuda do jovem Frey ao pretendente Targaryen viria menos de sua adesão ideológica à causa Targaryen e mais de seu desejo de vingar seu falecido senhor. A história se repetiria, com uma rainha em Porto Real sendo novamente rejeitada pelos mestres de Rosby e Stokeworth - dois lugares que ela ignorara e desprezara no passado.
Curiosamente, Olyvar pode ainda encontrar um Stark para servir, em um lugar improvável. Seu irmão do meio, Willamen, treinado como meistre, agora serve à Casa Hunter em Solar do Longarco, uma casa proeminente, juramentada aos Arryns. Também no Vale, está Sansa Stark sob disfarce, a quem Mindinho planeja dar o Ninho da Águia (por casamento) e Winterfell. Se Olyvar deseja ver o herdeiro de Robb sentado em Winterfell, Sansa seria uma escolha óbvia. A rapidez com que Willamen descobriria que “Alayne Stone” é de fato a herdeira de Stark não é clara, mas, se o fizesse, Olyvar poderia declarar que Rosby não conhece nenhuma rainha além da rainha do Norte, cujo nome é Stark.
Conclusão
Que George R. R. Martin cuida de colocar várias camadas nos mistérios importantes dos livros não deve surpreender os leitores de As Crônicas de Gelo e Fogo. A herança de Rosby é apenas um mistério: mencionado com frequência suficiente para ficar na mente do leitor, mas não com tanta frequência que se torna óbvio demais – e que, aparentemente, só serviria à politicamente irrelevante questão de quem governará Rosby - o problema de Rosby deixa muito espaço para os leitores especularem. Tendo demonstrado as restrições que Rosby e Stokeworth podem exercer na capital, durante a Guerra dos Cinco Reis, e agora ocasionando tensões iguais no regime de Porto Real, o autor conseguiu tornar a questão comparativamente menor do herdeiro de Rosby em uma das grandes implicações políticas futuras.
Certamente, Olyvar Frey como protegido ou futuro Lorde de Rosby deve permanecer por enquanto no campo da especulação. No entanto, seu próximo e conhecido parentesco com Rosby - exclusivo de seu ramo da Casa Frey, em aparentemente toda Westeros - faz dele um candidato muito provável a pelo menos o primeiro e, possivelmente, o segundo título [Protegido, Lorde]. Trazer de volta um personagem terciário leal para esmagar ainda mais o reino de Cersei pode dar uma satisfação narrativa bem-vinda à história. Embora Freys tenha assassinado o rei Robb, a senhora sua mãe e companheiros, Olyvar poderia demonstrar que nem todos os Freys precisam ser traiçoeiros - e que aqueles que toleraram o assassinato de seu rei sofreriam as consequências.
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2019.06.23 18:27 rubnesio Top 10 melhores(PIORES) cenas MARCANTES do livro As Crônicas de Arian Vol.1, com CLÍMAX, SEM CENSURA e versão SURTADA, sem nenhum revisor

A review COMPLETA foi postada aqui: Link
Depois de muitos incentivos de amigos e do pessoal do Twitter, li finalmente a obra do Youtuber Marco Abreu, publicada ano passado, 2018, em versão digital. Admito não ter ido com expectativas positivas do que esperar. O autor já demonstra limitações textuais no seu blog pessoal, quanto a posts mal escritos e um vocabulário muito limitado, cheio de vícios de linguagens e erros ortográficos. Mesmo tendo essa noção, fui surpreendido (negativamente) por um produto literário de conteúdo horrível, preguiçoso e de péssima qualidade.
Primeiro, um “pequeno” resumo do livro:
Resumo da história
Sinopse: “Um garoto acordou sem suas memórias perto de uma estrada do Sul. Com ele, apenas uma espada em condições ruins, mas com propriedades anormais. Ajudado por uma família, e depois por membros de uma guild, ele logo constatou que todos que ficavam perto dele acabam sofrendo, e se isolou.
Felizmente, ele nunca estava sozinho, uma fantasma, estava sempre a seu lado. Nos seus momentos mais felizes, e nos mais tristes, ela sempre estava lá para apoiá-lo. E com ela, ele seguiu, em busca de um sentido para sua vida, e respostas para os mistérios que o cercavam.
Um dia, finalmente conseguiu uma forma de obter respostas sobre si mesmo, ao entrar em uma missão, que, teoricamente, era para ser simples. Mas a missão não era o que aparentava. O que começou como uma escolta, virou algo sem precedentes na história do seu mundo.”
Se você leu a sinopse acima, a impressão que fica é: o livro vai contar a história do Arian nessa missão, em busca do seu passado perdido, enfrentando perigos ao longo do caminho, correto? E se eu disser que a história PRINCIPAL só começa depois do capítulo 20, onde ½ do livro são arcos periféricos que não agregam em nada a narrativa? Pois então...Vou tentar ser muito sucinto nessa parte, até para não alongar muito o texto, que já está grande para um caralho.
Começamos o livro com um arco de apresentação. Até aí tudo bem, porque é o que se espera do começo de um livro. Introduzir os seus personagens antes da grande aventura que irão enfrentar. E a sinopse dá entender que iria começar o capítulo introdutório com o passado do protagonista após acordar na beira da estrada. Então...não é bem assim que acontece de fato.
O primeiro arco começa em um bar, a partir da visão do segurança(???) do local, com seus pensamentos descritos pelo narrador do livro (a escrita é em terceira pessoa). Você já começa a torcer o nariz com aquele mundo, graças a inserção de vários conceitos avulsos e perdidos que não condiz muito com a realidade relatada. Aquele universo lembra muito o período medieval/feudos da nossa história antiga/idade média. Porém, o que nos foi apresentado é um mundo em que temos:
· Um sistema militar hierárquico e organizado, onde temos patente e divisão de funções bem definidas.
· A função/emprego de segurança em locais privados como bares(não são militares e sim pessoas normais sem treinamento específico).
· Sistema econômico complexo (conceitos avançados) , com noções de valores e mercado financeiro (só faltou citar a inflação no livro).
Entre diversas coisas, que geram certa estranheza e uma bagunça dentro das próprias regras estipuladas nas descrições. Vamos relevar por enquanto essa confusão de ideias prosseguir com o livro.
Voltando ao resumo, esse primeiro arco é basicamente uma forma de apresentar a GRANDE FORÇA “OCULTA” que o Arian tem no quesito podeforça. E qual a situação que o autor escolhe para demonstrar isso? Uma cena de ESTUPRO 🤦‍♂️(já vou abordar esse assunto mais para frente). Tudo se passa com uma MEIA-ELFA (enfatizo a palavra, porque é a motivação principal do Arian são essas mestiças inter-raciais), junto com o segurança (namorado dela), em que ambos são atacados por militares MALDOSOS e SÁDICOS (adjetivos usados a exaustão para todos os vilões desse primeiro livro). São salvos pelo protagonista aparecendo no momento previsível e oportuno. Depois do resgate, o Arian parte para outra jornada. Acabou o primeiro e nisso, já foram seis capítulos do livro. Enfim, um arco ruim e tosco que só serviu para apresentar três personagens que são de fato úteis: o Arian, o Cavaleiro Negro que o auxilia no resgate e na batalha (falo mais sobre ele depois), e da (nome da fantasma que está na sinopse e esquecida pelo autor por quase todo livro).
Em seguida, temos um segundo arco cheio de clichês até no talo. Um TORNEIO DE COMBATE está acontecendo, com a óbvia participação do Arian, é claro. Para quem vivia reclamando de histórias shounen, são mais dos mesmos, criança como protagonista, e sei lá mais o quê, o próprio Marco utilizar a mesma estrutura de uma competição/torneio como arco seguinte da introdução, semelhante a Dragon Ball, Naruto, Black Clover, entre outros mangás famosos de porrada, é no mínimo esquisito, bizarro, para não dizer contraditório. E somos apresentados a mais três personagens no final do campeonato: Marko, Kadia (ela consegue ler as mentes das pessoas a sua volta) e Dorian que farão parte da party dele.
Já se foi quase 20 capítulos até aqui de 44 presentes no livro vol. 1. Estou perto da metade do livro e quase nada da sinopse foi citada ou trabalhada no enredo? Sim. Exatamente esse sentimento que fiquei conforme lia o livro. É uma enrolação que não chega a lugar nenhum, falando em termos de história que está sendo contada. Foi uma introdução GIGANTESCA e INFLADA para aparentar que o livro é rico em detalhes ou informações (que não é verdade), elevando o número de páginas sem uma boa justificativa para tamanha demora em entrar na trama principal. Parece um trabalho acadêmico e escrito por um universitário preguiçoso, que tinha um número de páginas mínimas para fazer, só que ele não estudou suficiente para isso, e enrolou preenchendo com dados inúteis para alcançar os requisitos exigidos para a entrega e avaliação.
Mas agora parecia que ia entrar na trama da MISSÃO IMPORTANTE dita na sinopse. Mais personagens foram introduzidos e dava a impressão que agora ia para o rumo central, do que supostamente o livro devia contar. Só que não é isso que acontece. A Kadia, personagem que citei anteriormente, decide ler a mente do Arian e temos MAIS TRÊS CAPÍTULOS SOBRE O PASSADO DO PROTAGONISTA. Tipo, já se passaram mais de vinte capítulos e não começou a missão principal ainda??? Sim. É isso mesmo. Mais uma fuga do tema para contar mais alguma história paralela sem função para o enredo principal. (Se fosse no Enem, era zero certeza)
Resulta que temos um terceiro arco sobre o passado do Arian, após ele acordar na beira estrada com a . Prefiro não detalhar esse trecho, porque dos supostos três capítulos que servem para desenvolver o Arian e o que aconteceu com ele, dois desses capítulos são dedicados exclusivamente a descrever cenas de ESTUPRO com muito “entusiasmo”. Nada do que é esperado de um arco que apresenta o background do personagem principal, foi feito aqui. Foram capítulos inúteis que só tinham o propósito de CHOCAR. Até existe uma tentativa elaborar um conflito interno do Arian, só que é jogado fora completamente, porque no presente(em relação ao livro), ele não sofre mais com essa indecisão mostrada nesse trecho. Mais tempo perdido de leitura.
E finalmente, depois de três histórias pouco produtivas, chegamos no quarto arco que é a missão de escoltar a Lara e um objeto poderoso. Já passou metade do livro, e a jornada só começou ali. Tranquilo. Parece que vai engrenar. E vou lendo, e lendo, e mais lendo e nada de interessante acontece. Não é exagero. São vários capítulos deles cavalgando e dialogando entre si, enfrentando uns bandidos fracos, conversando mais um pouco, portais bidimensionais abrem e sugando tudo ao redor(???), personagens se salvam do perigo, conversam mais ainda do que antes...São 8 capítulos dessa forma, onde não temos coisas acontecendo ou eventos que movimentam a trama. É só eles indo por uma estrada até seu destino.
Talvez, até o autor deve ter percebido isso, que o livro estava ficando chato, coisa e tal. Então, ele decidiu deixar as coisas mais EMPOLGANTES. E qual foi a tática que ele usou para movimentar a trama? Colocar mais ESTUPROS. Né...Insinuar estupros com crianças de 6 anos de idade não choca mais como antigamente(sendo irônico aqui).
Temos mais lutas para defender as MEIAS-ELFAS do destino cruel que é a escravidão e os abusos sexuais, mais poder “oculto” do protagonista, mais Cavaleiro Negro (ele surge do nada em diversos momentos do livro) na jogada e termina a batalha sem grandes consequências para ninguém.
Não satisfeito, o autor foge novamente da trama principal e insere uma side-quest, em que o Arian e a Lara vão fazer, com o objetivo de matar os mortos vivos que estão na floresta daquela região próxima. A missão que é mencionada como a PARTE A MAIS IMPORTANTE do enredo que modificaria o mundo, e que iria mudar o Arian para SEMPRE, foi novamente jogada para escanteio e o foco se voltou para uma parada nada a ver.
Nem sei se classifico como quinto arco, ou capítulos de fillers essa missão secundária, porque nada o que ocorre nesses capítulos, tem grande relevância ou repercussão nos personagens ou movimenta trama, dita como a central. É mais um jeito de enrolar e esticar uma história que podia ser contada em poucas páginas. Para acelerar o processo de resumir o livro, o arco é uma missão que começa fácil, complica a situação, aparece Goblins, rola MAIS ESTUPROS (Goblin Slayer manda um abraço), eles lutam com milhares de Goblins, são salvos por uma deusa que não apareceu em nenhum momento anteriormente no livro (Deus Ex Machina fudido), e voltam para o grupo principal para completar a missão. É isso tudo que acontece nessa missão. Temos mais algumas informações (inúteis) sobre o passado do Arian e só.
Percebi que está terminando o livro. Faltam menos de cinco capítulos e pensei: Assim que vai terminar? Vou complementar o meu apanhado dizendo que, desde do capítulo 37 até o 43, só são lutas durante toda a narrativa. Porque mesmo voltando para o grupo principal, a cidade em que estavam todos da party do Arian, sofria uma invasão liderada pelo Cavaleiro Negro. Sim! Aquele mesmo Cavaleiro que salvou o Arian em vários momentos do livro anteriormente. E descobrimos que esse Cavaleiro Negro era o melhor amigo do protagonista na época em que ele estava na Guilda da cidade que se hospedaram.
O que era para ser uma reviravolta de roteiro ou um plot-twist, acaba se tornando uma situação vazia, já que esse suposto amigo do Arian, aparece em duas páginas no máximo do livro e não é estabelecido esse suposto vinculo de confiança entre os dois. Só mais uma situação jogada ali para nada. E novamente, seguindo o padrão de resumo do livro: lutas acontecem, vários personagens aparecem, mais lutas, mais pessoas surgem do nada, mais lutas com descrições confusas, mais gente que aparecem do nada, lobisomens que podem se transformar em URSOS(???), gente voando para trás, se dissipando, humanos normais, (vocês vão entender o que foi isso mais adiante no texto), mais lutas, mitologia grega e nórdica, dragões bidimensionais, portais pandimensionais, deuses aparecendo do nada, mais lutas, pessoas (a party do protagonista) sendo salvas no último minuto por personagens aleatórios, mais Deus Ex Machina ali, mais lutas, mais um pouco de Deus Ex Machina que não foi o bastante...enfim. Foi uma mistureba de eventos, que aquele mundo caracterizado no inicio do livro, nem se parece mais com o que foi descrito no final. Tudo é inserido ali a moda caralho, sem trabalho de construir algo coeso e que seja factível para existência desses elementos naquele universo.
Logo após essa lambança, o último capítulo (44) é dedicado exclusivamente a explicações (que já deviam ter sido feitas nos capítulos anteriores) e informações que eram necessárias (ou não) para dar base a estrutura daquele mundo no livro. Mas imaginem por um segundo, vocês lendo uma monografia cientifica, em que o texto daquele documento, foi feito por completo no dia anterior às pressas pelo autor. Pois é. Nas crônicas do Arian, coisas são simplesmente ditas no final e que devemos aceitar porque o autor está dizendo. Foda-se que não faz sentido, ou que não foi estipulado anteriormente, ocasionando a impressão de “termina de qualquer jeito, porque não é um capítulo de luta”. Foda-se tudo que é importante para construir uma boa história.
E temos finalmente o epílogo, em que o Marco tenta fazer um “joguinho com leitor”, escrevendo sete mini histórias que ocorrem antes dos acontecimentos do livro, sem a menção dos nomes dos personagens principais durante a escrita, para que o LEITOR TENTE adivinhar “A QUEM PERTENCE AQUELE PASSADO”. O resultado é algo idiota porque, você utilizando um pouco lógica e a técnica de exclusão de opções, você já sabe quem é quem nesse epílogo medíocre. É uma tentativa fracassada de tentar terminar o livro de uma forma diferente do comum. Se não consegue nem fazer o básico, não inventa.
Comentários Gerais:Erros de português
Já esperava uma qualidade questionável quanto a escrita do livro, principalmente voltado a parte gramatical e semântico de forma geral, porém fiquei surpreso o que li(Sou horrível em português e ainda sim fiquei chocado). Primeira coisa a ser apontada foi a presença de 3 REVISORES para a publicação. Tem editoras grandes que nem conseguem duas pessoas para revisar os textos publicados em seus livros/mangás/revistas...imagina 3 pessoas para revisar algo. E quanto mais gente melhor, não é mesmo? Errado. Mesmo tendo distintas pessoas revisando a redação literária, incluindo o próprio autor que afirma ter revisado diversas vezes seu próprio texto, o livro ainda apresenta erros ortográficos gritantes. E não são poucos. São MUITOS. Chegando ao absurdo de ter mais de três erros grotescos na mesma frase. Contei 934 erros em 384 páginas, incluindo a parte dos agradecimentos, que também continha deslizes gramaticais. (Cheguei a contar até certo ponto certinho, mas me perdi na contagem, deixando passar outros erros sem adicionar no montante. Aposto que passa de mais de mil erros, sem exageros).
A variedade dos erros vai de frases começarem no plural, mudarem para o singular e voltarem para o plural (vice-versa) incorretamente, conjugação dos verbos nos tempos errados, ausência de acentos nas palavras, o uso excessivo das vírgulas em diversos momentos e da falta delas em outros (passa a noção que o Marco não sabe utilizar as vírgulas):
“...governava aquela área, e habitava, normalmente, um castelo, na maior cidade...”
É um exemplo de vários trechos semelhantes que o livro apresenta.
No entanto, esses não foram os destaques do conjunto de ERROS. Teve uma coisa que chamou mais a minha atenção: as repetições de palavras dentro de um pequeno trecho. Fica a dica para qualquer um, aspirante a escritor, que a diversidade do vocabulário é muito importante em um livro, para deixar a leitura mais natural e “fluída” para o leitor que irá consumir sua produção, tenha a experiência mais agradável possível enquanto ler seu produto. É tão bom ler linhas de um texto em que a narrativa é envolvente não só pela história sendo contada, como as palavras que estão sendo utilizadas para transcrever os cenários imaginados. É muito prazeroso.
Contudo, no livro do Marco, as restrições dos conhecimentos do autor em termos ou sinônimos de várias palavras, deixa a leitura truncada, cansativa e nada convidativa a continuar lendo, porque o leitor fica exausto por ter que parar a leitura e reler diversos trechos do livro, na tentativa de entender o que está acontecendo ali. Nas descrições das lutas, é um show de horrores. Como um autor tem a coragem de escrever uma luta dessa forma:
“Desvia, bloqueia, desvia, bloqueia, desvia, desvia...”.
É um cheat isso??? É um Fatality do Scorpion do Mortal Kombat??? Sei lá o que seja isso. DESCREVA A LUTA CARAMBA!
Ele adora muito a utilização de vários vocábulos. Gosta tanto, que utiliza diversas vezes a mesma palavra, e na mesma frase inclusive: “...fazendo com seu CORPO seja jogado para trás, abrindo diversas feridas em seu CORPO....eram muitos CORPOS caídos ali”. E nem é só a palavra “corpo” que ele repete direto. ”Mudando de assunto”, “Falando nisso”, “sendo jogado para trás”, “dissipou”, “capuz”, “bracelete”, “sádico”, “humanos normais”, “arremessado”, “vários metros para trás”, “força do golpe”, “chances de isso acontecer”(é quase o vídeo dele de chances de nova temporada de um anime qualquer)...tenho uma lista enorme de palavras que se repetem múltiplas vezes em diferentes trechos do livro. Destaque para os “humanos normais”, que parece ser a única métrica comparativa que o autor conhece para estipular um comparativo entre os níveis de poder dos personagens. “Ele é tão forte, que sua força é equivalente à de 5 humanos normais”, “Ela quebrou o escudo do seu adversário, que aguentaria a força de mais de 10 humanos normais.”, ”...aquele guerreiro aparentava ter a força de 8 humanos normais.”, seja lá o que for a força de um HUMANO NORMAL naquele mundo. Além de ser um comparativo vazio, já que a dimensão de forças é baseada em humanos (sendo que eles são humanos do nosso mundo, ou são humanos com outros fatores mágicos? não diz ou fica claro) que não foi detalhada ou descrita no livro, fazendo com que o leitor tenha que completar diversas lacunas deixadas pelo autor, em ambientar de forma mais clara, o que CARALHOS acontece ali. Falando em lacunas...
Personagens
Sou grande fã de desenvolvimento de personagens. Aprecio tanto, que diversas obras audiovisuais que curto, tem esse apelo ou essa característica marcante durante sua exposição dos eventos. E ler esse livro, onde TODOS OS PERSONAGENS SÃO UNIDIMENSIONAIS, me dá uma preguiça inacreditável.
– O protagonista está numa peregrinação em busca de salvar meias-elfas, levando-as para cidade prometida. E tem o passado do protagonista. – Alguém fã dele vai dizer.
Sim, temos o objetivo moral dele de resgatar as meias-elfas e do Arian que está buscando recuperar suas memórias perdidas. Mas e quando ele tem acesso a esses fragmentos importantes sobre sua história, o que acontece? NADA. O personagem não cresce ou se desenvolve de nenhuma forma ao saber dessa informação. Nem impacto ao redor é sentido quando coisas acontecem ou são reveladas. Todos os personagens são apresentados de um jeito e terminam o livro da mesma forma. Não temos arcos de construção, nem mudanças no status quo de alguém. Não temos nenhuma mensagem querendo ser passada durante a leitura, nem construção decente de interesses românticos aqui (coisa supervalorizada pelo autor).
Sabem os animes haréns, em que o protagonista sem graça, consegue atrair diversas gurias (as mais atraentes da região) para serem possíveis namoradas dele no decorrer da temporada? Então...acontece a mesma coisa nesse livro. Personagem apelão, não bonito, misterioso, CAPAZ DE ESPANCAR UMA MULHER QUEBRANDO SUA PERNA E BRAÇO (aconteceu no torneio), tem o seu CHARME para as personagens femininas dessa obra. Parece simplista? Com certeza é. Esqueça das camadas de personalidades que os humanos têm. Quanto mais clichê e simples for o personagem, melhor. Não interessa que o Arian gosta de meias-elfas (loiras, olhos azuis, corpo chamativo), nem dessa busca do próprio passado, ou do trauma que a Kardia tem com a morte da figura paterna dela. Nada ameniza a péssima construção de personagens, principalmente das femininas.
E falando nas personagens femininas do livro...
A banalização do estupro (e da violência geral com as mulheres do livro)
Já comento que não sou purista ou coisa parecida. Não me importo que tenha cenas de estupros ou de violências extremas com personagens femininas nos animes, filmes, novelas, seriados, ou outras formas de entretenimento. Sou critico quando essa situação é usada para BOSTA NENHUMA (SÓ PARA CAUSAR). Antes de começar a descer a lenha NESTA PORRA DESSE LIVRO (eu estava calmo, mas aqui não dá...), vou devolver qualquer replica ou contra-argumentos que possa vir sobre a minha opinião com apenas três perguntas. Essas três perguntas, é um teste básico (famoso) para ver se alguma obra utiliza a ferramenta do ESTUPRO de forma NÃO SEXUAL ou BANALIZADA:
  1. O estupro ocorre do ponto de vista da vítima?
  2. Essa cena de estupro, ela possui proposito de desenvolvimento da personagem em vez da trama ou narrativa?
  3. O abalo emocional da vítima é desenvolvido depois?
Se por acaso, durante a execução desse teste, houve UM NÃO como resposta para qualquer uma das três perguntas, podem ter certeza que a cena em questão, foi escrita só para CHOCAR de FORMA GRATUITA o espectador ou o LEITOR. Então, posso dizer que o livro do Marco Abreu, é uma síntese da MISOGINIA redigida em formato literário. É um NÃO para as três perguntas acima com facilidade, analisando o livro como todo e a representação dessas cenas que são mostradas.
Conforme eu ia lendo, não me chocava com o fato acontecendo em si, e sim da forma que foi descrita toda a violência. Primeiro de tudo, todas as 6 cenas de estupros do livro (sim, em apenas um VOLUME, temos tudo isso da utilização de artificio), ocorrem a partir da visão do Arian, personagem masculino. Já começa totalmente errado. Segundo, os estupros só tem a finalidade de servir como fator motivacional do protagonista para agir contra os agressores. As vitimas são deixadas de lado, para exaltação do feito heroico do nosso protagonista, HOMEM, em salvá-las do perigo. Terceiro, depois que são violentadas, as personagens NÃO APARECEM MAIS NO LIVRO. ELAS SOMEM. NÃO HÁ DESENVOLVIMENTO PARA ELAS E NEM CITAÇÕES POSTERIORES EM OUTROS CAPÍTULOS. Fica na mensagem: “Mais uma donzela é salva. Vamos para a próxima em perigo.”. É muito ruim isso. Quarto ponto, o EXAGERO NAS DESCRIÇÕES quando é uma mulher na cena, em comparação a um homem sendo agredido da mesma forma. Dou até um exemplo. No flashback do Arian, rola estupro da mãe e da filha de uma família que o acolheu quando ele perdeu as memorias. Mas o que aconteceu com o PAI da família? É simples. O vilão desse flashback tem “senso de justiça” e antes de começar a torturar as duas, ele vira para o pai e diz: “Você é muito bonzinho para ver o que vai acontecer daqui para frente”. Facada no coração dele e morre o HOMEM da família. Em um parágrafo, o pai é morto e o vilão, por ALGUM MOTIVO, executou o pai em vez de TORTURA-LO, terminando por aí a violência contra ele. Mas para AS OUTRA DUAS NÃO FOI ASSIM. É nojento, porque foram páginas e páginas de violência contra as duas, com as maiores descrições possíveis (da melhor maneira que o Marco consegue descrever algo), desde de dentes quebrados no soco, facada na perna junto com assinatura do agressor na barriga da vítima com uma espada, fratura no braço, estrangulamento, estupro, morte... É um capitulo inteiro dedicado a isso. Serve para alguma coisa??? PARA NADA. Só serve para chocar ou punheta do leitor (talvez do autor também, não descarto a possibilidade).
E quem dera se fosse só nessas cenas polêmicas. Até nas lutas, o lado “SADISTA” do autor aflora quando tem mulher na parada. “Ele toma uma espadada nas costas e cai morto no chão”, para o caso masculino. Simples e rápido. Agora para o outro gênero: “A espada perfura sua armadura atingindo seus peitos, com o agressor torcendo a bainha, fazendo com que a espada destrua seus órgãos internos, jorrando sangue e agonizando em dor. Ela tenta proteger seu amado enquanto é agredida em seu rosto por socos.” no caso feminino. Detalhado e exagerado. Tenho minhas dúvidas se ele não faz isso de proposito por causa de um rancor amoroso que ele teve no passado.
Também tem a forma que é introduzida todas as personagens femininas no livro. É de ficar batendo cabeça na parede de arrependimentos por ainda continuar lendo isso. “Kadia, com cabelos longos (tara do autor) e pretos, corpo escultural...”, “Lara, loira, olhos azuis, um corpo que chama a atenção dos demais homens enquanto passa.”, “Joanne, mesmo dentro de sua armadura(???), dava para ver sua beleza incomparável a de outras mulheres normais, com um corpo que exalta beleza.”. Já deu para sacar que o primeiro atributo descrito das personagens femininas nesse livro é seu corpo ou beleza. Supostamente, de acordo com o autor, temos personagens femininas fortes no livro. Só que o “forte” para o Marco é no quesito físico, porque NENHUMA DELAS tem características marcantes ou independentes a figura masculina. Nem no teste de Bechdel, as personagens passam. É idiota e superficial. Fica parecendo que estou lendo uma fanfic escrita por um adolescente de 12 anos que nunca interagiu com alguém do sexo oposto.
E puxando o assunto interações...
Diálogos
Aqui fiz um seção especifica para o desastre total que o autor faz pensando que isso seja um dialogo normal entre duas pessoas. Tem muitas conversas nessa história, até demais por sinal. Vai desde de diálogos expositivos onde os dois personagens sabem da informação ou o que está acontecendo, e mesmo assim verbalizam a situação explicando novamente o que houve, para até diálogos dignos de animes ecchi genéricos lançados por aí no Japão. Chega ao absurdo de ficarem três páginas inteiras discutindo sobre qual a raça de cavalo é mais rápida. PARA que quero saber isso?
No entanto, a parada que mais me irritou é a falta de naturalidade na fala de cada personagem. Explico o que eu quero dizer. Quando temos o conhecimento de como os personagens são, como adjetivos, vícios, problemas, comportamento, e outras partes que compõem a persona deles, adquirimos a noção de como o personagem irá falar. Se for tímido, ele vai falar pouco e ocasionalmente na história. Talvez até pausadamente, pensando duas vezes antes de se pronunciar. Se for extrovertido, vão ser linhas e linhas de falas dele, com uma desenvoltura mais solta ao se expressar e verborrágico ao extremo. São exemplos simples e fáceis de entender.
No livro do Marco não se tem isso. Todo mundo fala igual e da mesma maneira. Não há distinção entre um e outro. Se a narração não identificar quem está falando o que, você fica perdido durante a discussão. Apesar da ficha de descrição de cada um dos personagens ser uma linha única, na teoria são todos distintos entre um e outro. Entretanto, quando vão conversar, todos aparentam serem as pessoas mais racionais e calculistas do universo. Pensam demais, teorizam demais, explicam demais:
“Você é muito impaciente Lara. Não se precipite ao atacar”.
Duas linhas depois:
“Devemos atacar a caverna pelo lado direito, discretamente, e aguardar, até os Goblins saírem de perto das prisioneiras, derrubando um por um, assegurando a situação das mulheres – disse LARA”.
A mesma personagem que na teoria é a IMPACIENTE do grupo, arma um plano, calcula probabilidade, é fria/apática ao que está vendo, e tem toda a calma do mundo para explicar um plano para outros personagens sem partir para ignorância de uma vez. As personalidades de todos são iguais, sem distinção alguma. É algo nítido, visto o linguajar extremamente informal e racional que todos assumem na maior parte do tempo.
Em suma, se você já viu vídeos do Marco, vai perceber maneirismos, vícios de expressões e vestígios da personalidade dele nas falas dos personagens do livro. É praticamente o leitor acompanhando um grupo de personagens iguais ao Marco da vida, conversando entre um e outro, sendo os mais prolixos ao falarem, realizando uma missão de escolta para uma cidade qualquer.
Referencias (ou plágios???)
Referencias não é algo ruim. De maneira nenhuma. Muitas excelentes obras, partem de sua ideia inicial de outras histórias já contadas anteriormente. Ter algo para inspirar na sua criação, é bom para sua produção e desenvolvimento.
Não posso dizer que o livro do Arian fez isso de forma “saudável”. Apesar de apresentar algum diferencial em sua estrutura, têm muitos elementos copiados de outros animes ou filmes bem descarados. Desde do passado do Arian, ser extremamente parecido com a do Goblin Slayer, à personagens serem muitos parecidos com obras favoritas do autor, como Akame Ga kill, SAO, Tate no Yuusha,...Tudo é muito familiar, chegando ao ponto de deixar todos os eventos do livro previsíveis. Cheguei a tuitar enquanto lia o livro, chutando o que iria acontecer mais para frente e quase todas as vezes eu acertava o que ocorria, porque tudo era manjado. No momento em que você já assistiu a maioria dos animes citados acima, tudo parece mais do mesmo. A história contada aqui, não tem identidade própria.

Fiz uma seção especial para a personagem, para fazer uma simples pergunta. QUEM É ?
-Ué, mas você não leu o livro?
Li, e é por isso que surgiu a minha dúvida. Ela SUPOSTAMENTE é importante para o protagonista e RELEVANTE para o enredo do livro, conforme citada na sinopse. Então, por que ela não faz NADA durante o livro? Ela serviu para alguma coisa, além de ser um “alivio cômico” em momentos pontuais? Não é atoa que ela é um fantasma, já que ela é invisível até mesmo para o autor que esquece de mencionar ou narrar o que ela está fazendo. Ela só é lembrada quando o Arian está abraçando alguma mulher, e ela faz cara de emburrada (piada de comédia romântica) ou quando o PROTA está ferido gravemente, e ela tem o semblante de preocupação. Só nessas ocasiões que lembram que ela existe e que precisa interagir com a situação. Fica ainda mais crítico depois que começa a batalha dos Goblins. Um quarto do livro ela some, mesmo tendo sido dito que a fica grudada com o Arian 24 horas por dia. Nem citada o que está acontecendo ao redor dela ocorre durante as descrições das lutas. Ela é totalmente descartável nesse primeiro volume. Ela estar ali ou não, faz diferença nenhuma para o enredo. E que nome é esse? É uma tag HTML?
Mais alguns detalhes incomodativos
Vou fazer uma lista para agilizar, até porque já passou de 4 mil palavras e estou tentando colocar tudo nesse texto, o que eu não curti durante a minha experiencia de leitura das Crônicas de Arian.
· A tara do protagonista com Meias-Elfas (alvos primários dos estupros no livro). A justificativa é porque elas não são puras no quesito racial e vivem na margem da sociedade. Porém, só acontece a desgraça com elas. Os MEIOS-ELFOS nem citados são, os coitados.
· Duas páginas escritas para inserir a informação de que bosta de cavalo serve para espantar os Goblins do local, e isso não ser utilizado para nada até final do volume. Foi só encheção de linguiça.
· A alternância de visões dos personagens no foco narrativo entre os capítulos. Não fazia diferença se o capítulo era na visão do Arian ou da Kardia, ou do Dorian, ou da Lara. Tudo levava para o mesmo resultado, sem ter nenhum tipo de aprofundamento enquanto fazia esse tipo abordagem.
· A utilização de palavras pouco usuais da língua portuguesa. Ele ia de uma escrita informal, para formal, depois para cientifica, e seguida voltava para informal. E vários momentos que ele empregava termos mais complexos, de maneira totalmente errada. Se não se garante nem no básico, não arrisca no difícil.
· “Chances baixas de ganharmos.”, “Ele tem chances baixas de vencer”, “As chance são baixas de sobreviver”...era um saco isso a toda hora. Parecia que estava vendo um vídeo do Marco de “Chances de nova temporada para anime tal”.
· As frases filosóficas baratas: “Não tenha medo de errar, repita até ficar melhor, e saiba admitir a derrota.”, “A morte não te ensina nada. Mas se permanecer vivo, pode aprender com seus erros e saber como ganhar da próxima vez”, “Confie em mim, entendo de mulheres, se não se impor um pouco, ela nunca vai te ver como homem. Agora vai lá e joga umas verdades na cara dela, e não aceita um não como resposta”. E são muitas frases. Todas idiotas e nada fica de aprendizagem delas.
· As regras econômicas daquele mundo. Você ganha 100 moedas de bronze por dia trabalhado. Com 10 moedas de bronze não é possível nem comprar um pão, porém com cinquenta moedas, dá para comer bem durante o dia todo(???). Não foi afirmação minha, está descrito no livro. Além de nenhuma noção de economia, o real valor das moedas é um foda-se gigante. Se não tem condições de elaborar um sistema monetário decente, não menciona.
· As insinuações sexuais com crianças. Há cinco momentos no livro que isso acontece e é complicado. De novo, quando aparece isso, você fica refletindo o motivo de continuar lendo o livro.
· O esquema de “pagamentos”. É igual Darker Than Black (quando ativa o poder, tem que fazer algo em troca), só que aqui é pior. A Kadia tem o pagamento de se masturbar(???). O Marko, personagem, tem que transar para fazer o pagamento. A Lara vira uma LOLI (linda, de acordo com livro) como pagamento. Só coisas escrotas e sem função narrativa. Eles não podiam só ficar exaustos quando utilizassem muita mana? Tinha que ter essa mecânica de pagamento?
· O código de barra da missão. Maluco chega numa vila ISOLADA, longe da cidade e me mete essa: “Viemos pela missão 568844EW” WHAT??? QUE BAGULHO É ESSE? É uma chave única de acesso a algum banco de dados? É senha de segurança de cartão de crédito? É a senha automática gerada no caixa eletrônico quando você vai sacar dinheiro? Que negócio ATUAL. Eles estão em um mundo MEDIEVAL, onde não tem comunicação ou troca de informações em tempo real, porém cada missão criada no planeta inteiro, vai ter uma ID única, referente ao local que foi estipulada, e vai valer para todas as cidades, ao mesmo tempo? Como eles validam isso? Que controle eles têm, sendo que não tem um servidor para fazer essa operação? QUE PORRA FOI ESSA?
· Há duas menções, bem rápidas, ao homossexualismo no livro inteiro. A primeira foi durante o primeiro estupro, onde o chefe/vilão do momento se vira e fala para seu capanga: “Você não gosta de homem? Vai se divertir com o segurança desmaiado”. Momento seguinte, o Arian chega e mata todo mundo. Segunda menção foi uma piada que soltaram no quarto arco: “Se fosse um menino de seis anos, aí deveríamos ficar preocupados”. O dialogo se refere a um amigo do Arian, gay, que recebeu a missão de escoltar uma garota de seis anos para a cidade prometida. Basicamente, a imagem de pedófilo/estuprador pode ser associada aos gays por tabela, junto com a mensagem de preconceito sendo passada. NADA machista e preconceituoso. IMAGINA. Só é IMPRESSÃO.
Conclusão
Já dá para notar que não vou recomendar o livro a ninguém. Principalmente, partindo do principio que ele está sendo cobrado para ser adquirido legalmente. Tem no site também, mas a forma comercial está valendo para essa comparação que estou fazendo aqui.
Existem muitos problemas nesse livro, e vários desses poderiam ter sido facilmente resolvidos se tivesse alguém, ou algum editor que confrontasse o autor, demonstrando onde precisa ser melhorado, apontando onde é necessária uma reescrita, tentar novas abordagens na história, etc. Porque parece que o editor é um limitador, censurador, que restringe a criatividade do autor, sendo que na maioria das vezes, ele está tentando ajudar o escritor a organizar melhor suas ideias e sugerindo melhores formas de coloca-las no papel.
A ausência desse tipo de pessoa nessa publicação independente, é muito sentida. O livro é uma bagunça. A ideia central da história está perdida num montante de conceitos jogados ali de qualquer forma, personagens sem desenvolvimentos adequados, repetições de conflitos ou de problemas enfrentados pelo grupo principal (estupros), a falta de preparo e de revisão ortográfica que atrapalha demais a leitura, a falta de originalidade para que transformasse o livro em um diferencial entre os demais, e o principal problema que é a falta de noção dos próprios defeitos que o Marco tem como escritor. Os comentários dele no final do livro deixa nítido a situação. Ele admitir que escreve mal não é o bastante. Durante todo o volume 1, não percebi nenhuma melhora ou tentativa de mudanças. Parece que está falando só dá boca para fora, mas não está fazendo nada para corrigir esse defeito. Só treinar escrevendo, não ajuda em nada. Tem que estudar sobre o assunto, se aprofundar em conceitos de como construir uma boa história, ler outros tipos de livros, memorizar as regras da língua portuguesa (muito importante para ele) e não só ter a noção/consciência dos defeitos, e ainda assim continuar repetindo eles durante a escrita do livro.
Não recomendo ninguém a comprar ou ler o livro As crônicas de Arian volume 1. Nem por diversão vale o tempo.
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2019.06.17 06:47 NaoMeLevemASerio Biólogo levado à justiça por ter relacionado gays à pedofilia

O biólogo evolucionista Ulrich Kutschera está enfrentando a justiça alemã por causa das observações que ele fez cientificamente ligando a homossexualidade à pedofilia.

Na quarta-feira, Kutschera apareceu no tribunal distrital de Kassel por causa de seus comentários sobre os homossexuais. A promotoria acusou o professor universitário, entre outras coisas, de insulto e difamação.

O pano de fundo para o processo judicial é uma entrevista por Kutschera com o portal de notícias kath.net a partir de 2017. Na entrevista, o cientista observou que os homossexuais tinham uma propensão para a pedofilia.

Questionado sobre os direitos de adoção de casais do mesmo sexo após a introdução do chamado casamento para todos, ele disse: “Se a lei de adoção para associações eróticas entre homens ou mulheres e mulheres vier, vejo pedofilia e crianças severas patrocinadas pelo Estado. abuso vindo em nossa direção. ”

Kutschera interpretou qualquer "sexualização precoce não natural" na entrevista como "estupro mental". Ele também descreveu crianças de casais de lésbicas concebidas por inseminação artificial como “produtos de fertilização insignificantes”.

Kutscherea justificou suas declarações ao portal com descobertas científicas em biologia evolutiva. "Ao longo da evolução do mamute, mais de 150 milhões de anos, o vínculo mãe-filho emergiu como o elo mais forte de todos os tempos."

As crianças precisam de seus pais biológicos, de acordo com Kutschera. Ele acrescentou: "Se uma criança é privada de uma mãe, isso é uma violação do direito humano mais elementar que já existiu." Homo-casais são "duetos eróticos sem potencial reprodutivo", disse o professor de biologia.

No primeiro dia do julgamento, na quarta-feira, Kutschera renunciou a fazer uma declaração pessoal e, em vez disso, leu várias definições bio-científicas, informou a agência de notícias DPA.

Vários homossexuais e estudantes representantes da Universidade de Kassel apresentaram uma queixa contra o cientista. Além disso, seu advogado solicitou que o livro de Kutschera “The Gender Paradox” fosse admitido como prova no julgamento.

"Somente após a introdução do livro que se tornará evidente que as declarações são baseadas em conhecimentos biológicos", explicou seu advogado.

Além disso, a defesa apresentou 13 pedidos adicionais de provas. Com base em médicos e pesquisadores, sua equipe jurídica quer provar que as declarações feitas por Kutschera foram baseadas em descobertas científicas e não representam insultos contra os homossexuais.

Outra data de julgamento para os 64 anos ainda está pendente.

Kutschera descreve a si mesmo como um pesquisador evolucionário ateísta, cujas declarações foram baseadas em fatos bio-científicos. "Esta agenda naturalista anti-gênero não tem nada a ver com política ou religião."

Sua mensagem básica é que as crianças precisam de seus pais biológicos para desenvolver-se otimamente. Para ele, o bem-estar dos filhos deve vir primeiro. O "egoísmo dos pais", diz o professor de biologia "não pode ​​dominar". Ele diz que se refere à adoção de filhos por casais do mesmo sexo ou a inseminação artificial de mulheres em relacionamentos lésbicos com espermatozóides de doadores.

De acordo com Kutschera, existe apenas uma noção de sexo biologicamente geneticamente predisposto, mas não um “gênero psicossocial” mutável, como propagado na “ideologia de gênero”.

Segundo ele, os homossexuais - mesmo com uma “polaridade invertida” - não podem ser transformados em cidadãos heteronormais. Ele explicou que em casais exclusivamente masculinos com uma ligação genética ausente, há uma falta de “repulsa ao incesto” instintiva entre a criança adotada e o casal masculino.

Ele enfatizou porque a proteção do casamento tradicional era importante do ponto de vista da biologia: “A população alemã religiosamente e culturalmente relativamente homogênea que vive em território alemão é uma associação de pessoas que deixam descendentes. A tarefa mais importante dos líderes é manter a população que lhes é confiada. Portanto, o casamento entre um homem (produtor de esperma) e uma mulher (fornecedor de óvulos com capacidade para engravidar) está sob proteção especial pela Lei Básica. ”

Se o estado estende privilégios a casais homossexuais estéreis, a pensão dessas pessoas deve ser paga pelos filhos de frutíferos casamentos entre marido e mulher, e para Kutschera isso é “uma injustiça de primeira ordem”. Ele concluiu que os alemães hoje não têm coragem moral para se manifestar contra isso.

No mês passado, o grupo parlamentar da AFD no Parlamento do Estado de Schleswig-Holstein convidou o cientista para falar no Kieler Landeshaus. O evento é intitulado "Man = Woman? Até onde vai a ilusão de gênero? ”.

Nas redes sociais, a AfD anunciou o evento afirmando que: “Você sabia que, em média, 95% de todas as pessoas são heterossexuais?” Mas, o partido reclamou que a ONU e a UE estavam avançando com a “ideologia destrutiva” de “Gender mainstreaming”.

Ativistas LGBTI expressaram fortes críticas contra sua aparência: "Schleswig-Holstein se une contra ataques baratos contra minorias".

Kutschera também tem sido repetidamente criticado por políticos de seu estado natal em Hesse, especialmente da CDU, por causa de suas declarações "discriminatórias".

Ele faz parte do Conselho de Administração da Fundação Desiderius Erasmus, relacionada à AfD.
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2019.04.23 07:40 Samuel_Skrzybski STEEL HEARTS - PRÓLOGO

Uma nota pré-texto, apenas para situar melhor o leitor: na primeira parte do prólogo, que começa em "Em um dia, ele acordou diferente do seu jeito de sempre acordar", o personagem em questão é o nosso protagonista, Saravåj. Já na segunda parte, que começa a partir de "Em um dia, ele acordou como sempre costumava acordar", o personagem muda e passa a ser o rei da Pasárgada, Matiza Perrier. O prólogo é um contraponto entre os dois, embora o faça sem citar nomes. E se você não entendeu nada a respeito do que eu falei até aqui: dá uma olhada na introdução de Steel Hearts, se quiser, que tá linkada ai em cima.
Enfim, boa leitura! :)
[EDIT: Eu usei o underline para iniciar os diálogos porque o Reddit reconhece o travessão como marcador de tópico.]
Em um dia, ele acordou diferente do seu jeito de sempre acordar.
Ele sentiu a luz do sol em seu rosto, anunciando que a escuridão da noite já havia passado e que o céu era claro mais uma vez. Os seus sentidos despertaram pouco a pouco, como os de quem acorda de um coma após uma década de inatividade. Em um suspiro profundo, pôde sentir o odor de móveis velhos daquele quartinho arranjado e exíguo, mas inegavelmente organizado com maestria milimétrica em cada mínimo detalhe por ele próprio. Confirmou para si mesmo que estava, de fato, vivo.
Vagarosamente, os seus olhos também ganharam vida. Assim que o seu par de olhos se abriu pela primeira vez naquele dia, sua íris castanho-claro focou, sem se mexer um milímetro para a direita, sem se deslocar um milímetro para a esquerda, em uma tábua que estava fora do lugar no teto de madeira bege-clara de seu cubículo. Lhe incomodava demasiadamente aquela quebra abrupta no padrão de tábuas alinhadas e retilíneas. Namorou aquele lasco de madeira solto durante infinitos minutos. À essa altura, seu mecanismo interno também começou a funcionar e debutou a processar informações.
Ele planejou mil e uma formas de solucionar este problema que tanto lhe afligia, com a pia e ridícula convicção de que, quando tornasse àquele mesmo panorama quando o breu noturno caísse novamente, aquela tábua defeituosa continuaria ali, sem sequer ser tocada por um dedo que fosse. Talvez por cansaço físico e mental dele. Talvez por sua própria incapacidade de tecer um projeto suficientemente perfeito para dirimir o que lhe amorfidava. Ou, talvez, por não ser nada além de uma tábua antiga e quebrada. Até que, por fim, ele se concentrou exclusivamente no melódico canto dos pássaros que vinha do lado de fora. Dos presentes da natureza que ele recebia por morar naquele recinto, sem dúvida, a música dos pardais era o mais belo e mais agradável de todos.
Por todos os deuses e deusas do cosmo! Os pássaros! Os pardais-espanhóis!
Ele se levantou violentamente, repelindo para longe a sua coberta, o seu travesseiro e todo empecilho que estivesse em seu caminho, como se estivesse no ápice de sua energia diária, e se colocou, em questão de segundos, na frente da imensa janela de vidro que se localizava estrategicamente na dianteira de sua cama.
Esfregou os olhos. Depois os arregalou. Repetiu o processo algumas vezes.
Quem se colocava, como ele, à frente daquela majestosa janela, tinha uma visão privilegiada de uma enorme figueira que existia naquele vilarejo. Chamava a atenção, ao primeiro olhar, pelo tamanho. Não poderia ser diferente. Aquela árvore era um verdadeiro gigante. Ao mesmo tempo, era uma figueira muito velha, é verdade. Já deveria estar gozando da terceira fase de sua vida. De seus dois mil anos, no mínimo. Seus galhos já eram totalmente retorcidos. Sua raíz era grossa e invadia o solo que lhe rodeava, como um monstro botânico que tenta alcançar a superfície. Contudo, em contraponto, as suas folhas reluziam a vida. Todas elas. O pigmento verde-esmeralda destas era o mesmo de uma plantinha que acabara de desabrochar. Todo o seu caule era consistente e forte, sustentando com exuberância todos os seus inúmeros galhos. Seria uma calúnia atroz afirmar que, mesmo que de muito longe, se tratava de um mero agigantado pedaço de madeira oco e sem vida. Nos pés do caule da monumental figueira, existia uma pequena placa pregada junto à árvore, também de madeira, mas em tom muito mais claro. Nela, lia-se a frase em latim "Hic insignis femina forti ager deambulavit in terra" em letras garrafais, mas visivelmente pintadas com uma tinta branca ralé e desbotada, tornando as inscrições apagadas pelo efeito do tempo praticamente ilegíveis.
Todavia, ele não estava lá para endeusar aquela dádiva da mãe-natureza. Os seus olhos tinham outro eixo. Naquela árvore, muito além da fitologia e de toda tonalidade verde-vivo que lhe envolvia, existia uma verdadeira sociedade de pardais-espanhóis. Haviam vinte ou trinta famílias de pardais que levavam suas vidas nos galhos daquela grandiosa figueira já há anos. Todos eles, passarinhos miúdos, ariscos e ligeiros, características naturais de sua espécie, que levavam em suas penas tons que variavam de marrom-escuro até colorações mais acinzentadas.
Na árvore, se organizavam como se houvesse um contrato social entre eles. Como se os pardais fossem, de fato, seres pensantes, dotados de raciocínio lógico e com a capacidade de agruparem-se em um meio social concreto, previamente definido por regras a serem seguidas por todos. A figueira era a estalagem. Cada galho, uma residência. Não haviam duas ou mais famílias de pardais por galho. Em todos os ramalhos que se fragmentavam do caule, existia somente um ninho de pardal-espanhol, como se todos eles concordassem que aquele era o número ideal de famílias por galho. No raiar do dia, os pássaros se agitavam, aforando os ouvidos de quem quisesse ouvir com a sua graciosa música inerente. Neste átimo, o pássaro-mor de cada ninho voava pelo horizonte, em busca do sustento de sua parentela. E ao final do entardecer, retornava ao seu lar, socializando com os seus os ganhos do dia. Desta forma, aquele agrupamento de pardais engrenava. E só seria uma indiscutível violação de juramento afirmar que a subsistência dos pardais-espanhóis na figueira era, efetivamente, próspera, por efeito do vilão da estalagem. Um abutre.
De corpo robusto e de asas de envergadura majestosa, tinha dez, vinte, trinta, quarenta, cinquenta vezes o tamanho de qualquer pardal-espanhol. Era um autêntico ogro ao lado de um pardalzinho. E, ao contrário da prevalência dos membros de sua espécie, não era de aparência macabra. A plumagem de seu tronco era marrom-clara, como a das águias. E a sua coroa não era pelada, como a maioria dos abutres, que mais se assemelhavam a um morto-vivo do que a uma ave. Continha penas brancas como a neve em seu crânio. Também tinha em seu arsenal de combate garras afiadas como agulha de alfaiate, um bico longo e pontudo e um olhar que imporia pavor até mesmo em um Argentavis. O abutre lembrava muito mais uma ave de rapina do que um urubu. Localizava-se sempre no ponto mais alto da figueira, como a estrela de Belém em uma árvore natalina.
O abutre, sem dúvidas, era o amo daquela sociedade. O dono. O rei. Todos os pardais-espanhóis se viam fracos e indefesos diante de uma ave tão superior em tamanho e em força e se curvavam diante do abutre, ainda que mordendo a língua de desgosto. De todos os pássaros da figueira, o abutre era o único que não se aventurava no mundo além daquela lendária árvore em busca da sobrevivência diária. Muito pelo contrário: agia como um cobrador. Durante todo nascer do sol, sem feriado nem dia santo, o abutre voava de galho em galho, de residência em residência, de família de pardalzinho em família de pardalzinho, tomando para si uma parcela das sementes, grãos, cereais e pedaços de legumes que as famílias de pardal haviam faturado no dia anterior. Na maioria das vezes, era a metade. Por algumas vezes, entretanto, o abutre não fazia economias e se apoderava de mais - e muito mais - da metade dos alimentos de um ou outro ninho de pardal-espanhol, deixando estes reféns de sua própria sorte, suplicando aos deuses para que naquele dia o saldo alimentício do chefe da família fosse dobrado. Em troca desta colaboração forçada, os pardais-espanhóis não recebiam absolutamente nada. Nem proteção do abutre. Nem nada que dependa da solicitude do malévolo pássaro-rei. Não era justo. Mas "realidade" e "justiça" são palavras que raramente caminham de mãos dadas. O medo que os frágeis pardais tinham do abutre, tão corpulento, tão vasto, tão amedrontador, impedia-os de organizar uma revolta contra aquele pássaro das trevas. Era parte da rotina ceder metade dos seus lucros, sem mais nem menos, ao seu próprio carrasco.
E assim a sociedade de pássaros que vivia naquela louvável e anciã figueira funcionou durante muito tempo.
Até aquele dia.
Naquela manhã, tudo foi diferente.
O abutre deu início à arrecadação do alquilé dos pardais, como o de costume. Até que, após confiscar para si alguns pequenos grãos e sementes sem imprevistos, voejou até um galho que se localizava em um dos pontos mais altos do lado esquerdo da figueira.
Ali residia um pardal-espanhol solitário. Não tinha família. Morava sozinho em seu ninho. Era tão pequenino e franzino como os outros. Carregava em seu corpo penas marrom-claro, quase que idênticas às do abutre. Também tinha uma listra branca que corria por todo o seu corpo, o que lhe diferia dos demais. Ela tinha início na parte inferior de seu olho direito e só encontrava fim quando terminava o torso do pardal.
Naquela manhã, ele resistiu. Se apresentou à frente do abutre, que era um genuíno arranha-céu em frente ao passarinho, como quem se recusa a cumprir uma ordem e desafia o seu algoz. O abutre estufou o peito, na tentativa de intimidar o pardal-espanhol revoltoso. Em vão.
Antes que o abutre pudesse adotar qualquer segunda atitude visando espantar o seu adversário, o pardalzinho o atacou, em um movimento precípite e, acima de tudo, inesperado. O abutre foi lançado para fora do galho pela força da velocidade que o pardal imprimiu e os dois pássaros passaram a brigar no ar. No combate corpo a corpo, o pardal-espanhol compensava a ausência de força com uma agilidade que o abutre não conseguia acompanhar. O abutre se tornara incapaz de usar o seu tamanho e a sua robustez avantajada à seu favor. O inverso aconteceu: a grandeza física do abutre fazia com que ele fosse um alvo fácil de ser atingido por seu rival. A força, meio que o abutre usou para ser condecorado o pássaro-mor hegemônico daquela figueira durante tanto tempo, trazia junto de si a lentidão, o que fazia com que aquela ave, antes tão temida e respeitada por seus subordinados, não conseguisse inibir as investidas do nanico e veloz pardal-espanhol. O pardal nocauteava o abutre várias e várias vezes, mudando de uma direção para outra como uma flecha, antecipando os movimentos tardios de seu inimigo. O contrário não acontecia. Naquele instante, o abutre servia somente de saco de pancadas para o pardal.
A ameaça que a revolta daquele heróico pardal-espanhol representava à soberania do abutre serviu de gatilho para muitos outros pássaros residentes da figueira, também descontentes com a iniquidade daquela dura submissão, que deixaram os seus ninhos para também golpear e bicar o abutre simultaneamente. Em pouco tempo, mais da metade da sociedade de pardais-espanhóis estava ali, lutando por sua plena liberdade. O abutre tentava se defender do bando como podia. Se contorcia, esticando as suas garras freneticamente para todas as direções até o limite de sua flexibilidade, na tentativa de abater um ou outro pardal. Se já era árduo para ele engalfinhar-se com um pardal-espanhol só, guerrear contra um bando inteiro tornava-se insustentável. O abutre debatia-se em gemidos escandalosos de dor, na risível esperança de enxotar todos aqueles incontáveis pássaros para longe de si.
Até que, de tanto que insistiu e esperneou, o carrasco conseguiu prender um de seus êmulos em uma de suas garras - a esquerda. Aquele pardalzinho foi, instantaneamente, neutralizado. As unhas pontudas do abutre, que mais pareciam pequenos punhais, atravessaram a plumagem marrom-clara daquele pequeno pássaro sem lástima nenhuma, perfurando-o exatamente no centro da extensa listra branca que se avultava por todo o seu corpo, peculiaridade que lhe diferenciava de todos os outros pardais. Era ele. O pardal-espanhol rebelde. O motor daquela rebelião. O patrono dos pardais-espanhóis malcontentes com as injustiças cotidianas daquela estalagem. Aquele - o único! - que aceitou com prontidão o perigoso jogo de confrontar o temeroso abutre. Justamente ele, entre as dezenas de pássaros. O destino, perpetuamente muito irônico, pôs-se a rir da infeliz coincidência. O pardalzinho revolucionário era, de modo inegável, muito astuto. Mas nem que tivesse o quádruplo de sua resistência física, seria capaz de sobreviver estando entre as implacáveis garras cortantes do abutre. Ele não teve sequer a chance de lutar por sua supervivência. Os seus órgãos internos foram espremidos. A morte foi instantânea. O cadáver, sem embargo, continuou nos gatázios do abutre, como se fosse um troféu - ou prêmio de consolação - para o impiedoso pássaro-rei.
Os demais pássaros revoltosos, à exemplo de seu recém-falecido condutor, seguiram a bicar o abutre, com cada vez mais violência, como se não fossem meros passarinhos tênues e mansos. Mais pareciam, naquela rebelião, verdadeiros animais selvagens. O bando de pardais-espanhóis era uma máquina de guerra, pronta para esquartejar o seu inimigo a qualquer instante. Era questão de tempo até que o abutre tivesse o mesmo trágico fim do pardal causador de toda aquela anarquia necessária. Do pardalzinho que ele acabara de tirar a vida friamente. O destino, por sua vez, não tardou muito. O abutre já mal tinha forças para para estrebuchar, reconhecendo pouco a pouco o seu melancólico e penoso porvir. E este não podia sequer pleitear a vida por suas habituais injustiças. Todo aquele sofrimento do abutre era íntegro. Merecido. Conveniente. Depois de tanto atazanar os pardais daquela figueira, era a hora do acerto de contas.
Em um movimento descontrolado, um dos pardais-espanhóis mais exaltados em meio àquela calorosa confusão bicou o comprido pescoço do abutre ferozmente, estourando com retidão cirúrgica sua veia jugular. O golpe foi fatal. Morte instantânea. A morte, inegavelmente, é juiz. Se a vida, por muitas vezes, favorece aos maliciosos, a morte, sui generis, jamais falha. Pune a todos, sem distinguir. Um jato de sangue arroxeado jorrou da goela do abutre, manchando com aquela seiva honrosa boa parte dos pardais que estavam em torno do pássaro sucumbido quando a bicada da vitória foi desferida. A revolução dos pardais estava completa. Não havia mais carrasco. Não havia mais verdugo. Não havia mais medo, nem aluguel. Enfim, o abutre libertou o corpo sem vida do passarinho revoltoso de suas garras e, simbolicamente, todos os pardais que integravam aquela sociedade.
O monumental corpo ensanguentado do abutre e o defunto esmagado do pardal-espanhol rebelde caíram lentamente pelo ar, lado a lado. E tocaram o chão exatamente no mesmo instante, fazendo valer, mais uma vez, uma velha máxime da vida: quando o jogo acaba, todas as peças, por mais diferentes que sejam entre si, voltam para a mesma caixa, sem se queixar.
Ele assistiu tudo de camarote.
"É tão estranho. Os bons morrem antes", ele pensou consigo mesmo.
Ele, então, voltou-se para a sua cama. Deu meia-volta, despiu-se dos trapos velhos que usava para dormir e vestiu o seu traje de batalha mais nobre, que levava uma enorme capa vermelho-vinho às costas, que recaía por quase toda sua armadura de ferro medieval, a qual ele também envergou. Sentiu-se, como sempre, mais são portando aquela farda solene. Olhou por intensos segundos para o seu próprio reflexo no espelho que havia em frente à cabeceira, com um ar aristocrata de confiança. Apoderou-se, ademais, de duas espadas que estavam encostadas no pé dianteiro de sua cama. Uma banhada à prata e outra banhada à bronze, tinham a estatura, à grosso modo, moderadamente menor do que uma vassoura comum. De lâmina mais fina e de peso mais leve em comparação com as espadas universais dos templários, colocou suas duas gládias nas bainhas que também carregava em suas costas. Por fim, deixou o seu quartinho amanhado, organizado como nunca, exceto pela tábua desprendida no teto de seu cubículo - aquela amaldiçoada tábua! - fechando a porta amadeirada deste para jamais tornar a abri-la.
O vento, enfim, soprava à seu favor: era tempo de ressureição.
Em um dia, ele acordou como sempre costumava acordar.
De ressaca. Sentia em seu crânio pontadas de dor, que iam e vinham. O cenário ao seu redor denunciava o motivo de seu mal-estar: infinitas garrafas de vinho e de licor vazias em torno dele, além de incontáveis taças douradas, também vazias ou consumidas somente até a metade. Ele despertou em um magnificente trono real dourado, produzido tendo o ouro puro como sua matéria-prima e decorado com jóias preciosas, coloridas e resplandecentes - havia tido o seu sono ali naquela madrugada, sentado. Aquele trono dourado era o ponto mais alto daquele salão. Tanto que, era preciso subir alguns degraus para chegar até ele - não por acaso. A ideia era, de fato, representar o ápice da soberania que um mortal poderia desfrutar. O lugar mais alto que alguém poderia ocupar na pirâmide social.
Ele, com os olhos entreabertos e com os movimentos anormalmente vagarosos, aparentando ainda estar um pouco ébrio, começou a esparramar com as mãos as cartas de baralho que estavam no braço direito do trono real, deixando com que algumas caíssem ao chão. As cartas, espalhadas por todo salão real, retratavam as várias e várias jogatinas e capotes da madrugada anterior, os quais ele mesmo fomentou. Ele havia patrocinado uma farra regada à bebidas alcoólicas caras na madrugada daquele dia, junto de seus companheiros mais íntimos. Por mais uma vez. Os eventos alcoólatras apadrinhados por ele eram corriqueiros, praticamente diários.
Ele seguia espalhando as cartas do baralho, até que uma lhe chamou a atenção. Era um rei. Um rei de espadas. Não era o roupão vermelho do rei, fragmentado em mandalas, que lhe atraía. Muito menos as espadas coloridas que ele segurava em cada uma das mãos. Nem o bigode, nem o cabelo, nem a coroa. O olhar. Os olhos daquele rei eram diferentes dos demais. Eram intimidadores. Transbordavam malícia e davam um sentido maquiavélico àquela carta. De todos os reis do baralho, aquele, sem dúvidas, era o mais perspicaz. O que tinha a maior agudeza de espírito. O mais astuto, talentoso, inteligente e toda e qualquer palavra que remete a um privilegiado intelecto ardil. Ele pegou a carta em suas mãos e apreciou-a por alguns instantes, rindo. Até que, levou o rei de espadas até o braço esquerdo do trono do rei, onde havia uma taça de ouro da noite anterior, cheia de vinho até a metade. E então, mergulhou a carta no vinho, por diversas vezes, repetidamente.
_ Beba, reizinho. Beba. Que, por hora, é o melhor que se faz. O álcool foi inventado pelo homem para suprimir o tédio diário, você sabe bem. As mulheres também vão te distrair com seus corpos, se você assim quiser. Mulheres e bebidas. É por isso que a nossa passagem terrena vale a pena, não? Beber para as mulheres. Beber por causa de mulheres. Beber junto das mulheres. Afinal de contas, o mundo está de braços abertos para te servir. Os miseráveis tem a honra de dividir uma geração contigo, alguém tão genial, tão brilhante, tão divino. É dever deles a solicitude para com você, não acha? Grandes conquistas virão, reizinho. Muito maiores do que qualquer ratazana européia um dia já pôde imaginar. Mas enquanto as glórias ainda não se concretizam, beba. Somente beba. Até desaparecer-lhe o fígado.
Uma voz juvenil, neste momento, cessou o seu delírio abruptamente.
_ Meu rei! Mil perdões por interromper-lhe!
Era um jovem e raquítico soldado. Parecia nervoso por estar em presença de alguém tão importante. Tinha como suas vestes o uniforme-modelo dos cavaleiros da Ordem do Templo, utilizado nas cruzadas do século anterior. Todavia, distinguia-se destes pela tonalidade azul-marinho substituindo a vermelho-sangue e por conter um brasão com a letra "P" no lado esquerdo do peito de sua armadura.
_ Já interrompeu, ora! Por que me solicita o perdão, asno?
_ Então perdoa-me por lhe solicitar o perdão, meu rei, se isto ameniza o meu deslize. Vim somente lhe transmitir um recado da rainha. Ela me pediu para vir lembrar-lhe que está quase na hora de discursar para o povo. A rainha e os membros da elite já estão na sacada do castelo. Sua louvável presença é a única que falta para o início do discurso real.
_ Ah! Claro! Já havia me esquecido. A ressaca me veio mais forte do que o habitual nesta manhã. E se não estivesse tão em cima do horário, queria embriagar-me antes do enunciado. Você já imaginou? Tente imaginar, se o seu retardado intelecto não te impedir. Discursar completamente bêbado! O povo, sem dúvidas, acharia fantástico! O que achas, capacho? Dê-me sua opinião, por mais desprezível que seja.
Enquanto falava, ele levantou-se e desceu os degraus do trono real com dificuldade, cambaleando.
_ É... Seria memoroso! Com toda a certeza!
_ És um bom rapaz, soldadinho. Você é dos meus, eu tinha a pia convicção! Inclusive, acho que a sua figura é a que falta para completar nossas diversões alcoólicas que ocorrem depois do último badalar do sino. O que me diz, meu companheiro? Licor e vinho à vontade depois do horário dos mortos! Está de acordo?
_ Verdadeiramente, meu rei?
O soldado recém-formado olhou para ele com o olhar mais inocente que se pode imaginar.
_ É claro que não, capacho! Onde já se viu? Uma barata do exército imperial feito você em meio aos mais finos nobres! Tira-te as patas do meu salão real, imbecil!
O soldado saiu imediatamente da sala privada do rei, trêmulo. Ele, em todo o tempo com um largo sorriso no rosto, gargalhou de suas próprias anedotas. Ainda assim, a informação que o seu subordinado lhe transmitiu estava correta. Faltavam poucos minutos para o discurso semanal do rei para os seus populares. Era mais um domingo gelado de inverno. Ele seguiu pelos cômodos e corredores do Castelo de Woodyard. Conforme caminhava, escutava um coro uníssono, em êxtase, que se tornava mais forte conforme ele se aproximava da sacada do castelo.
_ Vida longa ao rei! Vida longa ao rei! Vida longa ao rei!
Ele, enfim, chegou até a sacada. O povo ali presente, em frente ao castelo, engrossou ainda mais o hino quando o viu. Com os braços abertos, de aparência amigável e singela, ela acenou para o povo que estava abaixo, como sempre. A rainha, idem, estava ali, sempre à sua direita, ora envolvida pelos braços dele, ora também saudando o público.
_ Bebi o dobro do que você bebeu nesta madrugada, meu amor. E despertei três horas antes de ti. Cômico, não acha?
_ A força feminina! É o que nos mantém no poder!
Sua esposa era uma mulher de quase trinta anos de idade. Os efeitos do tempo, entretanto, inegavelmente eram muito gentis com ela. Aparentava ser dez anos mais jovem. A rainha chamava a atenção, sem sombra de dúvidas, pela beleza física: mulher de corpo esbelto, e de rosto tão atraente quanto.
Ele, enfim, deu início ao pronunciamento real. De cunho populista e com muita convicção em toda frase que proferia, ele exaltou a laicidade de sua monarquia. Alegou que não admitiria, nem por cima do seu cadáver, que a coroa compartilhasse o governo com o Papa. Como o de costume, apontou o dedo para a Igreja Católica, condenando-a pelo massacre estúpido daqueles que ela julgava como infiéis. Posteriormente, reiterou o seu compromisso com as camadas mais baixas da sociedade. Se auto-intitulou como o pai dos pobres. Alegou que reduziria o preço do trigo pela metade. E ganhou ainda mais a simpatia de seus ouvintes quando comunicou que distribuiria pães de forma gratuita em alguns pontos dos vilarejos de seu reino, garantindo o direito básico da alimentação para todos e todas. Penhorou, também, que os soldados, tanto os da elite quanto os do império, seriam valorizados e teriam a sua dignidade garantida. Afinal, segundo ele, na sua visão de governabilidade não existiam reis e capachos. Existiam seres humanos buscando um bem comum. E, finalmente, levantou a sua principal bandeira: garantiu que, enquanto ele tivesse a coroa sobre a sua cabeça, homens e mulheres seriam iguais. Os mesmos direitos. As mesmas funções. Os mesmos papéis na sociedade. Exaltou com as mais fascinantes palavras o arquétipo da mulher independente e empoderada. Discorsou primorosamente durante quase trinta minutos sobre a suma importância da equidade dos sexos em um meio social evoluído.
O povo foi ao delírio, como já era costumeiro no pós-dicurso do rei. O barulho era ensurdecedor. Toda gente gritava o seu nome à todo pulmão, confiando cegamente na benevolência de seu líder. Ele era uma unanimidade entre o povo. Não havia uma alma viva que abrisse a boca para reclamar de sua forma de reinar. De suas ideologias modernas. Era um verdadeiro rei hegemônico. O mais perto que se havia de Deus em solo terreno. Ele, por sua vez, sequer lembrava do que havia dito em seu discurso alguns minutos antes. Sua cabeça estava em outro lugar. Nas nuvens. Só conseguia pensar nas fartas moedas da corrupção caindo sobre suas mãos - que financiavam esbórnias, orgias, bebedeiras e afins suas, da rainha e de seus aliados mais próximos - e no futuro promissor de seu império populista, que em um dia não tão distante haveria de se expandir para os quatro cantos da Europa, em um reinado jamais visto antes na história da humanidade.
Assim que terminou o seu enunciado ao público, em meio aos berros que manifestavam apoio ao seu reinado, ele arregaçou a sua manga esquerda, revelando o mesmo o rei de espadas de outrora, a mesma carta que ele havia embebido no vinho. Ele havia a escondido em seu uniforme imperial quando saiu do salão real.
_ Vês isso, reizinho? Isso não é nada. É um grão de areia perto do império gigantesco que Júpiter te reserva. Terá o mundo aos seus pés, é inevitável. A ordem cósmica quis assim. As próximas maltas vão aprender sobre o seu nome. Sobre tudo que te envolve. E até sobre o seu sabor de licor preferido. E você? Você só deve saber o seu próprio nome. É o que mais importa. Reizinho, é assim que gira o ciclo da vida: manda quem pode, obedece quem tem juízo. E eles tem. Você vê cada vez mais de perto que tem. O universo deve respeito por aquele que já nasceu abençoado. E ninguém vai ser capaz de te impedir, reizinho. Ninguém. Nem mesmo Deus.
Obrigado por ler e aguardo ansiosamente pelo feedback! :)
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2019.04.20 23:39 Samuel_Skrzybski STEEL HEARTS - INTRODUÇÃO (PARTE 1)

Infelizmente, eu já vi que o sub de escritores brazucas não é lá muito populoso. Eu não sei se um dia alguém vai chegar a ler a introdução da minha narrativa, mas se você está aqui, lendo a minha nota pré-texto, eu peço humildemente o seu feedback. No meu círculo social, rigorosamente NINGUÉM tem tempo e paciência para ler tudo e me dizer o que achou - e eu entendo perfeitamente kkkkkk. E, se me permite um segundo pedido: se for me dar um toque, seja na gramática, seja na minha forma de decorrer a história, faça críticas construtivas, por favor.
E sobre a introdução: se um dia a minha história porventura se tornar um livro - e eu não faço nenhuma questão que isso aconteça - ele se iniciaria após todos os fatos que eu vou narrar abaixo - e estes fatos iriam se revelando no decorrer dos capítulos. Essa introdução tem o único e exclusivo objetivo de dar um entendimento melhor ao leitor atual - você! - sobre o "universo Steel Hearts": contexto histórico da trama, histórico das personagens, eventos que moldam a narrativa e afins. Em um eventual livro, essa introdução seria inexistente e ele se iniciaria no prólogo - o qual eu já escrevi e vou postar aqui também, ainda hoje ou amanhã. E até o momento atual, o prólogo é onde a minha história está empacada :{
Enfim, sem mais delongas: boa leitura! :)
[EDIT: Eu vou ter que dividir a introdução em duas partes, para conseguir postar - eu não sabia que o Reddit tinha um limite de caracteres. Eu vou postar a Parte 1 agora e a Parte 2 eu posto em alguns minutos, logo na sequência.]
Cronologicamente, a trama se inicia em 1412.
Dois jovens oficiais do Reino da Catalunha se perdem no interior de uma floresta de mata densa em uma patrulha rotineira e descobrem uma reserva imensa de ferro, cobre e bronze no interior de uma caverna - esta, batizada de Madriguera de Sán José. Todos estes citados, minérios primordiais para a construção de equipamentos de combate e, no auge da Idade Média, eram de extremo valor. Após apurações mais profundas, foi descoberto que a reserva era muito maior do que se imaginava e se estendia por todo um território, conhecido como Península de Acqualuza. Naturalmente, os olhos de toda a Europa Medieval se voltaram para as terras de Acqualuza, que era território da Catalunha - região onde atualmente se localiza a Espanha - por direito, comandada desde 1383 pelo rei Carlos Villar. O que antes era só mais um pedaço de terra passou a ser visto por Carlos Villar como um trunfo para instalar o seu reinado como a maior potência militar e econômica da Europa e, por tabela, do mundo.
Entretanto, alguns anos mais tarde, o rei da Catalunha foi assassinado por sua própria filha primogênita, Alice Azcabaz Villar, movida pela ganância e pelo poder. Após assumir o trono em 1414, Alice, sem nenhuma experiência como governanta em seus 19 anos recém-formados e se vendo incapaz de colocar ordem em um reino inteiro sozinha, firmou uma aliança com a família Winchestter, uma tradicional linhagem nobre da Inglaterra, que se instalou na Península de Acqualuza e passou a governar a mesma.
É importante ressaltar que Acqualuza não se resumia apenas a ferro, cobre e bronze. Existia um povo vivendo naquela região. Uma civilização. Pessoas que se instalaram naquele lugar por gerações, muito antes de descobrirem que a península, na verdade, era uma verdadeira "galinha dos ovos de ouro". Os Winchestter foram protagonistas de um governo totalmente corrupto, que durou dois anos. Exportaram minérios, espadas, lanças, escudos, armaduras e afins da mais alta qualidade para os quatro cantos da Europa e enriqueceram de uma maneira rápida e efetiva. Mas, em contrapartida, o povo de Acqualuza vivia na miséria, na pior crise socioeconômica de sua história. A verdade é que a família Winchestter, juntamente de Alice Azcabaz, visavam somente os seus interesses pessoais. Enquanto a fortuna pessoal dos Winchestter decolava, a Península de Acqualuza entrava em rota de colisão, mergulhada na pobreza extrema. Os cidadãos acqualuzenses viravam quarteirões e quarteirões em filas intermináveis para a distribuição gratuita de pães velhos e mofados, para que não simplesmente morressem de fome. E por mais que a educação, saúde, segurança e desenvolvimento social da região fossem precários, o povo parecia anestesiado. Como se estivesse tão fraco e oprimido que sequer conseguisse levantar a voz para questionar os seus governantes.
Era nítido que o governo acqualuzense era instável, o que chamou a atenção dos ingleses. Talvez a maior potência econômica e militar da Europa no momento, a Inglaterra, conduzida por seu renomado exército imperial e pelo jovem e controverso rei Sabino III, estudava maneiras de depor o governo dos Winchestter e tomar as ricas terras de Acqualuza para si - o que soava como justo para os ingleses, afinal, os atuais governantes do território acqualuzense eram dos seus. A carta na manga dos ingleses era o povo de Acqualuza e as condições desumanas nas quais estes viviam. A estratégia, inicialmente, era enviar soldados ingleses travestidos de cidadãos acqualuzenses para o território dominado pelos Winchestter e forçar uma revolta contra o governo vigente. Os forasteiros organizaram tumultos, passeatas e até fizeram ameaças aos nobres, em uma tentativa de fazer o próprio povo fazer o trabalho sujo de derrubar os monarcas do poder por eles, evitando um ataque direto e um consequente e nefasto atrito entre Inglaterra e Catalunha, com quem mantinham uma cordial relação diplomática. Os cidadãos da península até esboçaram uma reação com os primeiros protestos, mas logo adormeceram novamente. Vendo o comodismo que o governo imoral da família Winchestter instalou nas terras de Acqualuza, Sabino III optou por uma solução mais radical: a criação da CAJA.
A CAJA nada mais era do que uma organização secreta, patrocinada pelo governo da Inglaterra e composta por militares do mais alto escalão do Exército Nobre Inglês e por assassinos de aluguel de elite. O objetivo? A princípio era, durante uma noite, impedir que os postes de lamparinas a óleo vegetal fossem acesos na Península de Acqualuza. E assim, na escuridão total, um pelotão seria responsável por invadir, saquear e depredar o castelo dos Winchestter e outro grupo realizaria a maior chacina já vista na Europa Medieval: estes invadiriam casas de cidadãos comuns e matariam a sangue frio qualquer ser vivo que encontrassem pela frente. E, como cereja do bolo, deixariam os corpos ensanguentados expostos nas ruas de Acqualuza para que todos os sobreviventes se deparassem com a tragédia ao nascer do sol. Um mar de sangue inocente que os ingleses julgavam como necessário: com a carnificina, a Inglaterra esperava que o traumático choque de realidade mostrasse ao povo acqualuzense de uma vez por todas que os Winchestter eram incapazes de proteger, tanto os cidadãos, quanto a eles próprios, e enfim compreender todas as consequências da péssima administração dos nobres ingleses em suas terras. A matança tinha data e hora para acontecer: 10 de Novembro de 1415, a partir das 18h30.
E neste contexto, somos apresentados a Constantin Saravåj Mandragora - ou simplesmente Saravåj. Nascido na Iugoslávia, na região dos Bálcãs e a 1200 km de Londres, era filho de uma família de camponeses extremamente pobre e sem perspectiva nenhuma de ter uma qualidade de vida minimamente digna. Todavia, desde os primórdios de sua vida, era uma criança criativa, inteligente e escandalosamente diferente das demais. Assim como seus pais e toda a Europa Medieval, acompanhava pelos jornais o drama do povo de Acqualuza, que ganhou notoriedade internacional. Lendo jornais de origem britânica, Saravåj aprendeu o inglês por conta própria. E foi por intermédio desses folhetos estrangeiros que o menino ficou sabendo da existência de Dúbravska. Um sábio monge acqualuzense que se isolou da civilização em meados de 1360 e passou a viver sozinho em cordilheiras, em um estado infinito de meditação. Era considerado pelos cidadãos de Acqualuza como o mais próximo de Deus que tinha-se na Terra - havia quem dissesse que ele tinha contato direto com o Todo-Poderoso. Quando ficou nítido que não existia nenhum panorama de melhora para o povo acqualuzense da situação de calamidade em que se encontravam, os mais importantes homens da Península de Acqualuza começaram a procurar por Dúbravska, na esperança de que este tivesse a fórmula perfeita para contornar todo sofrimento de seu povo. Quando contatado por meros cidadãos comuns, o monge afirmou que a Península de Acqualuza tinha um período de guerras incessantes pela frente, onde a paz seria impossível e seus governantes seriam seus maiores inimigos. E profetizou que, após o período de trevas, somente uma criança de coração puro e livre de maldade seria capaz de liderar um reinando que enfim devolveria a paz para Acqualuza. Algumas horas mais tarde, no pôr-do-sol, Dúbravska entregou sua alma para Deus e realizou a sua assunção aos céus, e nunca mais foi avisado por ninguém. Quando terminou a sua leitura, Saravåj sentiu um arrepio que correu todo o seu corpo e não teve dúvidas: era ele próprio a criança da profecia.
Alguns anos mais tarde, inconformado com a sua situação e de sua família e revoltado com a forma com a qual os nobres engoliam as classes inferiores, Saravåj foi para a Inglaterra incentivado por sua mãe em busca de mais oportunidades assim que se tornou um homem adulto, em uma árdua caminhada, onde cruzou a Europa em 25 dias até chegar em Cherbourg-Octeville, na Gália, de onde seguiu de balsa para a Inglaterra. Na terra da rainha, pela primeira vez na vida a sorte sorriu para ele - e em dose dupla: o garoto de até então 18 anos entrou e cresceu rapidamente no exército inglês e também apaixonou-se reciprocamente por Camilly Shaw, sem um pingo de dúvidas, uma das mulheres mais atraentes de todo o Reino da Inglaterra: o seu cabelo lembrava os radiantes raios solares, de tão loiro. Também era dona de claros olhos azuis cor-de-mar. A garota era membro e a natural herdeira de uma respeitada família de militares de elite. Pela primeira - e única - vez, Saravåj descobriu o amor. Saravåj filiou-se como peão ao Exército Nobre Inglês em 1413 e à CAJA em 1415. Sua mãe, em uma das cartas que mandava da Iugoslávia semanalmente para Saravåj, foi totalmente contra a ideia de saber que o seu próprio filho derramou o sangue de pessoas inculpadas e encorajou Saravåj a trilhar os seus caminhos longe do militarismo. Sugeriu que mudasse o seu foco para ler livros e adquirir conhecimento, como era o sonho dela. Saravåj sabia que era utopia. Prometeu para sua progenitora que seria a primeira e última vez. O garoto iugoslavo, idealizando o seu futuro com Camilly acima de qualquer coisa, tinha medo da ameaça que os Winchestter poderiam vir a se tornar um dia, sem conhecer o maquiavélico plano do governo inglês de usar a tirania dos Winchestter como justificativa para aumentar as suas riquezas com as terras de Acqualuza.
No dia 10 de Novembro daquele mesmo ano, Saravåj invadiu de surpresa na calada da noite o imenso castelo da família Winchestter, junto de colegas de esquadrão e de assassinos profissionais em uma noite que deveria ser de comemoração para os monarcas, com as suas típicas e corriqueiras festas regadas à música clássica e todo tipo de bebida alcoólica. No saldo final, o garoto, que sempre se destacou com espadas em punhos, assassinou Diógenes Dionisi, o próprio patriarca da família Winchestter. Foram incontáveis as baixas de membros dos Winchestter naquela madrugada. Do outro lado da moeda, o morticínio foi um sucesso: o nascer do sol foi acompanhado pelo choro de homens e mulheres abraçados com os ensanguentados corpos sem vida de seus entes queridos. O vermelho-sangue banhava todas as ruas de Acqualuza, em um cenário tão surreal que sequer parecia realidade. Esta noite ficou marcada por toda eternidade na história como "O Domingo Sangrento".
Com a morte de diversos membros da família Winchestter e com a desestabilização total dos mesmos, o povo de Acqualuza, enfim, despertou. Passeatas violentas que levavam como slogan a frase "OS MONARCAS NÃO NOS AJUDAM!" eram diárias na Península de Acqualuza. Zoey Deschamps, a viúva de Diógenes Dionisi, assumiu o mandato de seu ex-marido juntamente de Alice Azcabaz, em uma diarquia frágil e que sofria forte desaprovação do povo, em um período de seis meses que ficou conhecido como "Caveirão". A gota d'água foi o suicídio da rainha Alice Azcabaz, a própria pioneira da tomada de Acqualuza, que se enforcou após não suportar a pressão e as ameaças que vinham de seus próprios compatriotas. Com a morte de Alice, Zoey abdicou do trono, fazendo com que a Península de Acqualuza caísse em anarquia total.
Sem o exercício nenhum tipo de governo nas desejadas terras acqualuzenses, a Inglaterra tinha o cenário perfeito bem à sua frente. Contudo, optou por agir com cautela. Sabino III, sabendo que o povo de Acqualuza ficaria acuado e com um pé atrás após a péssima experiência com um governo gringo - e inglês - em suas terras, enviou seus mais competentes diplomatas para a Península de Acqualuza, na intenção de negociar a almejada anexação das terras de ferro, cobre e bronze com os representantes do povo acqualuzense, em um consenso bilateral, que fosse benéfico para ambos os lados, e pouco a pouco, foi colocando os seus oficiais dentro de Acqualuza, na esperança de criar raízes inglesas na península. Na teoria, a Península de Acqualuza se tornaria parte e dependente do Reino da Inglaterra em troca de estabilidade governamental. O povo sabia que eles precisavam de um rei e que a anarquia só iria levá-los ao fundo do fundo do poço. Não haviam muitas saídas que não fosse aceitar o acordo proposto por Sabino III.
Entretanto, havia uma maçã podre neste cesto que atendia por nome e sobrenome: Matiza Perrier. Um prepotente e irreverente gênio nato, inglês descendente de iugoslavos, membro do Exército Nobre da Inglaterra e que participou do saqueamento do castelo da família Winchestter ao lado de Constantin Saravåj no 10 de Novembro. Porém, paralelamente aos seus serviços prestados ao Reino da Inglaterra, Matiza liderava uma organização de interesses sombrios conhecida como Pasárgada. Os pasargadanos tinham um objetivo em comum com os imperiais ingleses: tomar as ricas terras da Península de Acqualuza para si. Mas utilizavam meios diferentes - e mais inteligentes - para isto. A Pasárgada era o grande ventríloquo por trás de cada atitude do reino inglês. Era quem mexia as peças no tabuleiro: manipulou o governo da Inglaterra para que este manipulasse os cidadãos acqualuzenses para que estes derrubassem os Winchestter do poder. No fim das contas, quem se beneficiaria da ausência de um rei na península e sentaria no trono seria Matiza Perrier - e ele tinha meios indefectíveis para isto. Tanto que, subitamente, como um raio que cai sem nenhum aviso prévio, as negociações entre a Inglaterra e o povo de Acqualuza pararam. Quando os nobres, oficiais e diplomatas ingleses se deram conta e olharam para o alto, só puderam assistir estáticos e de camarote a coroação de Matiza Perrier como rei de Acqualuza, que a partir daquele momento passou a ser um reino independente dos catalães, nomeado de "Pasárgada". Zoey Deschamps - agora noiva de Matiza Perrier - arquitetou por trás das cortinas as condições necessárias para que a Pasárgada atravessasse as negociações entre a Inglaterra e o povo acqualuzense e tomasse a península para si. Os cidadãos acreditaram com toda inocência do mundo que um governo novo e, acima de tudo, não-inglês, era o ideal para eles naquele momento.
Quando a notícia de que uma desconhecida oposição havia vencido a disputa pelo trono chegou aos ouvidos de Sabino III, ele ordeu a retirada imediata de todas as suas tropas das terras de Acqualuza. Muitos conseguiram fugir para regiões vizinhas - entre estes, Constantin Såravaj - mas muitos mais jamais puderam voltar para suas casas. No dia 10 de Julho de 1416, a Pasárgada assumiu oficialmente a Península de Acqualuza e o agora rei Matiza fez o seu primeiro discurso ao seu povo. O comandante da Pasárgada proferiu palavras bonitas e se mostrou um defensor ferrenho dos direitos humanos e da inclusão social das classes menos favorecidas, ganhando como recompensa uma salva de palmas ensurdecedora do povo e a simpatia dos mesmos. Mas contradisse-se quando ordenou que seus oficiais, de modo acaçapado, executassem sem dó nem piedade todo homem que tivesse um brasão inglês no peito nos limites de seu território. Saravåj assistiu imóvel muitos companheiros sendo brutalmente esquartejados durante o tumulto, mas foi bem-sucedido em sua fuga. Se instalou, assim como a grande maioria dos ingleses sobreviventes, na pequena vila camponesa de Balistres, pertencente ao Reino da Gália (onde atualmente se localiza a França) e que fazia fronteira direta com a Península de Acqualuza.
Em Balistres, Constantin Saravåj enfim pôde encontrar-se com sua amada após sua fracassada e última missão militar. Após uma longa conversa, Camilly convenceu Saravåj a deixar o Exército Nobre da Inglaterra e se instalar na vila de terras férteis de Balistres juntamente a ela. Muitos ex-oficiais ingleses seguiram o mesmo caminho e colocaram o seu uniforme imperial na gaveta para se dedicar a uma vida pacata em Balistres. Entretanto, o nobre guerreiro iugoslavo ainda se preocupava muito com o que acontecia em Acqualuza. Em seus pensamentos, sentia muito pelo povo daquele lugar. A Pasárgada era uma ameaça muito maior do que os Winchestter. Tanto para a Europa Medieval quanto aos seus próprios cidadãos. Seria uma mentira dizer que a qualidade de vida do povo da península não melhorou muito com o governo da Pasárgada. Mas a corrupção continuava - a diferença é que, desta vez, acontecia de uma maneira inteligente. O grande coringa de Matiza Perrier era o próprio governo anterior à Pasárgada: os pasargadanos não erradicaram a corrupção. Apenas a diminuíram. Ainda assim, muitos recursos que deveriam ser destinados ao povo acqualuzense eram usados visando somente os interesses pessoais de Matiza Perrier e de seus aliados mais próximos. Em uma comparação inevitável com o governo descaradamente ilícito dos Winchestter, a impressão era a de que Matiza estava tirando leite de pedra e levantando a Península de Acqualuza da lama. A astuta ideia era, além de roubar, alienar o povo. Sem instrução econômica, os acqualuzenses idolatravam Matiza, que aumentava a sua popularidade com seus periódicos discursos infestados de falso moralismo. No balanço geral, uma minoria do povo enriqueceu e a grande maioria apenas se tornou menos pobre. Uma sociedade cada vez mais segregada entre ricos e plebeus. Tudo ocorria da forma mais perfeita possível para que Matiza Perrier enfim começasse a colocar as suas peças no campo adversário para dar início a um temível império pasargadano.
Saravåj, um dos pivôs da agora extinta CAJA, até queria fazer algo para que o povo de Acqualuza abrisse os seus olhos mais uma vez. Mas era totalmente desencorajado por Camilly. A garota queria que Saravåj se concentrasse na vida a dois. Camilly afirmou que para ela, pouco importava passar os seus próximos setenta anos como mera camponesa. Que não reclamaria se comesse cenoura, couve e batata todos os dias. A única coisa que realmente importava era estar ao lado de Saravåj. Juntos, vivos e seguros. Os seus futuros filhos poderiam viver uma infância alegre, brincando no campo e longe das guerras e de toda crueldade do mundo, realidade rara na Era das Trevas da Idade Medieval. A imagem de uma família perfeita e unida, mesmo que ainda somente na imaginação e muito longe de ser concretizada, era linda. Sendo assim, tanto Sabino III quanto Constantin Saravåj desistiram das terras da Península de Acqualuza, reconhecendo finalmente, que agora estas mesmas eram de domínio da Pasárgada. A paz reinou em Balistres durante alguns meses. Saravåj e Camilly residiram felizes naquela vila e fizeram inúmeros planos para os próximos anos. As colheitas foram um sucesso. A segurança, estruturada por antigos e competentes soldados do escalão de elite do exército da Inglaterra, era impecável. As crianças tinham acesso à educação de qualidade, tanto militar quanto acadêmica. Após muito esforço de seus residentes, Balistres via em seu horizonte uma década próspera e abundante.
Até que, durante um pôr-do-sol, a Pasárgada, faminta por ampliar os seus domínios, invadiu o vilarejo gaulês. Constantin Saravåj e seus companheiros bem que tentaram defender as suas terras com unhas e dentes, mas em vasta desvantagem numérica, foram facilmente reprimidos. Por mais uma vez, a Pasárgada patrocinou um massacre. Muitas pessoas, leigos e militares, foram mortas. A maioria delas, jovens que partiram deste plano sem concretizar os seus sonhos. Nesse ínterim do ataque do reino de Matiza Perrier ao vilarejo de Balistres, Camilly Shaw feriu-se com gravidade. Após ter uma lança atravessada em seu peito, a garota começou a perder muito sangue. Os remanescentes que restaram da investida pasargadana transcorreram para a metrópole de Nice, uma das maiores cidades da Gália e uma das pouquíssimas que contavam com assistência médica especializada. Novamente, a Pasárgada venceu e incorporou a terra de Balistres aos seus territórios.
Em Nice, Camilly foi uma das primeiras a receber atendimento dos paramédicos. Após uma rápida e sucinta análise, o iátrico afirmou a Saravåj que a hemorragia de sua dulcinéia era um quadro clínico irreversível para a medicina da época. Camilly Shaw deveria ter, na melhor das hipóteses, algumas horas de vida. E como se não bastasse, o médico ainda constatou que a garota estava grávida há algumas semanas e teria o infeliz destino cruel de falecer juntamente de seu bebê. Foram as palavras mais duras que já entraram pelos ouvidos de Saravåj. O garoto sentiu que estavam arrancando-lhe brutalmente a parte mais importante de sua essência. Camilly era motivo pelo qual Constantin Saravåj realizou atrocidades pela CAJA. Pelo qual desistiu da carreira militar. E, acima de qualquer outra coisa, a garota era o motivo pelo qual Saravåj estava disposto a matar e a morrer, se fosse necessário. Durante a caminhada até Nice, Camilly fez com que Saravåj prometesse que, independentemente do que viesse a acontecer dali em diante, ele não iria derramar uma lágrima sequer. Nem por ela, nem por ninguém. Mas o garoto iugoslavo foi incapaz de cumprir a sua promessa quando soube que iria perder a mulher da sua vida e seu primeiro filho de uma só vez. "Se Camilly morrer, por que ou por quem eu tanto matei?", pensava Saravåj, entre lágrimas e soluços. Matrimônio. Sonhos. Planos. Tudo virou pó de um instante para o outro. Em pouco tempo, o garoto estaria sozinho no mundo. Soava injusto, mas já não havia tempo para prantos. Durante a trágica notícia, inúmeros mensageiros da Gália chegaram aos berros em Nice, gritando pelas ruas de maneira histérica para quem quisesse ouvir que a Pasárgada estava invadindo a Gália de modo feroz. As tropas da grande metrópole gaulesa precisavam se organizar para um provável combate e os cidadãos daquela localidade eram jogados à deriva, sendo obrigados a se refugiar como pudessem.
Por mais uma vez, os sobreviventes do morticínio de Balistres teriam que fugir de seus algozes. Até a metade do caminho, Saravåj levou Camilly em seus braços, com a estúpida esperança de que Deus, se de fato se fizesse existente, oniconsciente, bondoso, justo e misericordioso, operasse um famigerado milagre. Até que, nos arredores de Paris, tornou-se inviável continuar carregando uma mulher que havia recebido uma sentença de morte. A consciência de Camilly estava por um fio. Os braços de Saravåj já há muito eram humanamente incapazes de continuar carregando um corpo tão pesado. Os retirantes precisavam se apressar, afinal, eles não sabiam o quão rapidamente a Pasárgada estava avançando. Não havia mais como adiar a despedida.
O garoto, afastando-se do grupo de Balistres, encostou Camilly em uma grande figueira. O casal, na escuridão da noite, era iluminado somente pela luz da lua cheia. A garota, em um último e doce ato, colocou nas mãos de Saravåj um colar dourado, que continha um pequeno pingente em formato de coração. E feito isso, fechou os olhos. Aos poucos, a sua respiração pesada cessou. E, por fim, o seu coração deu a sua última batida - um último "eu te amo" à Constantin Saravåj. Após a morte de Camilly Shaw, que sequer teve a oportunidade de ter um velório digno, os que restaram do vilarejo de Balistres continuaram a sua jornada durante toda madrugada. E só pararam quando alcançaram a cidade de Baden-Wüttenberg no nascer do sol, já no território da Germânia (nos dias de hoje, a Alemanha). Em solo germânico, todos os ex-soldados do Exército Nobre Inglês, entre eles, um abalado Constantin Saravåj, fizeram uma última continência à bandeira da Inglaterra, se despediram e trilharam seus respectivos caminhos.
"Olha bem, mulher. Eu vou te ser sincero. Eu sabia que ia dar errado. Esse mundo está corrompido e a felicidade aqui não passa de uma utopia. Nós vamos ficar longe um do outro por um tempo, mas ainda vamos nos reencontrar. Eu não posso te prometer, mas eu juro que anseio por isso do fundo da minha alma"
Após este calamitoso ocorrido, Saravåj nunca mais foi o mesmo. Tornou-se uma pessoa amargurada. Cheio de ódio no coração, admitiu para si mesmo que a criança da profecia não passava de um delírio. Também se convenceu de que todo o amor que ele podia dar em vida terrena, ou qualquer sentimento positivo que fosse, foram para o túmulo juntamente de Camilly Shaw. O garoto iugoslavo passou a dedicar a sua vida a tecer um planejamento suficientemente perfeito para derrubar a Pasárgada - e em especial, Matiza Perrier - já que estes haviam tirado tudo o que ele tinha de mais importante. Suas terras. Seu povo. Seu filho. O grande amor de sua vida. Dizimar a Pasárgada. Concretizar a sua vingança. É para isso que Saravåj passou a viver. Afinal, tudo o que era lindo. Tudo o que era bom. Tudo o que era perfeito. A Pasárgada destruiu.
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2019.01.06 09:33 franciscagiselle Os 10 livros infantis ortodoxos para crianças .

Em nenhuma ordem particular, aqui estão elas!
1. "O Milagre de São Nicolau", de Gloria Whelan, ilustrado por Judith Brown.
Situado na Rússia após a queda do comunismo, o milagre de São Nicolau conta a história do jovem Alexi, um menino curioso. Ele pergunta a sua babushka por que a igreja está fechada e não vai parar até que esteja aberta novamente para a Natividade. Vendo a perseverança de Alexi, as pessoas da cidade se juntam a ele, trazendo seus tesouros secretos. Este livro tocante me faz engasgar cada vez que eu leio! Meus filhos adoram as lindas ilustrações e seguem a busca de Alexi por um milagre.
2. Fotos de Deus: "O Guia de uma criança para a compreensão de ícones" por John Kosmas Skinas.
Esta é uma fantástica introdução aos ícones - tanto o seu significado espiritual e as histórias por trás de vários de destaque. Através de Imagens de Deus , as crianças aprendem sobre Cristo, o Pantocrator, a Natividade, a Anunciação, o Theotokos da Ternura e muitos outros ícones. Meus filhos gostam de encontrar os ícones que viram no livro de nossa igreja aos domingos.
3. "São Jorge e o Dragão" Jim Forest, ilustrado por Vladislav Andrejev.
As ilustrações iconográficas deste livro são absolutamente impressionantes. A história de São Jorge já é incrivelmente atraente para crianças pequenas (e leitores mais velhos também!). Então, junte a história com as ilustrações e você terá um favorito instantâneo. Saint George & The Dragontambém tem uma nota fantástica no final que discute a natureza apócrifa de grande parte da história do dragão, o que se sabe sobre a vida e o martírio de São Jorge, e o simbolismo de vários itens em seu ícone.
4. "A história de Maria, A mãe de Deus" por Dorrie Papademetriou.
Como um recém convertido, eu não cresci aprendendo muito sobre Theotokos. Eu sabia ainda menos sobre o Sts. Joachim e Anna. Este livro me ajudou a aprender sobre o Sts. Joaquim e Ana e sua luta para conceber, a bênção de uma criança e sua decisão de dar Maria a Deus no templo. Embora seja escrito para atrair as crianças, A História de Maria edificará adultos também!
5. "Catherine's Pascha" por Charlotte Riggle.
Catherine's Pascha é finalista do prêmio Best Books USA - uma honra raramente concedida a um livro ortodoxo. Este belo livro percorre uma criança através da Pascha - desde a assadura no sábado até o belo serviço e quebra do jejum com a família da igreja. Este é um dos livros ortodoxos favoritos de todos os meus filhos!
6. "Boa noite Jesus" por Angela Isaacs.
Boa noite Jesus é um livro que rima gentilmente ajuda as crianças a se acalmarem quando elas dizem boa noite e beijam as várias pessoas que são importantes para elas. A criança no livro beija a boa noite de Jesus e dos santos e depois faz o mesmo com sua família enquanto se prepara para dormir. A repetição e a rima criam uma história de ninar como uma canção de ninar que fará a criança dormir.
7. "O monge que criou oração" por Claire Brandenburg.
O monge que desenvolveu a oração introduz as crianças à idéia de oração contínua. Esta história gentil gira em torno de um simples monge que passa por suas atividades diárias, mas o tempo todo ele está orando e crescendo em oração.
8. "H é para Santo" por Nika Boyd.
Se você ler muitos livros de alfabeto em sua casa (como nós fazemos!), Você vai querer adicionar este belo livro Ortodoxo em suas prateleiras.
9. "A mulher e o trigo" por Jane G. Meyer.
Esta é uma história poética que as crianças podem desfrutar em vários níveis diferentes. Meus dois filhos mais novos ficaram fascinados com os processos físicos envolvidos no plantio, cultivo e colheita do trigo e na maneira como ele é transformado em pão. Meu filho mais velho entendeu e apreciou a maneira pela qual Meyer entrelaça a Eucaristia e a oração na história.
10. "Canção do Talanton" por Claire Brandenburg.
Além de ser uma história muito poética e rítmica da oração matinal de um peregrino em um mosteiro, Song of the Talanton é também uma maneira fantástica de introduzir crianças pequenas à ideia de vida monástica. Meus filhos amam especialmente o CD que acompanha o livro e inclui uma gravação de um talanton, uma leitura do autor e vários belos hinos.
Fonte: http://www.orthodoxmotherhood.com/top-10-orthodox-childrens-books/
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2019.01.04 14:40 mrBatata O wage gap continua a ser um mito: revisited

Ok no meu último post houve algumas críticas com argumentos bastante sólidos os quais não me foi possível responder atempadamente especialmente por que fui ler os artigos associados. Achei por bem também partilhar com o sub visto que respondendo individualmente ia ser mais moroso e muitos não iam ver pontos contra o meu argumento que partilho em baixo. (Tirei excertos e fiz link das respostas para não ficarmos com uma parede de texto substancialmente maior)
Notas:
(fim das notas)

TL;DR

No post anterior simplifiquei um problema que não é tão linear.
Mas basicamente não encontrei nada que suportasse a ideia de discriminação ACTIVA contra o sexo feminino, contudo o wage gap nos casos em que depois de ajustado ainda existe pode ser explicado pela maternidade e decisões que a antecedem.
A tarefa de ter um filho influencia as escolhas e tempo gasto no trabalho, à medida que a mulher envelhece a wage gap volta a reduzir novamente. Em bastante suma https://youtu.be/13XU4fMlN3w

TL;DR2

Ver ultimo paragrafo #Reflexões

 

Intro

Antes de mais importa esclarecer que tanto o título deste post como o do anterior são propositadamente click-baity em que apesar de ter havido muita gente a ler o meu texto na íntegra houve muitos outros que pouco ou nada leram. Escrevi este post porque acho importante mostrar outros argumentos que não se alinhem com o meu ponto de vista, ou até de outros, especialmente num mar de desinformação e tempo e atenção limitados. O título transmite que o wage gap é inexistente a verdade é um pouco mais complexa como alguns utilizadores apontaram e bem. Eu pelo que li nesta segunda passagem fiquei com uma ideia mais clara do que é que pode estar a acontecer e falo dela no final.
No meu post original centrei o meu argumento em que ajustando para várias variáveis o wage gap começa a desaparecer. Apesar de isto ser verdade não representa a imagem completa mas dá uma ideia de que a frase “as mulheres não recebem o mesmo que os homens” é muito provavelmente falsa. E este era o ponto em que me devia ter apoiado, porque para além disto ser ilegal nos países em que o “Wage Gap” está em vogue, não há (pelo que já li) provas de que isto seja verdade CONTUDO existem outros fatores que a podem tornar verdade. Um deles foi apontado no post gilded do u/davidpinho (em que apresento um excerto)
Tu não leste as tuas próprias fontes, isso é certo. Por exemplo, no artigo sobre diferenças sobre produtividade diz: [...] Uma explicação plausível para a discriminação, se bem que ainda não provada:
This age path suggests that the pay gap between men and women without children but of childbearing age is due to statistical discrimination: if productivity falls with motherhood but employers cannot lower wages when women give birth, then employers may offer lower wages to productive women in anticipation of motherhood
Em que Statistical discrimination significa:
Statistical discrimination is an economic theory of racial or gender inequality which results when economic agents (consumers, workers, employers, etc.) have imperfect information about individuals they interact with. According to this theory, inequality may exist and persist between demographic groups even when economic agents are rational and non-prejudiced.
Isto é uma possibilidade, que falo mais à frente. Os empregadores têm certamente a oportunidade de o fazer. E como indicas:
”Se este tipo de discriminação é aceitável ou não, isso já é outra discussão.”
Deixo também os pontos da conclusão do u/davidpinho que também são bastante pertinentes:
  • Isto é só um estudo, não se pode olhar só para um. A grande maioria dos estudos encontra a mesma coisa: há diferenças de salários depois de controlar por outros fatores, se bem que a diferença é relativamente pequena.
  • Quero fonte para "Em muitos ajustes é a mulher que ganha mais do que o homem pelo mesmo trabalho e com a mesma formação". Não é isso que a maioria da literatura parece mostrar e não deste fonte específica para isso.
Não encontro a que me referia por memória(colocarei se encontrar) sei que já a li há mais de 2 anos. Entretanto:
  • Não podemos assumir automaticamente que há discriminação só porque há uma 'gap' que continua a existir. Pode haver outros fatores que causam as diferenças salariais, mas...
  • ...também não podemos automaticamente assumir que a discriminação não existe só porque a 'gap' desaparece depois de ajustes. Isto acontece porque, por exemplo, é possível que as mulheres tenham mais empregos part-time por serem discriminadas quando tentam arranjar empregos a tempo inteiro.
  • Existindo diferença salarial, é possível que a discriminação seja "racional", tal como foi aludido no artigo (a tal "discriminação estatística"). Se este tipo de discriminação é aceitável ou não, isso já é outra discussão. Isto é para dizer que a discriminação pode existir sem que os empregadores estejam a deitar dinheiro fora, as duas coisas não são mutuamente exclusivas.
  • Conclusão: isto é um assunto complicado e ainda nada está definitivamente explicado, para de mandar bitaites sobre coisas que não leste.
(Sim, não li na íntegra antes de escrever o texto leio várias coisas ao longo do ano é me quase impossível voltar a encontrar o que quero utilizar para justificar o meu ponto o artigo tinha pontos contra e a favor de ambos os argumentos, daí é que o diálogo é bastante importante na minha opinião, graças ao meu post anterior tomei conhecimento de outros pontos de vista que desconhecia. Um “bitaite” não é apenas uma afirmação sem sentido é uma afirmação de uma interpretação da realidade do observador. Não vou deixar de ter uma opinião se não sei todos os factos, contudo admito que a maneira que escrevi o meu post não foi a melhor e transmitiu uma ideia errada)
Algo que me apercebi com o post anterior e uma das razões que estou a fazer este é que isto é um problema que parece bastante simples mas na verdade é bastante mais complexo e envolve várias áreas (economia, política, gestão, biologia, cultura, psicologia (preferências pessoais)) como uma crise financeira este é um problema que não se resolve com um “dá-se mais dinheiro”. E isto é em parte o que irrita mais nesta situação que não é exclusiva ao “wage gap”, tendemos agora mais do que nunca a pegar em assuntos complexos e simplificá-los a um absurdo que deixa de ter sentido e descarrila completamente o debate. Existe também bastante “desinformação” sobre todo o tipo de assuntos (p.e: a própria Forbes fala contra e a favor do wage gap a vox também) e existe também quem espalha e lucra com contra informação (um dos exemplos mais famosos vem da industria de carvão nos EUA a emitir “estudos” que desprovam o efeito estufa e o aquecimento global).
Recomendo verem este curto vídeo sobre este mesmo tema chamado de “cigarros, slots e outras coisas não viciantes”.
 
Todos concordamos no entanto (salvo algumas exceções não devidamente fundamentadas) é que quando se ajusta para vários fatores a “gap” começa a desaparecer.
Em quase todos os artigos que li não vi mencionado é haja qualquer regra que se aplique irá a mesma mudar alguma coisa?
Talvez olhar para soluções para o que vemos como um problema nos possa mostrar de onde ele realmente vem. Vamos assumir então cenários EXTREMOS para termos uma ideia geral para onde as coisas inclinam.
Primeiro cenário:
  • Todas as empresas são obrigadas a ter quotas de sexos
As empresas vão se sentir pressionadas para balançarem produtividade com números, para além de que seria inconstitucional despedir o excesso de homens ou mulheres (sim há empresas com mais mulheres que homens).
Uma empresa de obras por exemplo; imaginemos que têm 100 empregados dos quais 5 são mulheres essa empresa seria agora forçada a contratar 90 mulheres para manter o balanço.
Estas empresas vão querer mulheres que tenham conhecimento de bricolage e construção que consigam transportar e mover cargas pesadas, vamos assumir que a própria empresa nem se importa de oferecer a formação. Existem algumas mulheres fortes que conseguem ser tão produtivas fisicamente como um homem mas quantas é que existem numa população de 10 milhões? Certamente que não estão distribuídas igualmente pelo país. E dessas quantas é que querem trabalhar em obras? A empresa pode forçar os homens a fazer o trabalho forçado e deixar as mulheres fazer o mais fácil mas durante quanto tempo é que isso é sustentável? Uma empresa destas tem de alocar vários empregados para vários locais e certos trabalhos são mais exigentes fisicamente do que outros. A empresa também pode ter as mulheres “encostadas na box” apenas para manter a quota mas isso não só é queimar dinheiro como ia rapidamente tornar-se num pesadelo de discriminação.
Vamos agora ver por exemplo um cabeleireiro; imaginemos que têm 5 mulheres este salão tem agora de contratar 5 homens para lá trabalharem. O salão vai querer contratar gays para manter um ambiente convidativo para mulheres (um cabeleireiro para muitas mulheres(>40 maioritariamente) é como um “fórum” onde podem interagir com outras mulheres, especialmente fora das cidades) Com >1% da população sendo homossexual não vai ser nada fácil para estes negócios encontrarem homens que consigam OU QUEIRAM ser cabeleireiros.
Mas em ambos os casos estas são as menores preocupações que as empresas enfrentam, os custos passam a ser um problema bastante sério. As empresas vão demorar e gastar bastante a treinar os novos empregados e quando os tiverem treinados não vai haver contratos externos/compras/serviços suficientes para ter todos eles a trabalharem logo vão ter de aumentar os preços, ou seja todas as empresas aumentam os preços (isto assumindo que todas as empresas conseguem encontrar pessoas para preencher o trabalho) Quero ver como é que depois convencemos a união europeia a nos dar mais euros para combater a inflação criada. Nem sequer mencionei os trabalhos que requerem formação avançada tipo medicina ou aviação em que as capacidades e não o sexo é que importam.
Segundo cenário:
  • Paga-se mais às mulheres do que aos homens, para fechar o “gap”
Primeiro não sei como é que vão conseguir fazer passar isto pelo tribunal constitucional. Uma solução possível era os homens fazerem menos horas. Isto ia ser no mínimo anedótico. Mas assumamos que passava a acontecer o que é que aconteceria?
Se as empresas tiverem de pagar mais às mulheres para diminuir a “diferença” os homens vão procurar outras formas de fazer mais dinheiro e/ou não se vão dedicar tanto à vida profissional porque não existe um incentivo para isso
Algo que todos sabemos mas parece que nos esquecemos uma parte do que leva homens a seguir empregos bem pagos é que podem usar o dinheiro e podestatus na estratégia sexual (antes de descartarem esta ideia como ridícula pensem em quantas e quais mulheres existem que estão a fim de suportar o parceiro monetariamente? E dessas quais é que querem viver com um homem com um status inferior ao delas?)
A estratégia sexual, na minha opinião, influencia provavelmente mais do que pensamos. Infelizmente não consegui encontrar literatura sobre isto a não ser livros e não estatística.

 

Outro ponto apontado por u/salazarcadositio oi a minha falta de objetividade quando digo que o wage gap é um mito e em que se me estou a referir às falas do "clássico 78 cêntimos do dólar" em que providencia este artigo do washington post.
Ou caso estivesse a dizer que o wage gap era mesmo um mito e não existia de forma nenhuma, em que mencionou o post do u/gattaca_now e que expande:
Sendo uma diferença entre dois valores estatísticos, o wage gap é real e existe. Podes é discordar acerca das razões pela qual ele existe e se são justas ou não, mas a diferença estatística existe, é factual.
A média salarial dos homens é mais elevada que a média salarial das mulheres. Este parece ser um problema comum a discussões de assuntos mais ou menos sérios. Não se define bem do que se está a falar à partida e depois tens pessoas a falar um para o outro mas de coisas diferentes. Já começas a ter muitos exemplos disso nos comentários.
Mas isto é uma discussão importante de se ter. Pelo que vejo do teu post acho que estás a dizer que a noção de wage gap não existe como a ideia de que "para o mesmo trabalho uma mulher recebe 78 cêntimos de dolar de um homem" o que eu concordo em grande parte. Mas aceitas que existem diferenças salariais e que estas advêm de questões culturais e biológicas.
A questão de combater o wage gap, quando abordada de forma séria e para lá do soundbite dos "78 centimos", é essa mesma, que para lá do soundbite dos "78 centimos". As questões culturais que fazem com que assim seja e se elas são legitimas ou se devem ser mudadas.
As horas de trabalho que falas, os tipos de carreiras que predominam mais num sexo do que no outro, e as responsabilidades familiares que as mulheres assumem. São essas as questões culturais que se devem discutir neste assunto.
Muitas vezes este assunto acabe em: "devem existir igualdade de oportunidades entre os sexos mas não igualdade de resultados". E que no panorama geral das sociedades ocidentais isso já se verifica. Eu concordo com a premissa mas discordo que já lá tenhamos chegado.
Alguns exemplos: * As mulheres ainda são quem a maioria do trabalho domestico num contexto familiar. Fonte.
  • Ainda existem fortes estereótipos e expectativas associadas com ambos os sexos que afunilam cada um para certos campos Fonte
  • As mulheres continuam a ser prejudicadas a longo prazo pelo facto de terem filhos Fonte
Todos estes fatores influenciam o tal wage gap que existe. Podemos discutir como sociedade se são fatores que devemos ou não mudar. Se são ou não coisas que se devem deixar á escolha pessoal de cada um com as consequências que isso trará para a sociedade. Essa é a verdadeira discussão a ter neste assunto.
Concordo!
Mas tudo isto não tem em conta a parte mais importante: as diferenças biológicas entre os sexos. Mais concretamente diferenças neurológicas, que são uma surpresa para muitos. Esta explica bem porque é que as mulheres preferem trabalhar com pessoas e os homens com coisas.
Isto está longe de ser aceite como facto. Se tiveres uma fonte gostaria de ler mas nunca vi nada que fosse capaz de ligar a biologia a esses efeitos sociais de forma conclusiva.
Tenho sim apesar de que provavelmente não deveria ter dito a primeira parte.
Com esta merda de querermos ser todos iguais estamos completamente a ignorar as nossas limitações biológicas e culturais e em muitos casos a danificar o progresso que tanto queremos fazer.
Concordo que a discussão precisa de ser melhor mas "esta merda de querermos todos ser iguais" continua no meu ponto de vista a ser um objetivo nobre e bom para a sociedade. As limitações culturais estão nas nossas mãos mudar e as biológicas não parecem ser de todo impedimento para que o façamos.
O “querermos ser todos iguais” é mais o queremos igualdade de resultado ou mais privilégios de forma egoísta.

 

O u/rui278 e outros também apontaram e bem para a questão biológica de Inato ou Adquirido E, isto é, algo que só saberemos em 2066 quando o estudo de Peter B. Neubauer for publicado. Mas por algumas fugas de registros censurados(=redacted) parece que a biologia afecta mais do que o ambiente. Esse psicólogo tem alguns trabalhos bastante interessantes sobre desenvolvimento btw. Entrei novamente numa tangente.
[...]Ou seja, o wage gap não é um problema in of itself, é uma consequencia dos vários problemas de base na nossa sociedade que puxam os homem e mulher para terem posições diferentes na sociedade. Em teoria deveria ser +/- equiprovavel encontrar homens e mulheres na mesma posição (o único fator relevante que diferencia entre homens e mulheres é mesmo as licenças de natalidade, mas lá está, também há uma pressão grande para serem os 6 meses gastos pela mulher, quando splits do tempo deveriam ser perfeitamente normais e também ajudariam a fazer com que isso fosse menos fator).
Eu muito antes disto tudo concordaria contigo na primeira parte (no final estamos de acordo), deveria ser natural encontrar homens e mulheres igualmente distribuídos mas se avaliarmos a nível de estratégia não faz muito sentido. Imagina que éramos todos hermafroditas ou seja podíamos escolher fecundar ou ter bebés; ok aqui era tudo definitivamente igual. Então o que teria mais peso neste cenário? A gestação. Iria requerer bastantes cuidados da pessoa que decidisse dar à luz. Portanto interessa-me várias coisas:
  • evitar situações de risco ao máximo
  • ter um parceiro que me pudesse suportar
  • ter um maior controlo sobre o meu futuro
  • e não ter compromissos
Estas são as regras para ter uma estratégia bem-sucedida quantas menos tiver mais precária se torna a minha posição. Agora isto também depende bastante do parceiro que escolher se ele não se comprometer fico na merda e pior do que estava porque agora tenho um parasita dentro de mim. E na vida real vemos isto todos os dias, as mulheres decidem com quem ter sexo (ou não) e os homens decidem com quem se comprometer. As nossas diferenças biológicas (PELO MENOS SEXUAIS) influenciam as nossas decisões e comportamentos. Claro que isto é oversimplified mas acho que dá para dar uma imagem de porque é que acho que esse é o caso.

 

Quanto ao [comentário]() da u/grilledpotato90 :
Antes de mais, peço desculpa pela formatação, pois estou a escrever no telemóvel. Segundo esta estatística da OCDE (https://stats.oecd.org/index.aspx?queryid=54757) as mulheres portuguesas, no total, trabalham mais 90 minutos por dia que os homens. O que é que isto tem haver com a Gender Gap? Bem, se analisarmos o total de minutos por dia de unpaid labour, conseguimos observar uma discrepância enorme entre géneros (M 96.3 min/dia e F 328.2 min/dia). Eu acho que é aqui que está a origem e a justificação do Gender Gap. Os homens e as mulheres não dividem por igual (50/50) as tarefas domésticas.
Sim! Concordo, vês que as mulheres passam bastante mais tempo em trabalhos não remunerados (232 minutos ou 3 horas e 52 minutos a mais do que os homens ou 5:28 no total (estamos atrás do méxico em n1 e da índia em n2)) do que os homens (que gastam no total 1h:36m) e que os homens passam 141 minutos (2 horas e 21 minutos) a mais do que as mulheres em trabalhos remunerados. E está presente em TODOS os países nessa fonte. O que sugere que poderá ser mais do que um aspecto cultural.
Mas também vejo discrepâncias especialmente na Suécia, na Dinamarca, na Noruega e na Holanda os Homens trabalhem tanto mais em trabalho pago que acabam no total por trabalhar muito mais tempo que as mulheres, estamos a falar de países bastante balançados a nível de sexo. O que é estranho. Será que os homens estão a compensar por algo? Outra coisa, nós também não conseguimos dizer o que tem mais peso no trabalho não remunerado:
Time spent in unpaid work includes routine housework, shopping, care for household members, child care, adult care, care for non-household members, volunteering, travel related to household activities, and other unpaid activities. Sem querer atirar areia à cara porque é absolutamente garantido que as crianças gastam bastante desse tempo, mas quanto?
Isto é um fenómeno cultural que não está certo.
Não está certo porquê? Queremos obrigar as mães grávidas a fazer a mesmas atividades de não grávida para compensar minutos gastos em trabalho não remunerado? É que 9 meses (na verdade 10 porque são 39.1 semanas) é bastante tempo mesmo excluindo os meses iniciais. Quanto desse tempo está incluido nos minutos da OCDE? Não sabemos.
Certamente que não vamos fazer como aos cavalos marinhos e passar os fetos para o pai acabar a gestação. E depois de nascidos quantas mães é que querem que o bebé passe a maioria do tempo com o pai? Isso é justo para a mãe? Neste ponto também me questiono; é justo para os pai trabalhar mais horas laborais do que a mãe?
Antes da entrada da mulher no mercado de trabalho entendia-se, mas hoje em dia, em que as mulheres trabalham as mesmas horas que os homens nos seus empregos é inadmissível!
Os homens trabalham mais. Em todos os países da fonte. E então qual é o problema se as mulheres trabalharem menos horas no emprego? E aqui acho que está outro ponto importante da discussão. O que é que é justo? Certamente que todos concordamos que tanto as mulheres como os homens têm os mesmos direitos. Mas com direitos vêm responsabilidades, e, a meu ver algumas mulheres, partidos políticos e o movimento “feminista de 3.ª onda” têm usado o wage gap como arma de arremesso para dar mais direitos às mulheres com muito menos responsabilidades, ATENÇÃO que não estou a dizer que todas as mulheres subscrevem a esta ideologia muito menos que as mulheres não têm já responsabilidades e dificuldades suficientes estou a dizer que é tudo muito bonito dito mas são basicamente argumentos de casas de cartas. [E este é um ponto que é difícil de expressar e que pode ser mal compreendido.]
"Porque é que as empresas não contratam mais mulheres, já que lhes pagam menos?" pela mesma razão a que continuam a preferir contratar homens a mulheres.
Mas onde está a prova de tal? Não digo que não possa ser verdade O/A u/TomTomKenobi apontou para uma boa thread no wiki do economy e que também fala disso, faz o ponto de que “cannot assume economic outcomes from a deductive approach alone” algo que fui um pouco culpado de fazer no post anterior.
As mulheres engravidam, os filhos estão doentes e elas depois faltam, etc.
O pai também tem direitos paternais nada obriga a mãe a ser ela exclusivamente a tratar dos putos. E se queremos ser justos neste ponto vamos fazer com que os divórcios dêm a guarda ao pai por defeito em vez de à mãe. Uma grande parte desse problema desvanecia. Se os filhos são um problema tão grande e se como sociedade queremos ser tão igualitários porque é que as mães ficam sempre com a guarda dos filhos? Também não acho justo. Porque é que os Telejornais falam tanto de “wage gap” mas não de guarda paternal ou partilhada? Saí numa tangente mas achei que era pertinente levantar este ponto.
O Gender Gap é real porque devido à fisionomia da mulher e ao seu papel social, esta é sempre vista como uma "liability" para a empresa.
Woah calma lá, o Gender gap é real porque a fisionomia da mulher é X é fazer uma grande ligação. Não digo que não possa ser verdade mas a nível de afirmação é um grande salto.
Até têm menos acessos a promoções devido a esta expetativa social.
Isto não é verdade. Os homens são os que mais trabalham para e pedem promoções, e uma coisa que muitas pessoas acham é que uma promoção é equivalente a ganhar mais dinheiro, uma promoção envolve muitas mais responsabilidades mais horas de trabalho e mais stress coisa que as mulheres não estão para aturar. Menos ainda se ainda não tiveram filhos. O que se pensarmos faz sentido. Se eu não tenho um filho ou família e se o meu corpo vai se degradar ao ponto que já não me é possível ter um no futuro não vou dar um “LEROY JENKINS” no meu emprego e perder a oportunidade de ter descendentes.
E antes que venham com “ah e tal mas as mulheres ganham menos em promoções” segundo o “bureau of economic research” americano apesar de haver uma diferença de 2,2% em promoções que já levava em conta as mulheres escolherem mais trabalhos como assistentes e trabalho administrativo que raramente tem oportunidades de promoção e os homens escolhiam mais trabalhos em áreas em que era possível a promoção, importa notar também que este estudo é de 1995
Uma das fontes de onde tirei o seguinte é bastante tendenciosa e não apresenta os dados em avulso mas chega a pontos pertinentes que convenientemente decidem não endereçar. Algo que também importa notar é que isto é um questionário e é americano. Usei para não dizerem que eu pesquiso por aquilo que me é favorável. Eu encontro discrepâncias e analiso.
Fewer women than men are aiming for the very top. Among senior managers, 60% of women said they want to be a top executive, compared to 72% of men. Women were also more likely to cite stress and pressure as one of the biggest reasons for not wanting to hold top positions.
Contrary to popular belief, women are not leaving their organizations at higher rates than men. In fact, women in leadership are more likely to stay with their companies than men. At the senior vice president level, women are 20% less likely to leave. Women in the C-suite are about half as likely to leave their organizations as men.
Women often start out in line roles (defined as positions with profit-and-loss responsibility and/or focused on core operations), but by the VP level more than half of women hold staff roles (positions in functions that support the organization like legal and IT). Men, on the other hand, are more likely to hold line roles at every level of an organization. This difference poses a potential problem because line roles frequently feed into senior leadership.
There's a common misconception that women who start families are subsequently less ambitious in their careers. But mothers in the survey were 15% more interested in being a top executive than women without children.
Very few people participate in flexibility and career-development programs offered by their organizations. More than 90% of women and men believe taking extended family leave will hurt their position at work.
Se os homens dedicarem o mesmo tempo no trabalho doméstico que as mulheres, deixa de haver este problema!
Eu diria que continuaria a existir, já vimos que há muito mais variáveis a este problema, mas concordo que tornava o trabalho das mães muito mais fácil.
Mas agora não venham para aqui dizer que o Gender Gap é mentira quando em todas as entrevistas de emprego me perguntam quais são os meus planos em relação a casar e a ter filhos!
Aqui acho errado e não sei se não poderás reportar isto a alguém. É completamente desnecessário e ninguém tem um caralho a ver com isso a não seres tu.
O/A u/crouchingvenus escreveu:
[...] os que já são pais focam se em melhorar o estilo de vida da família o que implica focarem-se mais no trabalho.
Não achas que isto é um problema? Porque é que são as mulheres incentivadas a dedicar mais tempo à família e os homens ao trabalho?
Não, não acho. Porque ninguém as está a forçar a isso. Se estivessem a ser forçadas sim achava bastante errado. E ninguém é forçosamente incentivado a fazer nada. Exceto as mulheres a seguirem carreiras STEM (ciência(Science), Tecnologia, Engenharia e Matemática) Não achas que isto é um problema? Especialmente quando o quão mais igualitária é uma sociedade menos as mulheres escolhem estas áreas.
Todo o teu raciocínio só reforça preconceitos de género e valores sociais bafientos. Entra em 2019 please.
Por favor elucida-me como. Eu diria mesmo o oposto, se tivermos dados e entendermos os problemas que enfrentamos e os tentarmos resolver é benéfico para todos não achas?

 

O u/DogsOnWeed também mencionou que os homens terem direito de licença de paternidade também ajudaria a corrigir desigualdades estatisticas.

 

Reflexões

O que conseguimos dar como certo:
  • Ninguém aqui quer que as mulheres sejam discriminadas
  • Queremos igualdades de oportunidade
  • O 77 cents on the dollar vem do Current Population Survey de 2009 do Bureau of Labour Statistics US
  • As mulheres trabalham mais em trabalhos temporários (Várias fontes)
  • Os homens trabalham mais horas extra (Várias Fontes)
  • As mulheres tendem a ocupar trabalhos que pagam menos (Várias fontes)
  • As mulheres tendem a escolher trabalhos que não facilitam a promoção
  • As mulheres ganham mais em trabalhos temporários (entre 1 a 34h) por semana do que homens (Bureau of Labour Statistics US)
  • 25% das mulheres e 12% dos homens trabalham em trabalhos temporários (Bureau of Labour Statistics US)
  • 11% das mulheres e 22% dos homens trabalham mais de 41 horas (Bureau of Labour Statistics US)
  • As mulheres que nunca casaram recebem EM MEDIA 5% menos do que os homens (Bureau of Labour Statistics US)
  • As pessoas que trabalham horas extraordinárias recebem cerca de 5 vezes mais do que as que trabalham em part time.(Bureau of Labour Statistics US)
Algo que descobri a investigar para escrever este post foi que segundo dois papéis da Claudia Goldin (este e este) que me foram referidos por esta peça da Vox
É que o wage gap pode ser explicado pelos custos de ter um filho e as curvas nos gráficos do papel e do vídeo parecem ter uma correlação com o aumento da idade média em que as mulheres têm o primeiro filho (Indicato>Dropdown />Mean age of women at childbirth) e que encaixa bem quando vemos que as mulheres mais ricas do mundo têm mais de 55 anos.

 

Enquanto os comentários anteriores dedicaram lógica, dados e contra argumentação outros simplesmente atiraram este papel do World Economic Forum várias vezes com “oh mas este desprova tudo isso” acho que se lerem apenas a introdução entendem logo porque é que não lhe dei o tempo do dia. E não é um estudo é mais é uma aglomeração de valores que esperam que a distribuição de homens e mulheres seja 50:50 em tudo (excepto em taxas de mortalidade por exemplo) algo que outros users foram rápidos a comentar.
Acho também um bocado triste haver comentários com discussão pertinente serem downvoted porque têm uma visão diferente e foi óbvio pela altura em que os downvotes apareceram que foi uma birra de “isto está contra o que eu acredito” “pumba, downvotes para todos”. Não façam isso, downvotes não mudam opiniões.
   
Fontes:
https://www.theguardian.com/world/2018/jul/23/women-lying-earning-more-than-husbands-us-census
https://www.nytimes.com/2018/07/17/upshot/when-wives-earn-more-than-husbands-neither-like-to-admit-it.html
https://www.vox.com/2018/2/19/17018380/gender-wage-gap-childcare-penalty
https://www.payscale.com/gender-lifetime-earnings-gap
https://www.youtube.com/watch?v=13XU4fMlN3w
https://iwpr.org/wp-content/uploads/wpallimport/files/iwpr-export/publications/C350.pdf
https://web.archive.org/web/20101126032209/https://www.bls.gov/cps/cpswom2009.pdf
https://web.archive.org/web/20181130100719/https://arxiv.org/pdf/1703.04184.pdf
http://siteresources.worldbank.org/INTPAH/Resources/Publications/459843-1195594469249/HealthEquityCh12.pdf
http://cep.lse.ac.uk/pubs/download/dp1156.pdf
https://scholar.harvard.edu/files/goldin/files/goldin_aeapress_2014_1.pdf
http://scholar.harvard.edu/files/goldin/files/dynamics_of_the_gender_gap_for_young_professionals_in_the_financial_and_corporate_sectors.pdf
 
Outros comentários interessantes u/TomTomKenobi com este, u/harlequin90 com este e u/agaeme com [este]() em que menciona este video que não consegui ver porque não tenho netflix
Edit: Formatação (raio do reddit e o novo markdown) e ortografia
Edit2: Adicionei TL;DR
submitted by mrBatata to portugal [link] [comments]


2018.12.05 13:56 Steoko Crítica: Binding of Isaac

Crítica: Binding of Isaac
PLATAFORMAS: Windows, Mac OS Classic, Linux, macOS
PREÇO: R$8,49 (STEAM)

ANO DE LANÇAMENTO: 2011
https://preview.redd.it/byoideshig221.jpg?width=825&format=pjpg&auto=webp&s=9be73046e2c1320745cdf64decc65c0f3210b15a
Binding of Isaac foi uma das melhores surpresas que o final de 2017 me revelou, mesmo não sendo um jogo para os grandes públicos. O jogo com o qual eu atualmente já gastei aproximadamente 475 horas merece uma introdução breve, então vamos lá: tBoI é um jogo despretensioso feito em flash pelo mesmo criador do famoso jogo indie Super Meat Boy, e apesar de preservar um pouco da direção de arte desse sucesso de vendas, tBoI se apresenta como uma experiência completamente diferente de SMB. Sendo um rogue-like(se você morrer, perde todo o seu progresso) com elementos de bullet hell(um cenário com vários inimigos que poluem a fase com disparos que você deve desviar para obter êxito na fase) os criadores surpreendem com o produto final, pois mesmo sendo um jogo com poucos recursos financeiros em sua produção(lowbudget), o jogo se apresenta extremamente complexo e de dificuldade aguda. Na história o protagonista Isaac tenta fugir de sua mãe pelo porão após a mesma tentar mata-lo em nome de deus, e neste porão Isaac terá que enfrentar centenas de inimigos e chefes de fase para conseguir sua liberdade.
Quanto a Jogabilidade:
Eu devo admitir que num primeiro momento os controles do jogo parecem ser bem aversivos ao jogador e bastante imprecisos, fora que a curva de aprendizado não é das mais convencionais. A única explicação que o jogador recebe sobre as mecânicas do jogo são quais botões apertar para se movimentar e atirar no primeiro quarto da primeira fase, qualquer entendimento maior sobre itens e como o jogo funciona ficam a cargo do jogador descobrir sozinho, o que a princípio me deixou bastante frustrado, pois a falta de entendimento sobre itens acaba que por deixar as primeiras horas com uma jogabilidade arrastadas, lentas e até mesmo insuportáveis, mas então ocorreu comigo uma reviravolta que eu jamais imaginava que Isaac poderia me proporcionar: a recompensa do descobrimento. Assim que descobri o que alguns itens faziam, e que eles possuíam uma certa sinergia(com a combinação certa), o nível no meu gameplay aumentou muito e a jogabilidade deu uma reviravolta gigante, pois agora eu explorava o jogo em todo o seu potencial. Depois dessas horas insistindo na masterisação da mecânica de jogo eu me permiti uma fluidez gigantesca no meu gameplay em cada run. Felizmente esse prazer gigantesco veio depois dessas horas de incomodo.
Quanto aos visuais:
Apesar de usar um estilo de animação e caracterização de personagens que se assemelham a personagens de desenhos infantis, todo e qualquer inimigo do jogo é feito para parecer uma aberração, com direito a fetos abortados que cospem sangue, pessoas obesas sem a metade de cima do corpo, lumbrigas voadoras com um olho só e por ai vai. No princípio tanto a sonorização quanto os visuais podem parecer estranhos e o contraste com o traço infantil e as aberrações desenhadas nesse traço torna o início de gameplay bem estranho, mas esse sentimento deixou de existir pra mim depois de algumas horas e depois de me familiarizar com os inimigos, mesmo que exista uma variedade gigantesca deles.
Eu acredito que uma grande parte dessa dualidade de ideias na direção de arte é de tom jocoso, uma vez que a ideia seria expressar os piores pesadelos de um menino de 7 anos que vive num ambiente familiar hostil. Eu percebi também fortes críticas ao modelo de criação cristão dentro da sociedade estadunidense, sendo que esta não faz questão de ser inserida sutilmente. Procurando mais sobre o assunto, essas críticas
fortes e piadas com a fé cristã vem do próprio passado do criador do jogo, que sofreu em sua infância por conta de uma mãe muito conservadora e religiosa.
O bom e o mal do RNG:
Dentro de cada andar do porão existem salas que guardam itens que podem alterar seus status como dano por tiro, cadencia de tiro, velocidade e como tambem podem lhe dar habilidades especiais como voar, os seus tiros aplicarem uma marca de veneno no inimigo e outras infinidade de possibilidades. Com 475 horas de jogo eu ainda não consegui desbloquear todos os itens, o que por si só já é impressionante aos meus olhos. A frequência com a qual esses itens aparecem no jogo é determinada por um sistema de RNG(Random Number Generator) e essa mecânica em muitos jogos divide opiniões, e neste jogo ela dividiu a minha própria também. Muitas desenvolvedoras hoje em dia acabaram adotando dentro de seus jogos mecânicas similares e em todos os casos a opinião da base de jogadores tem críticas muito fortes. Eu particularmente concordo com o ponto de vista de que basear um sistema de recompensas num RNG puro pode muitas vezes não recompensar própriamente o jogador e depois de um tempo pode até frustrar quem joga. Dentro de Isaac existem runs que por conta desse sistema não valem a pena ser jogados, pois o RNG não permite uma combinação de itens que viabilize um Run próspero. O contraponto desse argumento é que o RNG gera uma rejogabilidade muito forte, e apesar de concordar com a problemática do RNG, eu preciso concordar que neste caso essa mecânica trás mais coisas boas do que ruins. Nas minhas eventuais desistências de um run eu me sentia frustrado muitas vezes, mas ao mesmo eu ficava muito motivado a para tentar mais uma vez, pois este próximo poderia ser aquele que eu conseguiria uma combinação de itens que tornariam o jogo muito divertido. Cada run ou é muito bom ou é muito ruim, tudo por conta do RNG. E esse é o ponto que trás o melhor e o pior de The Binding of Isaac, e concede a este jogo a qualidade que me deixou jogar ele por tanto tempo: rejogabilidade.
Resumo e julgamento:
Apesar dos pequenos problemas de RNG e a curva de aprendizado bizarra, esse jogo conseguiu me prender mais do que muitos títulos triple A, e posso dizer com segurança que depois dos meus dois amores WoW e LoL esse é um dos jogos que eu mais gastei horas na minha vida. Eu acredito que o causador disso é a rejogabilidade que o jogo oferece. A variação de cenários com variação de inimigos, a dificuldade de obter a combinação de itens corretas; tudo isso faz com que cada run seja uma inspiração para o próximo, mas essas mesmas características que fazem esse jogo brilhar pra mim o fazem ter problemas para muita gente e acaba por não ser pra qualquer um. Binding of Isaac é difícil, mas é exatamente o que eu procurava.
NOTA:
3/5
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2018.09.15 06:36 foulpaig Um breve Desabafo Amoroso

Então, tudo bem? Venho dar aqui um breve desabafo sobre algo que me está a permanecer no pensamento desde há bastante tempo, e então ocorreu-me a ideia de escrever aqui. Espero que leiam, agradeço imenso.

Uma breve introdução de quem sou...
Tenho 19 anos, faço 20 no dia 5 de novembro, estudo Engenharia Química e sou uma pessoa "normal". Sou de uma família humilde e trabalhadora, sentimental e ao mesmo tempo ambiciosa. Tenho 3 irmãs, uma é minha irmã gêmea e as outras duas são 6 e 8 anos mais velhas do que eu. Sempre tive uma educação de que tenho que ir para a faculdade e tirar um bom curso e ter sucesso na vida, pois desde que era criança minhas irmãs estudavam e foram para a faculdade e tiraram bons cursos, então minha mãe, principalmente, quer o mesmo para mim e para a minha irmã.
Agora falando mais de mim.
Sempre tive amigos e desde o ensino secundário que comecei a falar com mais gente, pois gosto de conhecer pessoas, daí hoje ter bastante gente que conheço da minha idade e conhecer bastantes pessoas. Apesar de ser assim, não sou daquele tipo de pessoas que fala "logo de primeira com alguém", sou muito tímido no início para ser sincero. Muita gente depois de me conhecer já me disse que tinha uma imagem muito diferente de mim antes de me conhecer. Mas apesar de gostar de falar com bastantes pessoas e de até ser sociável, sempre me sinto inseguro em relação a mim mesmo e à minha personalidade, pois antes de entrar no ensino secundário, com 15 anos, eu tinha só um grupo de amigos, o da minha infância. Depois disso conheci mais pessoas e até já fui a festivais e a muitas festas com pessoas que não são do meu grupo de amigos de infância. Apesar disto, nunca perdi amigos até hoje, o que é muito bom. Mas voltando ao que estava a dizer anteriormente, sinto-me inseguro em relação a mim, sinto muitas vezes que não sou capaz e sinto que sou influenciável. E acho que este é o problema de ter muitas amizades, somos influenciáveis. Mas na verdade gosto de falar com diversas pessoas, não me consigo só ligar a um grupo de pessoas... Mas adiante.
O verdadeiro motivo de estar a escrever isto neste momento, não é sobre esta minha "dualidade" de personalidade. Também é, um pouco. Mas é acima de tudo sobre ela. Ela. A rapariga, talvez possa chamar mulher, não sei. Sei uma coisa. Nunca me senti tão apaixonado por alguém e tão atraído por alguém como me sentia, e sinto por ela. Ela tem 19 anos, faz 20 para o ano. Chama-se Beatriz e mora a mais ou menos 5km de distância de minha casa. Estuda Arquitetura, tem olhos castanhos grandes, lábios carnudos, um nariz perfeito, cabelo castanho escuro liso, e uma pele tão macia. Nunca vi rapariga tão atraente e tão bonita, juro. Desde a primeira vez que a vi, e já lá vão 3 anos, que a primeira coisa que disse foi: " Quem é esta?". Era tão inocente na altura, que não percebi que estava a envolver-me numa teia de paixão que até hoje ainda não me consegui desprender. Sim, foi atração fatal. Durou um mês até eu ganhar coragem e enviar-lhe uma mensagem. Durante esse mês, tudo o que eu fazia era na escola olhar para ela nos intervalos e já sentia o meu coração a bater mais rápido, e chegar a casa no fim de um dia de escola, e saber que a vi naquele dia, já me trazia uma felicidade que eu não conseguia explicar. À noite, deitava-me a ouvir The Kooks, Coldplay, Tame Impala... e outras músicas "lame", só para pensar nela. Não me cansava. Era pura paixão, nunca tinha sentido nada antes, estava nas nuvens completamente. Os meus dias nessa altura eram diferentes, tudo era diferente. Bastava ir ao perfil dela no Instagram ou no Facebook, e estão a ver aquela felicidade cega? Aquele sentimento que não sabem explicar, mas tão bom, que não querem que acabe... Eu nunca me tinha sentido assim. Sentia-me um sortudo por ela existir e estar a sentir aquele turbilhão de emoções. Certo dia falei dela com amigos meus, mais próximos claro, mas falei mais com o João, e eu que nem sou nada, mesmo nada (infelizmente) de demonstrar sentimentos e interesse por alguém. Lembro-me bem das palavras dele: " É a Bea, é mesmo gira não é? Já a mãe dele é mesmo gira. Mas esquece ela é rica e é difícil aposto." Toda a gente a achava linda e interessante. Ele conhecia uma amiga dela, a Mariana, que andava num centro cultural com ele. Eu tinha vergonha de lhe pedir o número, e não queria pedir ao João que pedisse à Mariana. Mas ele sabia que eu estava com muito interesse. Não durou muito tempo até ele pedir o número dela à Mariana. Ele disse que era para um amigo, que estava interessado, e disse-lhe o meu nome. Consegui o número dela. Demorou mais ou menos uma semana até ganhar coragem e mandar-lhe mensagem. Mas num dia à tarde na escola, estava a jogar ping-pong, lembro-me bem desse dia, e fiz uma pausa e fui ao telemóvel, e tinha uma notificação no facebook. Quando li, arrepiei-me completamente. Ela tinha posto gosto numa foto de capa que eu tinha no facebook, dos Pink Floyd. Foi aí que achei que aquilo foi um "avança". Decidi mandar-lhe mensagem, dia 28 de Maio de 2015.
"Olá."
"Quem és"
"Não me vais conhecer..."
"Diz quem és e eu posso te conhecer"
"Chamo-me Henrique, ando na escola"
"Ah sim já sei quem és, já me falaram de ti :) "

A conversa desenrolou-se nesse dia, e eu estava tão feliz. Uma semana depois, na festa do "Dia da Escola", à noite, liguei-lhe e fui ter com ela. Ela estava com as amigas, que eu conhecia de vista. Estive com ela desde as 21h até à 00h, sempre a conversar... Lembro-me perfeitamente como se fosse hoje. Falamos um pouco de tudo, acima de tudo de música. Não nos beijamos... Houveram sim contactos visuais, etc... Eu já tinha beijado raparigas antes, mas eu gostava tanto dela que não conseguia avançar... algo que não conseguia entender... Era muito forte. Eu via Game of Thrones, e associave inúmeras cenas da série a ela. Muitas coisas. Para terem noção. Para além disto, não sei se vocês acreditam em signos ou não, mas o meu signo é Escorpião e o dela é Touro, signos opostos que se complementa, e temos as Luas no mapa astral opostas também... a minha de gêmeos, e a dela em sagitário. Isto significa, enorme atração, basicamente. Eu não sei se acredito, mas faz algum sentido. Mas adiante. Trocamos mensagens todos os dias, trocávamos snapchats, fazíamos chamadas à noite, algumas vezes, trocávamos músicas e artistas que gostávamos... E eu comecei a ouvir mais o que ela ouvia, e só pensava nela 24h por dia praticamente. Só.
Durante o Verão, eu fui ao Festival Paredes de Coura, e liguei-lhe no concerto dos Tame Impala, porque ela queria muito ir vê-los. Foi um dia que eu fiquei tão feliz, porque era um sonho estar ali num festival, a ver uma das minhas bandas preferidas, naquele recinto maravilhoso à beira rio, e em chamada com ela... fodasse.
Mas pronto, durante o Verão estive com ela algumas vezes, porque sempre tive alguns problemas com boleias etc, e também eu não ganhava muita coragem em combinar coisas, não sei porquê. Talvez porque nunca me "desenrasquei" e fui à luta dos meus objetivos... Mas nas vezes em que estive com ela, talvez umas 5 ou 6, tive oportunidade de lhe beijar, ou de lhe dizer o que realmente estava a sentir. Nunca lhe disse. Orgulho? Cobardia? Insegurança? Medo? Não sei... Só sabia que não a queria perder, mas também não conseguia avançar. Sempre fui do tipo de pessoa que não se deixa conquistar fácil, e já tive bastantes raparigas que tiveram interesse em mim, mas eu pouco interesse tive nelas. Mas com a Bea, era diferente.
Num dia em Setembro, tudo mudou. Foi perto do início das aulas, ela mandou-me uma mensagem, um texto enorme. Resumindo, ela disse que não sabia como dizer, que não sentia nada para além da amizade, que gostava muito de mim e que eu era uma pessoa 5 estrelas, mas não que sentia nada a sério. Depois de ler, eu desabei por completo. Sempre pensei, que, pelo menos ela sentisse algo para além da amizade. Mas não. Eu respondi-lhe à mensagem e disse-lhe que gostava dela, mas que sim, que podíamos continuar a ser amigos... Mas eu não conseguia. Na altura em que as aulas começaram, eu desviava-lhe o olhar, não conseguia. Era muita dor.

Nesse ano, 2015/2016 eu fiz melhoria do 11º, e como ela ia para o 11º eu fiquei no mesmo ano que ela, e na minha turma tinha amigas e amigos dela. Foi estranho, e ainda acho estranho, porque desenvolvi amizades com amigos e amigas dela até hoje, e até hoje, passados 3 anos, falo com ela normalmente. Não vou dizer que o sentimento é o mesmo, ou secalhar até é. O problema é, habituei-me a perceber que eu e ela não vai resultar. Muitas vezes fico confuso, ainda fico, porque mesmo depois de ela me ter mandado aquela mensagem, uma amiga dela disse à minha irmã que ela chorou por nós já não estarmos como antes... Mas eu não consigo ter uma amizade normal com ela, eu não falei com ela para ser amigo dela, falei com ela porque foi a coisa por quem mais me apaixonei nesta vida. E ela não sabe isso... Nunca lhe disse isso... Nunca. E isto mata-me por dentro, esconder os sentimentos. Ela sabe que eu gostei dela, mas não sabe o quanto gostei. A verdade é que às vezes penso que ela também gostou, ou gosta de mim. Ela fala bem com a minha irmã e já lhe chegou a dizer que sentiu interesse por mim, no início, mas depois como reparou que somos tão parecidos, o interesse ficou-se pela amizade. Desde que ela me mandou essa mensagem, eu tive flirts com outras raparigas, e ela com outros rapazes. Eu inclusive tive um Amor o ano passado, antes de entrar na faculdade. Mas era muito físico, mental, mas não muito sentimento... Já na faculdade, conheci várias raparigas, e foi na faculdade que perdi a virgindade inclusive. Não estou arrependido. Depois disso e até hoje, desenvolvi uma amizade com essa pessoa. Eu consigo-me "soltar" com as pessoas quando não há muito sentimento, mas quando há muito sentimento, como no caso com a Bea, eu não consigo. Mas eu preciso desse sentimento forte, esse é o problema. Hoje, não falo com nenhuma rapariga, e tenho saudades dela, da Bea, daquele sentimento... Hoje em dia falámos quando temos festas, pois temos amigos em comum, mas não trocamos mensagens, devido a esse passado, e ser um pouco estranho... Só trocamos mesmo para desejar os "Parabéns" um ao outro, ou algo do gênero.
Não sei se ela é o Amor da minha vida, e nem acredito muito nisso, mas sei que o que ela me fez sentir, foi a coisa mais inexplicável, maravilhosa e indescritível que eu senti até hoje. E nunca a beijei nem nada do gênero, mas sempre tivemos esta conexão mental. Esta história de Amor que nunca foi escrita. Porque acima de tudo, eu sinto-me sortudo por ter sentido o que senti, apesar de nunca se ter tornado realidade.

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